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Três pilares para mapear as dores do varejo farmacêutico

Pensando em curto, médio e longo prazo, prospectar o que o varejo farmacêutico vai demandar nos próximos anos é uma matemática mais simples do que parece

Analisando o panorama do setor farmacêutico e suas dores, hoje existe a certeza de que não temos mais tanto tempo para vislumbres e debates sobre a forma de solucionar determinada dor, como acreditávamos antes. O tempo da inovação urge e faz parte de uma necessidade de mercado, igual a qualquer outra que garanta a sobrevivência. A inovação adentrou no varejo farmacêutico não somente como um diferencial desejado, mas também como rotina.

Os discursos que atrelavam o usual ao êxito da operação – por exemplo, o “sempre fizemos assim e tivemos sucesso” – foram substituídos pela busca incessante por soluções inovadoras que resolvam dores que já existem ou devem surgir em breve, gerando novas e mais eficientes formas de melhorar a jornada do usuário. A situação sanitária nos “forçou”, por assim dizer, à desconstrução de conceitos que adiavam a execução de soluções amplamente discutidas, mas pouco praticadas.

Pensando em curto, médio e longo prazo, prospectar o que o varejo farmacêutico vai demandar nos próximos anos é uma matemática mais simples do que parece. Aliado a um cenário que respira a necessidade de inovação, existe a vantagem competitiva inerente aos produtos desenvolvidos com foco na saúde: como o setor precisa gerar confiabilidade, seu tempo entre o “novo” (que gera curiosidade e é assunto nas rodas de conversas informais) e uma solução que o explora enquanto diferencial de mercado é maior.

Soluções inovadoras

Do ponto de vista histórico, também há um cenário frutífero para a proposição de soluções inovadoras: enquanto nas duas primeiras décadas do século XXI grande parte dos holofotes estiveram voltados para remodelagens e modernizações do que já existia, a terceira década busca refletir sobre a criação de panoramas inéditos, por meio do mapeamento de oportunidades – algo também acelerado pelos impactos gerados pela pandemia da covid-19. Trata-se de uma demanda crescente pelo original, pela obtenção de respostas do varejo aos novos padrões de consumo, rompendo preconceitos e debates infindáveis sobre as dificuldades de implantar algo que fuja da capacidade operacional.

Portanto, a prospecção do que está por vir está presente em outros setores que sofrem os primeiros impactos da economia, bem como no amadurecimento de soluções que melhoram a experiência do usuário, mas ainda precisam crescer para gerar confiabilidade.

Podemos afirmar que produzir inovação para o varejo farmacêutico é uma receita com enorme potencial: o maior tempo para a adaptação de experiências transformadoras em um produto confiável, os movimentos econômicos que antecedem os impactos na saúde, permitindo uma leitura mais óbvia sobre próximas movimentações e tendências, e um contexto global que clama pelo original, constituem três nuances que reforçam o bom momento para o desenvolvimento de novas soluções e produtos.

Oportunidades

As oportunidades saltam aos olhos dos que pretendem empreender nesse ramo. São muitas as dores que ainda buscam soluções eficientes; afinal, ainda temos muito a desenvolver no que tange a melhorias de atendimento e processos com incorporação de inteligência artificial, por exemplo, além dos aspectos sensoriais que visem agregar valor à jornada do usuário e aumentem a fidelização do usuário.

Pensando nessa questão das “dores”, no ambiente varejista focado na área de saúde, um estudo da Delloite mostra que se destacam as soluções que envolvem dores inerentes à jornada do usuário, tendendo para a tecnologia do cuidado em casa, a nuvem virtual de cuidados e as farmácias digitais com entrega via drone, em um modelo que deixa de orbitar em torno dos hospitais e dos sistemas de saúde e passa a orbitar em torno do cliente e de sua jornada. A partir dessa nova configuração, as perspectivas se expandem e é necessário estudar a transformação no setor.

O estudo da consultoria ainda destaca que as grandes dores na esfera de saúde dentro do cenário criado pela pandemia da covid-19 giram em torno de três pilares: o acesso remoto aos pacientes, a transição do cuidado no processo pós-internação e a ênfase na prevenção e no bem-estar, reforçando a tese de que soluções para transformar o serviço são mandatórias para a continuidade das marcas no mercado para além dos próximos cinco anos.

Dores do varejo farmacêutico

Para mensurar as dores do varejo farmacêutico, é preciso dar ênfase ao desenho de uma experiência do usuário que esteja de acordo com a nova realidade e, por consequência, com suas necessidades. Sai na frente quem conseguir entender esse novo perfil consumidor captando clientes de forma mais interativa, personalizando atendimentos e soluções a perfis específicos, diminuindo espera ou mapeando um novo modelo de experiência para além do óbvio.

Por isso, a busca por profissionais que tenham essa visão está tão em voga. É necessário que eles sejam formados por diversos perfis, a exemplo de executivos com experiência no setor de saúde tradicional e com mentoria de startups. O diálogo de novas soluções com operações recheadas de métricas e indicadores tradicionais é uma mistura importante para o desenho de um cenário mais frutífero. Não se trata de um processo simples: ele requer um pensamento estratégico e um feeling de mercado apurado, e as grandes redes já estão atentas a essa demanda e têm buscado esse perfil de hunter.

Pensando nisso, a solução das dores vem do mapeamento da forma de alcançar uma experiência ótima para o usuário ou dos desenhos de uma nova experiência de interação. O varejo farmacêutico clama por soluções e por desenvolvedores dispostos a mergulhar nesse universo.

Três pontos para elucidar soluções

  • As expectativas dos usuários sobre a jornada de consumo que lhe é oferecida está sendo impulsionada constantemente pelo surgimento e criação de conhecimentos e atributos. A fim de ilustrar esse universo de novos estímulos, cito que, na última semana de abril deste ano, uma emissora de televisão exibiu nacionalmente, durante um reality show, experiências que envolviam o metaverso. A curiosidade gerada por esse tipo de experimento irá, em um curto intervalo de tempo, ser incorporada a uma demanda de consumo, criando um cenário rico em oportunidades que visem ao desenvolvimento de produtos e soluções voltadas para a experiência do usuário no varejo farmacêutico;
  • Em um cenário que respira a necessidade de inovação, existe a vantagem competitiva inerente aos produtos desenvolvidos com foco na saúde: como o setor precisa gerar confiabilidade, seu tempo entre o “novo” (que gera curiosidade e é assunto nas rodas de conversas informais) e uma solução que o explora enquanto diferencial de mercado é maior;
  • Sob a óptica do sistema econômico, a área da saúde não está entre as primeiras impactadas por crises ou crescimentos acelerados. A saúde sofre os reveses econômicos quando o índice de desemprego sobe e o número de beneficiários de planos de saúde cai, por exemplo. Esse é outro ponto que dá uma boa dica de como o setor se comportará em curto prazo. Vale mencionar o processo de incorporação de pequenas redes de farmácia e hospitais por grandes grupos, que é recente se comparado com o mesmo processo na construção civil e na educação. É como se o mercado dissesse o que acontecerá e conseguisse prever dores futuras e oportunidades inerentes a uma conjuntura econômica.

Em síntese, podemos afirmar que produzir inovação para o varejo farmacêutico é uma receita com enorme potencial: o maior tempo para adaptar experiências transformadoras em um produto confiável, os movimentos econômicos que antecedem os impactos na saúde, permitindo uma leitura mais óbvia sobre próximas movimentações e tendências e um contexto global que clama pelo original, constituem três nuances que reforçam o bom momento para o desenvolvimento de novas soluções e produtos.

Fonte: Bárbara de Carvalho, gerente de inovação da Farma Ventures e Giovanni Oliveira, diretor de operações da Farma Ventures.

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