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Celebração aos 100 anos da insulina

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O avanço da ciência ficou mais evidente com a pandemia. Hoje, são muitos os que se dão conta de que se não fosse pelas pesquisas de cientistas, boa parte da raça humana seria dizimada em pouco tempo com o Coronavírus.

Mas não foi só a vacina que possibilitou vislumbrar a importância da ciência. A criação da morfina, em 1805, que ajudou a amenizar dores crônicas; a descoberta da penicilina, em 1928, que ajudou a eliminar diversas bactérias de várias doenças; e por fim, o desenvolvimento da insulina. As duas últimas tecnologias salvaram a vida de milhões de pessoas no mundo todo.

Antes de 1921, a sobrevida de uma pessoa com diabetes não passava de oito meses, pois não se conseguia converter a glicose dos alimentos em energia e, desta forma, o paciente era obrigado a fazer uma dieta de inanição.

Segundo o último Atlas da Federação Internacional de Diabetes, publicado no fim de 2019, há 16,8 milhões de brasileiros com a condição. O País está no 5º lugar do ranking de países em maior número de casos.

Evolução da insulina

Num cenário de pós-guerra e realizando residência em ortopedia, o médico canadense Frederick Banting precisou estudar o pâncreas para dar uma aula na Universidade de Toronto. Recorreu a vários estudos, entre eles um que relatava que o diabetes resultava em uma deficiência de um hormônio secretado pelas ilhotas de Langerhans.

Com auxílio do estudante Charles Best, dos pesquisadores John Macleod e John Macleod e do assistente James Collip, Banting conseguiu estratificar insulina e purificá-la para controlar os níveis de açúcar no sangue. Feito este que rendeu aos pesquisadores o Prêmio Nobel da Medicina, em 1923.

Com a permissão da Universidade de Toronto, a fórmula da insulina foi concedida à Eli Lilly por um ano; depois disponibilizada para a Leo; e, em seguida, para a Nordisk (hoje Novo Nordisk), na Dinamarca, para atender a uma demanda de mais de 25 mil pessoas na época.

No Brasil, a insulina chegou em 1924 e, desde então, tem beneficiado milhões de pessoas com a doença. A coordenadora do Departamento de Diabetes Tipo 1 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e do Ambulatório de Bomba de Infusão de Insulina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Dra. Monica Gabbay, reforça como os avanços foram grandes ao longo deste século.

“O desenvolvimento da insulina e sua purificação, a produção do DNA recombinante para ampliar a criação do hormônio e a produção dos análogos de insulina, que diminuíram a incidência de hipoglicemia (baixa taxa de açúcar no sangue) foram primordiais para melhorar a adesão ao tratamento”, diz, citando outros avanços importantes na área.

Entre eles, a evolução do tratamento com a terapia basal (mínimo de insulina circulando na corrente sanguínea) X bolus (aplicação de insulina antes da alimentação e na correção da glicemia); a substituição das seringas de vidro com agulhas grossas e grandes por descartáveis com agulhas pequenas e finas; a criação das canetas de insulina; o desenvolvimento de glicosímetros portáteis com uso de pequenas gotas de sangue; além dos sensores da insulina inalável e das bombas de insulina.

“Todas estas tecnologias ajudaram e ajudam muitas pessoas a aderirem ao tratamento e a terem mais qualidade de vida”, complementa a Dra. Monica.

Falta de Adesão ao Tratamento

“Mesmo com este medicamento que está em constante evolução, ainda as pessoas com diabetes têm uma expectativa de vida de 10 anos a menos quando comparadas a indivíduos que não possuem doenças crônicas, devido à falta de adesão ao tratamento”, explica a endocrinologista e diretora da ADJ Diabetes Brasil, Dra. Denise Reis Franco.

O estudo Poor glycaemic control in Brazilian patients with type 2 diabetes attending the public healthcare system: a cross-sectional study, publicado em 2013, mostra que somente 25% das pessoas com diabetes tipo 2 atingiram a hemoglobina glicada abaixo de 7% antes da pandemia, conforme recomendação da SBD.

Por isso, a Dra. Denise reforça que não é só a tecnologia que ajuda na adesão ao tratamento. “Há outros fatores que precisam ser revistos. É necessário que a pessoa tenha acesso à educação em diabetes e a uma equipe multidisciplinar e uma adaptação ao tratamento.”

Diabetes e vacinação

A ADJ Diabetes Brasil realizou uma pesquisa on-line com 2.027 pessoas, entre elas pessoas com diabetes, pais e mães de crianças com diabetes e cuidadores, no fim de 2020, e constatou que 1.738, ou seja, 85,74% das pessoas desconhecem que há um calendário de vacinação específico para este público.

Contudo, a endocrinologista e atual assessora governamental da SBD, Dra. Hermelinda Pedrosa, lembra que o diabetes é uma doença que afeta a defesa do organismo. “Quando há descompensação da glicemia, o sistema imune fica mais frágil e, por isso, a vacinação é fundamental, pois evita a infecção de várias doenças.”

Apesar dessa importância, o levantamento da ADJ detectou, entre outros resultados, que 47% das pessoas com diabetes tipo 2, que responderam a pesquisa, não se recordavam de quando o médico comentou sobre a importância da vacinação nas consultas, e 9% disseram categoricamente que o médico não fala sobre o assunto durante o atendimento.

“Desde 2018, a SBD e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) escreveram um Guia de Imunização focado em pessoas com diabetes, que está disponível nos sites das duas instituições. Batalhamos, hoje, para que o conteúdo do material se torne parte da prescrição médica e se torne rotina na vida de cada brasileiro com a condição”, ressalta a Dra. Hermelinda.

Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock

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