
Quando o outono e o inverno chegam, as doenças respiratórias, como asma, rinite e sinusite, se tornam protagonistas. O clima frio e seco, combinado com infecções virais e bacterianas, desencadeia crises e eleva a demanda por atendimento médico.
Essa atmosfera resulta em maior concentração de poluentes e alérgenos no ar, tornando as vias aéreas mais vulneráveis a infecções e crises alérgicas. “A aglomeração de pessoas em ambientes fechados também potencializa a disseminação de infecções respiratórias”, ressalta a alergista e imunologista do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), Profa. e Dra. Ivete Bedin Prado.
Fatores como mudanças bruscas de temperatura e roupas guardadas por muito tempo, que são retiradas do armário sem serem lavadas, podem agravar o problema. “O clima mais frio e seco também prejudica a lubrificação e a função de filtragem do nariz, contribuindo para o aumento das doenças respiratórias alérgicas”, acrescenta o otorrinolaringologista da Santa Casa de Mauá, em São Paulo (SP), Dr. Thiago Brunelli Resende da Silva.
Ademais, o ar frio e seco exige mais esforço do corpo para aquecer e umidificar o ar antes de chegar aos pulmões. “Isso torna mais fácil o desenvolvimento de alergias, já que a via respiratória está trabalhando intensamente para tratar o ar que está entrando”, explica a médica dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), Dra. Larissa Hermann.
Curva ascendente de casos
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 40% da população mundial é afetada por algum tipo de alergia. Durante o inverno, a busca por clínicas e hospitais por conta de gripes e resfriados pode aumentar de 30 a 40%. No entanto, isso não implica necessariamente em um aumento no número de casos de alergias respiratórias, como destaca o otorrinolaringologista pela Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia (SBO) e médico do Blanc Hospital, em São Paulo (SP), Dr. Victor Gebrim.
A Dra. Larissa concorda que é difícil determinar um número exato do aumento na incidência de alergias respiratórias ao comparar o inverno e o verão. Ela enfatiza que devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios com sintomas semelhantes aos quadros alérgicos, o diagnóstico preciso torna-se um desafio ainda maior.
No entanto, ela observa que há um padrão notável entre as estações: no verão, predominam os sintomas do trato gastrointestinal, como quadros de diarreia; enquanto no inverno, ocorrem mais casos de alergias, rinites, sinusites e infecções virais respiratórias. Essas informações são fundamentais para compreender melhor a relação entre as alergias respiratórias e as mudanças sazonais.
Grupos de risco
Em períodos de maior incidência de infecções respiratórias, crianças alérgicas sofrem ainda mais, tornando-se os chamados “bebês chiadores”. Essa condição leva mães preocupadas a lotar os prontos-socorros em busca de alívio para seus pequenos, conforme revela a médica do Hospital Sírio-Libanês.
No entanto, as crianças não são os únicos alvos. A especialista ressalta a importância de cuidarmos dos idosos, que enfrentam uma redução natural de suas defesas imunológicas devido à idade. “Eles também enfrentam desafios nutricionais, seja por dificuldades de acesso, problemas na mastigação, falta de orientação alimentar ou doenças subjacentes”, enfatiza.
Além disso, os fumantes também são vulneráveis, com defesas das vias aéreas significativamente reduzidas, tornando-se presas mais fáceis para vírus e bactérias, especialmente no inverno.
Por isso, pessoas com histórico de alergias devem redobrar os cuidados durante o inverno, já que estão mais suscetíveis a crises alérgicas e complicações respiratórias.
A pneumologista do Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) Especialidades Capão Redondo, gerido pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (Cejam), Dra. Thais Moreira de Figueiredo, destaca a importância de consultar um especialista para acompanhamento e orientações específicas, garantindo, assim, uma melhor qualidade de vida e minimizando os riscos associados às doenças respiratórias alérgicas.
Por um inverno sem riscos
Para garantir uma menor incidência de alergias respiratórias, adotar medidas preventivas e hábitos saudáveis é fundamental. Segundo o Dr. Gebrim, algumas práticas importantes incluem manter os ambientes limpos e arejados, evitar aglomerações em locais fechados e lavar roupas que ficaram guardadas por muito tempo.
Além disso, é essencial estar atento aos fatores que potencializam o desenvolvimento de alergias respiratórias no inverno, como maior aglomeração de pessoas, baixa ventilação dos ambientes e maior proliferação de fungos e ácaros.
O especialista do Blanc Hospital recomenda limpeza e renovação do ar do ambiente, cuidados com cortinas, bichinhos de pelúcia, cobertas, e lavagem nasal com solução fisiológica apropriada.
Ao identificar sintomas comuns de alergias respiratórias, como espirros, coceira nasal, coriza, lacrimejamento, coceira ocular, tosse seca e chiado no peito, é importante estar ciente de que infecções podem apresentar sintomas semelhantes, tornando o diagnóstico clínico desafiador, como alerta a Dra. Thais.
No que diz respeito ao tratamento das alergias respiratórias, a abordagem deve ser avaliada individualmente. A lavagem nasal com solução fisiológica é fundamental e, em casos selecionados, corticoides nasais, anti-histamínicos sistêmicos e antileucotrienos podem ser indicados, destaca o especialista em otorrinolaringologia pela SBO.
Com a adoção de medidas preventivas e o tratamento adequado, é possível enfrentar o inverno de forma mais saudável e com menor risco de complicações respiratórias alérgicas.
Fonte: Guia da Farmácia
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