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Uso medicinal da Cannabis é tema de seminário online gratuito

Medical Cannabis Summit, de 10 a 14 de agosto, traz mais de 15 especialistas em saúde e direito para discutir efeitos terapêuticos da maconha

Já vai longe o tempo em que a Cannabis sativa é vista somente como uma droga ilícita. Desde o início dos anos 80, a planta popularmente conhecida como maconha tem sido usada para tratamentos de várias doenças no Brasil. Fazem parte desta lista autismo, esclerose múltipla, epilepsia, depressão, estresse pós traumático, fibromialgia, Parkinson, Alzheimer, enxaqueca e ansiedade, além de dores crônicas e câncer (cuidados paliativos).

A primeira pesquisa clínica que testou a Cannabis em pacientes ocorreu há 40 anos e foi realizada no Brasil. Em 1981, um grupo liderado pelo pesquisador Elisaldo Carlini, professor da Unifesp, publicou no JclinPharmacol, respeitado periódico científico internacional, um estudo duplo cego, randomizado, incluindo uma pequena amostra de oito pacientes, comparados com sete controles, o efeito benéfico do canabidiol – substância extraída da Cannabis – para controle de crises convulsivas.

Para discutir amplamente os efeitos terapêuticos do canabidiol e desmistificar o tema no âmbito clínico, acontece esta semana, entre os dias 10 e 14 de agosto, o Medical Cannabis Summit. Mais de 15 especialistas, das áreas da saúde e de direito, irão debater o uso medicinal da Cannabis e suas principais aplicações, além de aspectos legais. O evento é 100% online e gratuito para médicos, pacientes e familiares que possam ser beneficiados com tratamentos à base da planta.

Uso medicinal da Cannabis

A expectativa é que mais de 20 mil pessoas participem do evento, organizado pela OnixCann, healthtech brasileira que promove o acesso de pacientes a médicos prescritores de Cannabis medicinal, em parceria com a Transformação Digital, ecossistema que conecta pessoas e empresas.

Entre os nomes presentes estão Marcelo Battistella Bueno, CEO do Grupo Anima Educação, referência universitária em cursos nas áreas de medicina e saúde; Marcelo Geraldi, CEO da Herbarium, indústria farmacêutica com uma grande linha de fitoterápicos; e Antoine Daher, fundador da Casa Hunter, instituição sem fins lucrativos com intuito de garantir soluções públicas e sensibilidade para os portadores de doenças raras.

Representantes da comissão especial da Câmara dos Deputados sobre remédios à base de Cannabis, além de médicos e pesquisadores de relevância da medicina canabinóide, também participarão do evento. A lista completa com todos os participantes está disponível no site do evento. Com cinco painéis ao longo da semana, transmitidos pelo site do evento, o Medical Cannabis Summit permite aos inscritos interagirem via chat.

Medical Cannabis Summit

De acordo com Marcelo Galvão, CEO da OnixCann, o trabalho realizado com pioneirismo no Brasil ficou “parado no tempo” por falta de interesse das grandes farmacêuticas em produzir mais pesquisas e comercializar produtos e medicamentos canabinóides. “O processo de lucro se dá por patente, ou seja, com exclusividade das vendas por um determinado período. Com plantas, esse processo de exclusividade não acontece e, consequentemente, os grandes lucros também não”, explica.

Porém, existe atualmente um movimento positivo da sociedade, dos pacientes e de um pequeno rol de médicos e profissionais que atuam com a terapia canabinóide e que lutam todos os dias para democratizar os benefícios da planta. “O que vemos hoje é que não se consegue mais parar a repercussão e o impacto positivo do uso deste medicamento em diversos tratamentos, no bem-estar e na qualidade de vida de milhares de pessoas do mundo todo”, destaca.

Entenda os efeitos medicinais da droga

O Canabidiol (CBD) é uma substância extraída da Cannabis sativa, que tem aplicações medicinais registradas ao longo da História. Em 2.700 a. C., na China, utilizava-se a planta para terapia de constipação intestinal, dores, malária, epilepsia, tuberculose e outras doenças.

Depois, por volta de 1.000 a. C., na Índia, foi administrada no tratamento de ansiedade, manias e histeria. No início do século XX, seus extratos foram comercializados na Europa para tratar desordens mentais. Porém, o desconhecimento sobre a Cannabis e suas propriedades, e até mesmo por preconceito, seu uso terapêutico diminuiu.

Apenas na década 60, com o avanço da tecnologia e da medicina, o professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, Raphael Mechoulam, isolou os componentes da planta e descobriu o canabidiol. E, na ocasião, ele verificou que a substância não tem propriedade psicoativa, ou seja, o CBD não causa efeitos sobre a atividade psíquica ou comportamental.

Essa informação foi reafirmada em 2017, no relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). No documento foi registrado, que “o canabidiol (CBD), molécula não psicoativa da planta Cannabis Sativa L., não é uma substância perigosa, pelo contrário, apresenta um potencial terapêutico alto”.

Uso medicinal da Cannabis

O que é respaldado por um estudo sobre o efeito do CBD em oito pessoas epiléticas, realizado em 1980; por Raphael Mechoulam e investigadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Os cientistas administraram 300 miligramas da substância por quatro meses nos pacientes.

Desses, em quatro, as convulsões sessaram completamente e em outros três a frequência dos ataques diminuíram consideravelmente. Infelizmente, apesar dos resultados positivos, as pesquisas, na época, não motivaram mais investigações sobre o tema.

Entretanto, o CBD continuou a ser estudado. Em 1988, Allynn Howlett e William Devabe descobriram a existência de receptores celulares para substâncias da cannabis no organismo de ratos. Posteriormente, essa presença também foi evidenciada em outros animais, incluindo o homem. Junto a essa descoberta, substâncias semelhantes às encontradas na planta foram identificadas, os endocanabinoides – produzidas pelo próprio corpo.

O responsável pela fabricação e degradação foi denominado de Sistema Endocanabinoide (SEC). Ele está envolvido na regulação de diversas funções orgânicas como: apetite, digestão, dor, humor, inflamação, memória, metabolismo, proteção e desenvolvimento dos neurônios, imunidade e outras.

Atuação dos canabinoides

Tendo em vista a gama de atuações dos canabinoides e seu passado como planta medicinal, hoje, o CBD vem sendo pesquisado e aplicado no tratamento de diversas doenças neurológicas, psiquiátricas, inflamações, dores e bem-estar.

Em países onde a Cannabis Sativa é legalizada para fins medicinais, como a Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Uruguai e em quase toda a Europa, óleos à base de CBD são receitados para: epilepsia, esclerose múltipla, mal de Alzheimer, mal de Parkinson, ansiedade, dor crônica, fibromialgia, depressão, obesidade, glaucoma, inflamações intestinais, artrite e estresse pós-traumático.

No Brasil, o Hospital Sírio-Libanês divulgou, em junho de 2019, um estudo, no qual dois pacientes com tumores malignos de difícil controle foram tratados com canabidiol, além da radioterapia e da quimioterapia padrão. Um mês após o tratamento, um deles apresentou uma ‘remissão completa’ – termo da Medicina para caracterizar quando não há sinais de atividade da doença, apesar de não ser possível identificar como cura.

E, o outro teve uma pseudoprogressão, que segundo os pesquisadores mostrava que o tratamento estava funcionando. Os pacientes relataram que o CBD amenizou os sintomas de dor, náusea, vômito e fadiga; possibilitando uma condição clínica favorável e a prática de atividades físicas.

Com tantos benefícios, o acesso aos medicamentos à base de CBD é cada vez mais importante. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou em dezembro de 2019 o registro destes produtos e a venda em farmácia sob prescrição médica. O cultivo da planta Cannabis segue proibido. Atualmente, mais de 4,5 milhões de brasileiros, sofrem com doenças que podem ser tratadas com CBD.

Entenda sobre os produtos derivados de Cannabis 

Foto: Shutterstock

Fonte: Vida e ação

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