
O banco Itaú BBA publicou, em 13 de setembro, atualização de cobertura para a Hypera Pharma (HYPE3) com recomendação de compra (outperform) e preço-alvo de R$ 33 por ação para o fim de 2027.
O documento destaca a entrada do medicamento Semavy, agonista de GLP-1 desenvolvido pela companhia, como potencial fator de aceleração da receita no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforça a solidez do negócio farmacêutico subjacente e a melhora na geração de caixa como pilares do investimento.
Desempenho recente e avaliação de mercado
No período de um mês anterior à publicação do relatório do Itaú BBA, as ações da Hypera acumulavam queda relativa de aproximadamente 8 pontos percentuais em relação ao Ibovespa. O preço de mercado estava em R$ 22,76 por ação, enquanto o banco projetava potencial de valorização de 45% até o fim de 2027. O múltiplo de preço sobre lucro estimado para 2027 era de 8 vezes, patamar considerado atrativo pelos analistas responsáveis pela cobertura.
Apesar do desempenho recente abaixo do índice, o Itaú BBA avalia que a combinação de negócio farmacêutico resiliente, conversão de caixa em melhora e valuation favorável não está refletida no preço atual das ações.
Fundamentos do negócio
As estimativas do banco para a receita líquida da Hypera excluindo o Semavy projetam crescimento de vendas (sell-out) entre 7% e 8% ao ano como cenário-base. Os resultados do segundo trimestre de 2026 foram avaliados como consistentes com esse ritmo, com destaque para a demanda por produtos de dermocosméticos compensando desempenho mais fraco nas categorias de tosse e resfriado.
Para 2026, o Itaú BBA estima receita líquida consolidada de R$ 9,24 bilhões, margem bruta de 61,1%, Ebitda ajustado de R$ 2,94 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 1,74 bilhão. A geração de caixa livre para o acionista (FCFE) projetada para o ano é de R$ 1,1 bilhão, com perspectiva de redução do endividamento líquido ao longo do período.
O Semavy no centro das atenções
A entrada do Semavy no mercado é tratada pelo relatório como o principal elemento de potencial valorização adicional às estimativas-base. A Hypera realizou um pedido inicial de 400 mil canetas do produto, e os primeiros sinais de mercado foram descritos como construtivos pelos analistas, com base em verificações nos canais de distribuição.
O banco projeta a comercialização de 250 mil unidades no terceiro trimestre de 2026 e outras 250 mil no quarto trimestre, com aumento para 400 mil unidades por trimestre ao longo de 2027, totalizando 1,6 milhão de unidades no ano. O preço médio considerado nas projeções é de R$ 350 por caneta no preço ao consumidor (CPP) e R$ 299 no preço ao público (PPP).
A receita líquida projetada com o Semavy para 2027 é de R$ 359 milhões, considerando uma dedução de 25% sobre a receita bruta. A contribuição para o Ebitda deve crescer progressivamente, com margem estimada de 0% no terceiro trimestre de 2026, evoluindo para 25% no quarto trimestre de 2027, à medida que as despesas iniciais de marketing e promoção forem diluídas.
Despesas de marketing e impacto limitado no Ebitda inicial
O relatório alerta que o investimento em promoção do Semavy junto a médicos de diferentes especialidades deverá pressionar as despesas de marketing no curto prazo. Por essa razão, o Ebitda consolidado estimado para o terceiro e o quarto trimestres de 2026 permanece em torno de R$ 800 milhões e R$ 814 milhões, respectivamente, sem variação expressiva mesmo diante de uma receita potencialmente maior.
A leitura dos analistas é que a contribuição nominal do Semavy ao Ebitda será limitada nos trimestres iniciais, com ganho de rentabilidade esperado ao longo de 2027 conforme o produto ganhe escala e as despesas de lançamento se normalizem.
Projeções consolidadas e perspectivas
Para 2027, o banco projeta receita líquida consolidada de R$ 10,08 bilhões, Ebitda de R$ 3,30 bilhões e lucro líquido ajustado de R$ 2,10 bilhões. O múltiplo EV/Ebitda projetado cai de 7,5 vezes em 2026 para 6,5 vezes em 2027, enquanto o P/L ajustado recua de 9,2 vezes para 7,6 vezes no mesmo período.
O relatório conclui que a combinação entre execução operacional consistente, melhora na geração de caixa e o potencial ainda não precificado do Semavy sustenta a manutenção da recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 33 por ação para o fim de 2027.
Foto: divulgação
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