
Planejada ou não, a gravidez é um momento transformador na vida de toda mulher. Em uma situação de pandemia da Covid-19, o que era para ser um sonho, pode se transformar em dúvidas e medo.
Embora já se tenha conhecimento dos riscos de infecção viral durante a gravidez no desenvolvimento do feto, como no caso de Zika vírus, rubéola, entre outros; no que se refere à Covid-19, os efeitos teratogênicos, ou seja, tudo aquilo que for capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez, não foram observados até o momento. Assim, até agora, não existem referências quanto a transmissão vertical e dismorfismos fetais.
Quem afirma é a chefe do setor de Gravidez de Baixo Risco do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia (DOGI) da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) e presidente da Comissão Nacional Especializada de Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dra. Silvia R. Piza F. Jorge.
Contudo, segundo a especialista, deve-se considerar que a pandemia foi reconhecida em meados de março último e talvez seja ainda precoce a avaliação do seu efeito no desenvolvimento dos fetos.
Os ativos da beleza
Ácido fólico
Deve ser suplementado preferentemente três meses antes da concepção e mantido pelo menos até o primeiro trimestre, por ter papel importante na prevenção de malformações fetais, especialmente os Defeitos de Formação do Tubo Neural (DTNs), por sua ação na formação dos tecidos.
Cálcio
Participa de diversos processos metabólicos, além de atualmente ter seu papel reconhecido na prevenção da pré-eclâmpsia, doença que se encontra entre as três principais causas de morte materna no mundo.
Ferro
A suplementação na forma de sais de ferro é recomendada, especialmente a partir da 20ª semana de gravidez, por ser esse elemento fundamental na formação da hemoglobina e transporte de oxigênio. Mesmo quando a ingesta é adequada, existe desgaste dos estoques maternos em favorecimento das demandas fetais, o que muitas vezes acaba culminando na deficiência das reservas maternas com baixa da ferritina, ou anemia ferropriva, que é a doença carencial mais prevalente no mundo.
Ômega 3
Colabora para a formação do bebê durante a gravidez. É importante para o desenvolvimento cerebral e a visão do feto. Associado ao iodo, aumenta também a imunidade celular do corpo. A vitamina D, o ômega 3 e o iodo juntos aumentam o número de neurônios e comunicação nervosa para o feto, o que contribui para uma melhor resposta fetal diante de qualquer agressão.
Vitamina D
Em dose alta, é uma das mais indicadas para proteger a gestante e o bebê. Ela ajuda na absorção do cálcio pelo organismo, sendo fundamental no período de formação óssea. Também aumenta a imunidade seletiva e a proteção da bolsa, contribuindo para evitar o parto prematuro, além de melhorar o trabalho da insulina, o que reduz o risco de diabetes gestacional.
Fontes: ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista, Dr. Alberto d’Áuria; e chefe do setor de Gravidez de Baixo Risco do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia (DOGI) da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISMSP), e presidente da Comissão Nacional Especializada de Aleitamento Materno da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Dra. Silvia R. Piza F. Jorge
“Existem relatos que apontam para maior risco de prematuridade e prejuízo da vitalidade fetal, com diminuição do líquido amniótico. Desse modo, o controle de vitalidade fetal no acompanhamento dos fetos em gestantes que tiveram Covid-19 deve ser realizado com mais frequência”, comenta a médica.
Já em relação ao feto, não existem evidências de interferências no seu desenvolvimento durante a gestação ou mesmo após o nascimento. “Como a imunidade da grávida é mais baixa, é importante redobrar todos os cuidados. Lavar sempre as mãos, de preferência com água e sabão ao invés de gel, e manter distanciamento social, evitando aglomerações.
Usar medicamentos que auxiliam no aumento da imunidade também pode se tornar interessante neste momento, mas sempre com a recomendação do médico”, comenta o ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista, Dr. Alberto d’Áuria.
De acordo com ele, apesar de haver um número de mulheres adiando a maternidade neste momento, também há o outro lado da moeda. “O que percebemos nos consultórios é justamente o contrário: um aumento de mulheres que engravidaram de forma espontânea durante a pandemia. Esse crescimento pode estar relacionado há diversos fatores, como o convívio maior com o parceiro, o aumento das horas de sono, por não ter mais a necessidade de horas de deslocamento até o local de trabalho, bem como a diminuição da preocupação com a fertilidade”, diz.
Acompanhamento contínuo
Se o isolamento social hoje é uma necessidade, como as gestantes devem se comportar diante do acompanhamento pré-natal? Segundo a especialista da Febrasgo, normalmente, porém, com cuidados. Assim, procedimentos desnecessários e consultas excessivas devem ser evitados, sendo que muitas dúvidas podem ser resolvidas por comunicação e teleconsultas.
“Contudo, a gestante não deve sofrer em detrimento do atendimento pré-natal adequado e nem privação da realização de exames complementares necessários, respeitando-se todos os cuidados que devem ser observados durante esse atendimento: uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) recomendados, cuidados de higienização do ambiente de consulta e materiais utilizados para o atendimento, intervalo maior entre as consultas, evitando-se aglomerações na sala de espera, redução no número de acompanhantes durante o atendimento”, afirma a Dra. Silvia.
Também é preciso ressaltar que quando a mulher está gestante, aumentam-se as necessidades de consumo de alguns óleos minerais e nutrientes e, assim, deve-se ter uma atenção especial com a alimentação. “Muitas das vitaminas necessárias são encontradas nos próprios alimentos, porém em níveis insuficientes para o período da gestação. Por isso, é importante a suplementação”, diz o Dr. d’Áuria.
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