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Notícias

Veja perguntas e respostas sobre as canetas da EMS

Por Guia da Farmácia 5 de agosto de 2025 Atualizado em: 05 de agosto de 2025 Nenhum comentário 6 Minutos de leitura
Veja-perguntas-e-respostas-sobre-as-canetas-da-EMS

As primeiras canetas para o controle de obesidade e diabetes tipo 2 com fabricação brasileira já estão disponíveis nas farmácias do País.

Produzidas pela empresa EMS, elas chegam às prateleiras como Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes), e custam a partir de R$ 307,26 (embalagem com 1 caneta).

A seguir, confira as principais dúvidas envolvendo esses medicamentos:

1- O que está sendo lançado?

De acordo com a EMS, estão sendo lançados dois produtos: o Olire, voltado ao controle da obesidade e com dosagem de 3 mg ao dia, e o Lirux, indicado para o tratamento de diabetes tipo 2 e com dosagem de 1,8 mg ao dia. Ambos têm a liraglutida como princípio ativo.

Em estudos clínicos, a liraglutida resultou em perda de peso média de 4 kg a 6 kg, com parte dos pacientes atingindo entre 5% e 10% de redução do peso corporal. Além disso, a substância é associada a melhorias nos marcadores de risco cardiovascular.

Até agora, a liraglutida só era comercializada no País por meio dos dois medicamentos de referência, Saxenda e Victoza, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk. A produção nacional se tornou possível após a queda das patentes desses remédios, no ano passado.

2- Quanto custa?

Os novos produtos têm preços sugeridos a partir de R$ 307,26 (embalagem com 1 caneta), R$ 507,07 (Lirux com 2 canetas) e R$ 760,61 (Olire com 3 canetas). Clientes cadastrados no programa da EMS podem ter acesso a descontos de 10%.

A expectativa da farmacêutica era de que os produtos nacionais fossem comercializados com valores 10% a 20% mais baixos do que os medicamentos de referência, mas, em pesquisa feita pelo Estadão na última sexta-feira, 1º, em sites de drogarias, Saxenda e Victoza estão sendo vendidos com descontos de mais de 30%, o que faz os preços dos produtos dos dois fabricantes ficarem muito próximos.

3- Onde encontrar?

A EMS informou que, inicialmente, as canetas estarão disponíveis nas unidades das redes Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo e Pacheco das regiões Sul e Sudeste. A previsão é expandir gradualmente a oferta para as demais regiões nas próximas semanas.

4 – Como esses medicamentos agem no corpo? Qual a diferença para Ozempic, Wegovy e Mounjaro?

Todos esses medicamentos pertencem à classe dos chamados análogos do GLP-1, uma substância que o corpo produz em resposta à alimentação. “Eles imitam esse hormônio, que ajuda na produção de insulina, reduz a fome e aumenta a saciedade”, explicou o endocrinologista Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista ao Estadão. “É como se a pessoa ficasse 24 horas com níveis elevados de GLP-1 no sangue.”

O primeiro remédio desse tipo que chegou ao mercado foi o Victoza, que é justamente a liraglutida, para tratamento de diabetes tipo 2. “Mais tarde, a mesma substância passou a ser utilizada no tratamento do sobrepeso e obesidade, com o nome de Saxenda, em uma dose mais alta”, afirmou o endocrinologista Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Em seguida, foi a vez da semaglutida, molécula considerada mais potente que a liraglutida. Ela começou a ser usada com o nome Ozempic, em aplicação semanal, para tratar o diabetes tipo 2. Depois, a mesma substância passou a integrar o tratamento da obesidade com o nome de Wegovy, em dose mais alta.

De acordo com a EMS, a companhia tem se preparado para lançar medicamentos semelhantes em 2026, após a queda da patente da semaglutida no País.

Seguindo com a lista, o mais recente deles é o Mounjaro, nome comercial da tirzepatida. “Além de agir no receptor do GLP-1, como os outros, a tirzepatida também imita o GIP, outro hormônio intestinal. Por isso, tem um efeito mais potente sobre o metabolismo e o apetite”, afirmou Mancini.

Resumindo: o mecanismo de ação das medicações é parecido, principalmente entre semaglutida e liraglutida. As principais diferenças parecem estar na duração do efeito e na potência.

A semaglutida possui uma duração maior, sendo administrada uma vez por semana, enquanto a liraglutida deve ser injetada todos os dias. Além disso, ela pode levar a uma perda de peso de 15% a 17% e foi associada a reduções nos desejos por comida, o que é menos evidente com a liraglutida, sugerindo diferentes mecanismos de regulação da ingestão de alimentos.

5- Como esses medicamentos devem ser usados?

Em geral, eles são administrados por meio de canetas pré-preenchidas que usam agulhas ultrafinas, com tamanho entre 4 e 8 milímetros.

A aplicação é subcutânea, ou seja, na camada de gordura sob a pele, geralmente no abdômen, coxa ou braço.

Vale ressaltar que, ao contrário de outros análogos do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, a liraglutida é de uso diário, e não semanal.

Além disso, o uso desse tipo de medicação deve ser contínuo. Assim como outras condições crônicas, como hipertensão ou hipotireoidismo, o tratamento da obesidade exige continuidade para a manutenção dos resultados.

6– É preciso ter receita médica para comprar?

Sim. Desde 23 de junho de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige a retenção da receita na farmácia, similar ao que ocorre com antibióticos. A prescrição deve ser emitida em duas vias, com validade de até 90 dias.

A venda é permitida apenas com a retenção da via original da receita, e a dispensação é fracionada, ou seja, o paciente pode adquirir o fármaco em intervalos de até 30 dias.

Essa medida visa aumentar o controle sobre o uso desses medicamentos, especialmente diante do elevado número de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.

Especialistas destacam que é perigoso usar esses remédios apenas para perder alguns quilos.

“Esses medicamentos são indicados para pessoas com diabetes tipo 2, obesidade ou sobrepeso com comorbidades associadas, quando o IMC (índice de massa corporal) está acima de 27. O correto é não usar fora desses limites definidos em bula”, frisou Mancini.

7- É possível trocar de uma caneta para outra?

A troca de medicamentos análogos do GLP-1, como substituir uma caneta anterior pelas versões nacionais de liraglutida, é possível.

“Não há estudos que tenham comparado iniciar o tratamento com um medicamento e depois trocar por outro. Mas, na prática, vemos pacientes que usam Wegovy na dose máxima e não perdem mais peso. Nesses casos, pode fazer sentido mudar a medicação para tentar ampliar a resposta”, exemplificou Mancini.

Ainda assim, a mudança de medicamento deve ser sempre feita com acompanhamento médico, com aumento gradual da nova dose para garantir segurança e bons resultados.

Fonte: Estadão
Foto: Shutterstock

Leia também:

Canetas de liraglutida da EMS chegam às farmácias

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