
Em 22 de setembro tem início a estação mais florida e colorida do ano, a primavera. Até 21 de dezembro, quando tem início o verão, os brasileiros convivem com temperaturas mais amenas e clima úmido. Um cenário perfeito, não fossem os efeitos da polinização na saúde de uma boa parte da população. Isso porque o pólen, disperso no ar, pode piorar doenças alérgicas respiratórias.
“Essa polinização é mais comum nos países do hemisfério norte, mas a gente também observa esse processo no hemisfério sul, principalmente onde existe uma grande quantidade de gramíneas ou de árvores floridas. Isso sensibiliza a mucosa respiratória e, consequentemente, desencadeia fenômenos alérgicos”, explica a pneumologista da Comissão de Infecções Respiratórias da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Dra. Rosemeri Maurici da Silva. Segundo ela, os quadros de alergias respiratórias mais comuns são a rinite alérgica e as crises ou exacerbações de asma brônquica.
Por ser uma estação de transição entre uma seca e fria para uma quente e úmida, o ar se torna mais favorável a ácaros, fungos e bactérias. “Com isso, os problemas se proliferam por conta de fatores externos, como poluição e mofo, afetando de forma direta os pacientes com alergias”, diz a alergologista e imunologista, membro do Departamento Científico de Rinite da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Priscila Megumi Takejima.
Entre as alergias mais comuns, a Dra. Priscila destaca a asma, a rinite e a conjuntivite alérgica. “A asma é caracterizada pela inflamação das vias aéreas e apresenta episódios de falta de ar, chiado e sensação de aperto no peito e tosse. Já o paciente com rinite apresenta prurido no nariz, nos olhos e na garganta, espirros, obstrução nasal e coriza. A conjuntivite alérgica causa coceira; queimação; olhos vermelhos; inchaço; lacrimejamento; e sensibilidade à luz, conhecida como fotofobia, prejudicando assim a visão”, diz a médica, lembrando que, frequentemente, a conjuntivite alérgica está relacionada com a rinite alérgica e, ao contrário das conjuntivites virais e bacterianas, a alérgica não é uma doença transmissível.
Também é importante ressaltar que os quadros de alergias respiratórias costumam mudar com as trocas das estações, devido às variações de temperatura, umidade, pressão atmosférica e ventos.
“No Brasil, as alergias respiratórias aumentam mais em primeiro lugar no outono/inverno e, em segundo lugar, na primavera e depois no verão. Os indivíduos que são alérgicos a pólens e gramíneas vão ter crises alérgicas de rinite, conjuntivite e asma na primavera, piorando os seus sintomas. Isso acontece mais na região sul do Brasil, onde a primavera é mais definida que nas outras regiões”, destaca o otorrinolaringologista, membro do departamento de Alergia da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Dr. Olavo de Godoy Mion.
Distância segura
A prevenção das alergias respiratórias é imprescindível entre os acometidos. Afinal, se o indivíduo não tiver contato com os agentes alérgenos, ele não irá manifestar os sintomas. A prevenção das alergias, em todas as suas formas, é evitar o contato com os alérgenos específicos que são gatilhos para a alergia.
“Se o indivíduo tem alergia a ácaros, deve evitar o contato com a poeira domiciliar. Se tem alergia a pólens, precisa evitar os pólens na época da polinização. Evitar fumaça, contato com cigarro, ar-condicionado, que não causam alergias, mas são agentes inespecíficos, também auxilia na prevenção”, aconselha o Dr. Mion.
Algumas outras formas de prevenir as crises alérgicas são: manter-se hidratado; higienizar as narinas; manter a casa limpa e arejada; evitar o uso de cortinas e tapetes de tecido; além de móveis que acumulem poeira.
“Cuidado com unidade e mofo. A presença da umidade favorece a proliferação de fungos e ácaros, podendo ocasionar maiores riscos para crises alérgicas”, alerta a Dra. Priscila.
Ainda segundo ela, é recomendável o uso de capas impermeáveis em colchões e travesseiros, além da lavagem semanal das roupas de cama. “Também é importante manter as doenças alérgicas controladas e com tratamento adequado”, diz.
O nariz é a porta de entrada das vias aéreas, sendo assim, a lavagem nasal é muito importante e faz parte do processo de prevenção. “Isso porque além de limpar as secreções acumuladas nos seios da face, ela umidifica a mucosa melhorando, assim, os batimentos ciliares locais e contribuindo com a defesa natural contra as infecções. Além disso, para prevenir, é preciso manter o uso contínuo e correto das medicações. Nos quadros de rinite sazonal, o paciente pode iniciar o tratamento algumas semanas antes do início da estação”, afirma a alergista do Hospital Nove de Julho, Dra. Jaqueline Cubo.
Tratamento individualizado
O tratamento para as alergias respiratórias é individualizado para cada tipo de condição, mas de acordo com a Dra. Rosemeri, são usados, principalmente, agentes anti-inflamatórios tópicos, que são os corticoides intranasais; os corticoides inalados, no caso da asma brônquica; os broncodilatadores e os anti-histamínicos.
O tratamento medicamentoso é fundamental quando a prevenção não funciona. “Atualmente, a novidade como classe de medicação para tratamento das alergias respiratórias são os medicamentos biológicos”, conta o Dr. Mion.
Falando especificamente sobre o tratamento da asma, a Dra. Priscila explica que ele envolve dois grupos de medicamentos: os de resgate, utilizados no momento da crise, mas não tratam a doença, pois apresentam pouco efeito na inflamação crônica da asma; e os de manutenção, que atuam com objetivo de melhorar a inflamação dos brônquios, como, por exemplo, os corticoides inalados (isolados ou em terapia combinada).
Já o tratamento da rinite alérgica depende dos sintomas envolvidos e sua frequência. “Para tratar condições que estão presentes somente nas crises, utiliza-se anti-histamínicos. Já em casos mais persistentes, o tratamento com medicamentos corticoides intranasais pode ser indicado”, pontua a especialista da ASBAI.
Ainda segundo ela, a imunoterapia (ou vacina para alergia) é específica para rinite alérgica, sendo o único tratamento capaz de modificar a história natural da doença e controlar a alergia a longo prazo.
“O tratamento da conjuntivite alérgica é realizado com o uso de colírios indicados pelo médico especialista. Lembrando que todo tratamento e uso de medicamentos devem ser prescritos pelo médico especialista, que irá avaliar e tratar o paciente de maneira individualizada e personalizada”, diz.
Fonte: Guia da Farmacia
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