
O bom funcionamento do intestino é fundamental para uma vida saudável e entre os inúmeros problemas que podem atingir o órgão está a constipação intestinal.
Popularmente conhecida como intestino preso, a constipação intestinal consiste na diminuição do ritmo defecatório que, em geral, é de uma evacuação por dia. Quando a pessoa evacua menos de três vezes por semana com as fezes endurecidas, algumas vezes em pequenas bolotas (cíbalas), se caracteriza a constipação.
“O médico que estabelece o diagnóstico faz a diferenciação entre a constipação funcional – muito frequente, e a constipação orgânica que pode ocorrer por problemas orgânicos, como inflamações, diabetes, tumores, etc. Do ponto de vista médico, devem ser seguidos critérios próprios para o estabelecimento diagnóstico da constipação intestinal funcional”, explica o gastroenterologista e diretor de comunicação da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Dr. Joaquim Prado P. de Moraes Filho. Segundo ele, a prevalência da constipação intestinal funcional é variável, de 15% a 25% com predomínio entre mulheres e pessoas idosas.
Entre os fatores que podem levar a quadros de constipação intestinal, o Dr. Moraes Filho destaca que os hábitos alimentares são importantes para o bom funcionamento intestinal, como, por exemplo, a ingestão de alimentos contendo fibras alimentares, como legumes; frutas fibrosas; rúcula; acelga; agrião; aveia; maçã; ameixa; couve; entre outros.
“Além disso, a adequada ingestão de água deve ser observada (1 litro/dia). A inatividade física e frequentemente o uso de medicamentos com efeito constipantes são também fatores a serem lembrados. Como foi mencionado, o predomínio é entre mulheres e pessoas idosas”, destaca.
Incômoda e dolorosa, a constipação intestinal apresenta sintomas, como: evacuação incompleta; esforço excessivo; dor ao evacuar em função da consistência endurecida das fezes (neste caso, pode haver sangramento na passagem); além das evacuações pouco frequentes (menos de três vezes por semana).
“Dor abdominal e sensação de estufamento (‘barriga inchada’) também podem ocorrer. Flatulência é outro sintoma que também pode atrapalhar a qualidade de vida desses pacientes”, diz a gastroenterologista do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Karoline Garcia.
Grupos de risco
A constipação intestinal é mais frequente em pessoas que não têm hábitos totalmente saudáveis, especialmente alimentares, como destaca o Dr. Moraes Filho. “Particularmente, quanto à falta de ingestão de alimentos contendo fibras, os quais são os estimuladores dos movimentos intestinais, pouca ingestão de água, vida sedentária, etc.”, diz.
A incidência de obstipação é maior principalmente no sexo feminino na quinta década de vida, isso porque fatores ligados aos hormônios femininos alteram a motilidade intestinal. “O hábito de reprimir o ato de evacuação por não estar perto do banheiro de casa é outro fator comum”, comenta o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Moriah, Dr. Flávio Kawamoto.
Para a Dra. Karoline, é importante lembrar que a constipação intestinal pode ser o primeiro sinal de uma doença sistêmica, como hipotireoidismo, diabetes, doenças neurológicas e até neoplásicas.
“Também pode ser efeito colateral de medicações, como opioides (a exemplo do tramadol, codeína e morfina), antidepressivos, suplementos contendo ferro, hidróxido de alumínio, entre outros. Pacientes com Síndrome do Intestino Irritável (SII) também podem apresentar constipação”, alerta.
Ainda segundo a médica, a constipação pode ser um sinal para alguma condição mais grave, como o câncer colorretal, popularmente conhecido como câncer de intestino. “Pacientes com 45 anos de idade ou mais que passam a ter um hábito intestinal mais constipado devem procurar assistência médica, pois pode ser necessária a realização de colonoscopia para excluir o diagnóstico de câncer colorretal”, comenta.
Papel dos laxantes
Entre as opções para o tratamento medicamentoso da constipação intestinal estão os laxantes ou laxativos. Eles nada mais são do que medicações que atuam aumentando a frequência das evacuações e/ou suavizando a consistência das fezes.
No mercado, existem diferentes tipos de laxativos e os pacientes devem estar atentos a esse fato, especialmente porque somente com avaliação médica é possível determinar o mais indicado para cada quadro.
“Entre os mais comuns estão o óleo mineral, bisacodil, senna, lactulose, polietilenoglicol (comumente chamado pela sigla PEG), lubiprostone e prucaloprida”, comenta a Dra. Karoline.
Segundo ela, outro ponto positivo é que existe um arsenal terapêutico amplo e, portanto, opções para o tratamento da constipação e melhora da qualidade de vida dos pacientes. “Intestinos diferentes merecem tratamentos diferentes – esta é nossa regra de ouro na era da medicina personalizada e centrada no paciente”, diz.
De acordo com o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP), existe uma preocupação com o uso de laxativos por tempo prolongado, o que pode levar a um ciclo vicioso, em que as evacuações espontâneas satisfatórias podem não ocorrer, piorando, inclusive, o quadro de constipação.
Ainda segundo o CRF-SP, no ato da dispensação, é de extrema importância que o farmacêutico esteja atento às queixas do cliente, forneça as informações necessárias e ainda identifique os possíveis casos de uso abusivo e indiscriminado desses medicamentos1.
Fonte: Guia da Farmacia
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