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Mercado

Varejo projeta R$ 37,9 bi no Dia das Mães; cosméticos estão entre os mais vendidos

Por Guia da Farmácia 4 de maio de 2026 Atualizado em: 04 de maio de 2026 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
dia das mães

O Dia das Mães deve levar cerca de 127 milhões de consumidores às compras este ano, consolidando-se como a segunda data mais importante para o varejo nacional. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas a expectativa é que 78% dos consumidores adquiram ao menos um presente, movimentando R$ 37,91 bilhões nos setores de comércio e serviços.

As principais presenteadas serão as mães (74%), seguido da esposa (19%) e sogra (15%). O levantamento aponta que os consumidores pretendem gastar em média R$ 294 com as compras, sendo maior o valor entre os homens (R$ 339); e a média de 1,68 presentes

Entre aqueles que pretendem comprar presentes, o motivo é movido por gratidão ao carinho e esforço dedicado (43%), enquanto 27% consideram um gesto simbólico importante e 24% têm o costume de presentear as pessoas que gostam.

De acordo com os entrevistados, 66% destacam que acham que os preços estão mais caros esse ano; apenas 5% mais baratos. Em relação à intenção de gastos, 39% gastarão mais que em 2025 (puxados por 57% que querem presentes melhores e 45% que disseram que os produtos que querem comprar estão mais caros), enquanto 19% gastarão menos, motivados por necessidade de economizar (39%), crise financeira (36%) e dívidas (33%).

“O Dia das Mães é o grande motor do varejo no primeiro semestre, mas o consumidor brasileiro chega a esta data com o orçamento mais apertado. Em um cenário onde a inadimplência ainda desafia muitas famílias, a pesquisa de preço deixa de ser apenas um hábito e se torna uma ferramenta de sobrevivência financeira. É fundamental que o consumidor celebre a data, mas sempre respeitando o planejamento doméstico para evitar um endividamento que comprometa os meses seguintes”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.

Cosméticos entre os líderes no ranking dos presentes

A pesquisa revela que no Dia das Mães deste ano, os produtos campeões de venda devem ser Moda (Vestuário/Calçados/Acessórios) (53%), seguido por produtos de Beleza (Perfumes/Cosméticos) (50%), Chocolates e Flores: 24% cada e Experiências (Restaurantes/SPA/Viagens) (19%).

A pesquisa aponta que 37% dos consumidores estariam dispostos a presentear com itens usados em ótimo estado, mas a resistência de 58% (que exigem itens novos) ainda protegem o varejo tradicional. Dentro desse grupo, para 24% independente da categoria ou estado do produto, o presente precisa ser algo novo e 22% fazem questão de um produto novo e lacrado.

Em relação à substituição do presente por dinheiro/Pix, 47% veem o dinheiro como preferência das mães (principalmente dos consumidores da Geração Z). Destes, 26% querem liberdade total de uso, enquanto 20% usariam para necessidades básicas (contas/supermercado). Porém, 54% ainda priorizam o simbolismo da data, acreditando que a mãe não abre mão da emoção de receber um presente físico.

Canais de compras

A jornada de compra é híbrida e antecipada. A pesquisa de preço domina o digital, mas a conversão ainda é massiva no físico. De acordo com o levantamento, 79% pretendem comprar em lojas físicas, com predominância nos Shopping Centers (29%) e Populares (21%).

Já 47% dos consumidores optam pelo online, com destaque para os aplicativos (75%), sites (60%) e Instagram (25%). Os principais canais digitais de compras serão os varejistas internacionais (55%), sites especializados em cosméticos e perfumes (40%), seguidos pelos sites de lojas de departamento (35%).

“O sucesso do lojista neste Dia das Mães depende da sua presença em múltiplos pontos de contato. O consumidor hoje usa a internet como uma bússola para filtrar as melhores ofertas e evitar gastos desnecessários, especialmente em tempos de orçamento curto. Mas é no ponto de venda físico que a mágica acontece; a tradição de sair para comprar o presente da mãe permanece forte no brasileiro, fazendo com que as lojas físicas ainda dominem o volume de transações, mesmo que o caminho até lá tenha passado por uma tela”, destaca Costa.

A pesquisa aponta que o consumidor está atento aos preços e a grande maioria (77%) pretende fazer pesquisa antes de comprar os presentes. A pesquisa começa cedo (73% pesquisam 15 dias ou antes da data). Entre os que pretendem fazer pesquisa de preços, 87% costumam realizar pela internet, seja em sites/aplicativos (78%) e nas redes sociais (43%). Mas o varejo físico preserva sua relevância: 69%, com preferência por lojas de shopping (45%) e de rua (37%).

Formas de pagamento

Em relação a forma de pagamento, a pesquisa mostra um conflito entre à vista (68% – Liderado por Pix 52% e débito 21%) e à prazo (58%), liderado pelo Cartão de crédito parcelado (36%). Entre os que pretendem comprar parcelado, a média será de 4 prestações.

Seis em cada dez entrevistados, 64% parcelam sem garantia de pagamento. O perfil divide-se entre Calculados, com uma gestão calculada, comprometendo-se apenas com parcelas que vão conseguir pagar (37%), os Preocupados/Otimistas, admitindo que o orçamento ficará apertado e confiando na capacidade de ‘dar um jeito’ posteriormente (37%) e os Imediatistas, priorizando a satisfação da compra e o bem-estar do momento em detrimento do planejamento financeiro (27%).

A pesquisa mostra que a descoberta do produto é multicanal, equilibrando o estímulo visual físico e o digital. O impacto é dividido igualmente entre o mundo físico e o digital: as vitrines aparecem em primeiro (39%) em seguida o Instagram (39%), seguidos por iIndicações (35%) e Bbuscadores (33%).

Os principais fatores decisivos de compra são a qualidade do produto (41%), o preço (40%), as promoções e descontos (35%) e o frete grátis (30%).

A divisão de custos surge como uma ferramenta para viabilizar o presente. 13% pretendem dividir o pagamento. Deste grupo, 50% dividem com irmãos, 32% com outros familiares e 23% com o pai. Para 38%, o objetivo é dar um presente melhor/mais caro. Outros dividem por necessidade (21% alegam preços altos) ou para reduzir gastos com o presente (15%). A grande maioria (82%) ainda prefere pagar o presente sozinho.

Como os brasileiros vão comemorar o Dia das Mães

Sobre a comemoração da data: 42% planejam comemorar na casa da mãe, 29% em sua própria casa e 10% vão almoçar fora. A pesquisa da CNDL também detectou que 39% dos que pretendem comprar presentes estão com contas atrasadas. 87% “darão um jeito” de comprar, independentemente das limitações financeiras

A determinação em presentear no Dia das Mães demonstra ser um comportamento onde a barreira financeira não interrompe a jornada de compra, mas sim a adapta.

A pesquisa mostra que 87% dos consumidores afirmam que “darão um jeito” de realizar a compra, independentemente de limitações financeiras momentâneas. Enquanto 57% optam por recalcular o gasto e escolher um produto mais barato, o restante desse grupo busca fontes de renda extra (23%, como ‘bicos’ ou venda de itens pessoais), divide o valor do presente (14%) e/ou usa o cartão de crédito de terceiros.

Presentes x Renda

O desejo de não deixar a data passar em branco impõe uma reorganização das finanças pessoais: 63% dos consumidores colocam o presente à frente de outras obrigações pessoais ou financeiras. Para viabilizar esse gasto, as principais ações são o corte em verbas de lazer (24%) e o adiamento de compras de uso pessoal, como vestuário e eletrônicos (24%). Já 23% aceitam parcelar o item mesmo cientes de que a decisão comprometerá o orçamento dos meses subsequentes.

De acordo com a pesquisa, 57% dos consumidores sentem algum tipo de pressão social para gastar além de suas posses, distribuída da seguinte forma: Pressão Constante (18%): Acreditam que o valor do presente é a métrica direta da gratidão. Pressão Ocasional (12%): Impulsionada pelo efeito de comparação nas redes sociais.

A incapacidade de manter o gasto dentro do planejamento atinge 29% dos consumidores, que admitem o hábito de gastar mais do que podem na data. 14% planejam deixar de pagar uma conta para viabilizar o presente (índice maior entre a Geração Z).

Entre os que pretendem presentear, 39% já possuem contas em atraso. Entre esses, a gravidade da situação financeira é alta: 72% já estão negativados.

O levantamento mostra outro dado preocupante onde 30% dos entrevistados sentem-se pressionados a gastar mais devido a postagens no Instagram ou TikTok. Para este grupo, a motivação é estética, focada em garantir que o presente ou a celebração gerem um registro impactante.

“Vivemos um momento em que o consumidor é bombardeado por ofertas e gatilhos mentais o tempo todo no ambiente digital. Esse apelo das redes sociais é um grande indutor de compras por impulso, o que é perigoso em um cenário de crédito restrito e alta inadimplência. Nossa orientação é que o consumidor faça uma lista, estabeleça um teto de gastos e não se deixe levar pelo imediatismo estimulado pelas telas. O planejamento financeiro é a única vacina contra o superendividamento em datas de forte apelo comercial como esta”, orienta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

Fonte: CNDL

Foto: Shutterstock

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