
Presente por mais de 130 anos no mundo e no País, há 88 anos, a Johnson & Johnson é, hoje, grande conhecida dos brasileiros, com destaque para os seus Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), amplamente conhecidos no mercado.
Com parque fabril localizado em São José dos Campos (SP) a empresa emprega cerca de seis mil colaboradores, considerando as áreas fabril e administrativa. Portanto, diante desse porte é natural que a empresa tenha enfrentado muitos desafios diante da pandemia, a fim de manter a produção, mas sem colocar a equipe em risco.
“Com criatividade e agilidade, fomos capazes de cuidar dos nossos colaboradores, das comunidades e consumidores e ainda obter ganhos de mercado em algumas categorias”, disse o diretor comercial da Johnson & Johnson Consumer Health, Silvio Silva.
Em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, o executivo mostrou as projeções para este ano, investimentos e força que os MIPs têm ganhado entre os brasileiros. Acompanhe!
Guia da Farmácia • Há quantos anos a Johnson está no mercado nacional? Quais foram as maiores forças que a empresa acumulou na área de MIPs ao logo desses anos?
Silvio Silva • Movidos pela constante inovação e desejo de melhorar a saúde dos nossos consumidores em todo o mundo, a Johnson & Johnson está presente no País há 88 anos.
Ao longo deste período, desenvolvemos produtos que ainda hoje são referência na categoria para o tratamento de diferentes sintomas: dor e febre (TYLENOL®), goma de mascar indicada para pessoas que desejam abandonar o hábito de fumar (NICORETTE®), tosse, irritação da garganta e faringite (BENALET®) e azia e má digestão (MYLANTA® Plus).
Guia • Qual a importância que os MIPs ganharam tanto para o sistema de saúde pública quando para os consumidores?
Silva • A prática do autogerenciamento de dores e outros problemas é forte aliada para os consumidores, os quais podem encontrar soluções ágeis sem a necessidade de passar por consulta médica. Este processo contribui não apenas para o paciente, mas todo o sistema de saúde, já que desafoga a superlotação das instalações médicas.
Ressaltamos que o uso de MIPs não dispensa os cuidados de um professional da saúde. Neste cenário, a atuação do farmacêutico no momento da dispensação é fundamental.
O suporte farmacológico e a avaliação deste profissional contribuem para o uso racional desses medicamentos e promovem a saúde desses pacientes. Ainda assim, caso persistam os sintomas, é necessário buscar por atendimento médico.
Guia • Diante da pandemia, os MIPs assumiram um papel ainda mais importante na vida dos brasileiros? Quais categorias ganharam mais destaque?
Silva • Especialmente no início da pandemia, o consumidor adotou um comportamento de estocagem de produtos, entre eles, alimentos, itens de higiene pessoal, limpeza e saúde.
Como resposta a esta tendência, a Johnson & Johnson Consumer Health adotou medidas de adaptação nas instalações fabris para garantir o suprimento de medicamentos e produtos essenciais.
Notamos também que a venda de MIPs dividiu-se entre pontos de venda (PDV) físico e e-commerces farmacêuticos. Esta tendência multicanal deve persistir até mesmo durante o pós-pandemia, já que a venda on-line permite aos consumidores pesquisar produtos, comparar preços e efetuar a compra de forma rápida e segura.
Guia • Na visão da Johnson & Johnson, como o brasileiro evoluiu na questão do autocuidado?
Silva • Sobretudo com a pandemia da Covid-19, o comportamento do consumidor brasileiro antecipou uma tendência que já começava a despontar – maior foco em limpeza e higiene pessoal.
Hoje, o cliente está cada vez mais empoderado e a ciência tem fator crucial na decisão de compra. Os ativos, ingredientes, origem e formulação dos produtos já são fonte de pesquisa (dos consumidores) e, para isso, é necessário que o PDV também trabalhe as mensagens de inovação nos produtos para amplificar as vendas.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e Onet em dezembro de 2020 revela que o consumidor avaliou ser mais importante a qualidade de desinfecção da loja ou shopping (44%) em vez de bons preços (34%) e custo-benefício (32%) para as compras de fim de ano. Este é um caso que demonstra como a busca pelo autocuidado foi ressignificada ao longo deste período.
Guia • Quais as principais mudanças de rota e desafios para a Johnson & Johnson diante da Covid-19?
Silva • A segurança se tornou um atributo buscado pelos consumidores que se preocupam com as incertezas da pandemia. No caso da J&J, trabalhamos continuamente para garantir o abastecimento do mercado com TYLENOL®, centrando esforços para que o consumidor seja suprido em suas necessidades.
Em linhas gerais de nosso negócio, em 2020, demos passos firmes em direção ao futuro que queremos construir. Mesmo em um ano tão desafiador, com criatividade e agilidade, fomos capazes de cuidar dos nossos colaboradores, das comunidades e dos consumidores e ainda obter ganhos de mercado em algumas categorias.
Guia • De que forma os negócios da empresa na área de MIPs foram impactados pela pandemia?
Silva • Foi um ano positivo em termos de resultados para a Johnson & Johnson Consumer Health Brasil. Como companhia, abrangendo as nossas categorias (exemplo: MIPs, xampu, enxaguantes bucais e cuidados faciais), fomos escolhidos 504 milhões de vezes pelos consumidores para fazer parte da rotina de cuidados e, dessa forma, levamos ciência e saúde para os lares brasileiros.
Obtivemos um crescimento de mais de 160% em nosso e-commerce em comparação a 2019 (sell out). A antecipação deste boom no e-commerce por conta da pandemia de Covid-19 fez o consumidor enxergar uma conveniência em realizar vários processos durante uma compra com muito mais agilidade na comparação de preços, busca por informações dos produtos e variedade de lojas.
Guia • Há lançamentos previstos entre 2021 e 2022?
Silva – Temos duas inovações com lançamentos previstos até primeiro trimestre de 2022. Ambas focadas nas necessidades dinâmicas do consumidor, sempre visando ter o endosso da classe médica e trazendo inovação disruptiva para os mercados em que estamos, por meio de nossas marcas estratégicas.
Guia • A pandemia acelerou a transformação digital, seja nas empresas ou entre os consumidores. Na área da saúde, de que forma a telemedicina e prescrição digital devem impactar todo o setor?
Silva • A transformação digital é uma realidade constante em nossa empresa e, a partir dela, temos a ambição de tornar a Johnson & Johnson Consumer Health Brasil uma organização com crescimento exponencial, baseada em uma mentalidade de execução precisa, suportando a missão de ser um motor de crescimento rentável para a América Latina e para o mundo.
Como uma empresa enraizada na ciência e inovação, acreditamos nos benefícios da tecnologia para saúde. A possibilidade de realizar atendimentos remotos pode trazer vantagens, como a agilização nas consultas.
Hoje, canais farma já disponibilizam a “telefarmácia”, com atendimento remoto para esclarecer dúvidas sobre medicamentos, além da integração cada vez maior entre profissionais da saúde. A tecnologia já permite também a emissão de prescrições virtuais que podem ser enviadas por meio da internet.
Todas essas mudanças na dinâmica de atendimento do consumidor devem beneficiar o setor como um todo, seja tanto pela otimização de tempo, quanto novas possibilidades de atendimento ao cliente.
Guia • Na sua visão, de que forma os MIPs poderiam ser mais bem explorados no PDV para garantir um melhor atendimento ao consumidor?
Silva • É essencial que os MIPs estejam divididos em subcategorias de acordo com a classe terapêutica para orientar os consumidores na jornada de compra. Essa separação pode agregar itens de categorias distintas, mas que contemplam benefícios semelhantes, como, por exemplo, “dor e febre”.
Vale explorar também pontos estratégicos da loja e não apenas pontos naturais. MIPs em geral são produtos que levam o consumidor a ir até o estabelecimento, portanto, é possível aplicar ações de cross-merchandising dentro do PDV para ampliar o tíquete médio.
Fonte: Guia da Farmácia
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