
Os consultórios de ortopedia e medicina do esporte estão acostumados a ver a procura por horários na agenda aumentar durante os meses mais frios do ano. De acordo com o HCor, durante o inverno, as lesões nos músculos e articulações é mais frequente, pois muitas pessoas resolvem intensificar seus treinamentos para chegar ao verão com o corpo esbelto. Entretanto, a atividade física, aliada às súbitas mudanças de temperatura e à preparação inadequada pode causar dores, além de lesões.
“[As lesões ocorrem] porque, com a temperatura fria, a musculatura tende a ficar menos ativa e com diminuição relativa no transporte de oxigênio. Com isso, parte da energia será gasta para deixar os músculos mais aquecidos e com boa amplitude de movimentos. No Brasil, onde não temos temperaturas extremamente baixas, no geral, este efeito será menor e o risco não será tão grande”, explica o médico do esporte do Hospital Nove de Julho, Dr. Páblius Braga.
Ainda assim, o médico do esporte no Hospital Sírio-Libanês, Dr. Paulo Zogaib, afirma não haver evidências científicas de que o número de lesões aumente no inverno. Para ele, o que acontece é que, com a temperatura mais baixa, a musculatura fica mais contraída. Por isso, pode haver traumas maiores no momento da atividade física.
Segundo o HCor, as queixas de dores e lesões no joelho decorrentes da prática de exercícios físicos sem o aquecimento prévio pode chegar a 15 a 20 pacientes por semana no inverno. No verão, esse número é de seis pacientes por semana.
Além dos joelhos, os músculos mais afetados pela síndrome das baixas temperaturas são os posteriores da coxa e os da panturrilha. E a recuperação leva um tempo: é preciso se afastar da atividade física por mais de 15 dias.
“Desconforto por dor muscular no início da prática; distensão muscular caso haja uma sobrecarga de força e movimentos sem o devido aquecimento muscular; rupturas parciais da musculatura se sobrecarga sem os devidos exercícios de amplitude de movimentos; em casos extremos, ruptura muscular e próximo aos tendões; estiramentos musculares pela falta de exercícios de aquecimento prévio à prática do exercício”, exemplifica o Dr. Braga.
DICAS DO GUI: ENTENDA AS APRESENTAÇÕES DOS MEDICAMENTOS PARA LESÃO MUSCULAR
Pomadas, géis e sprays: possuem efeitos analgésico ou anti-inflamatório, apesar de serem relativamente passageiros. Devem ser usados com cautela, no máximo por três dias, para diminuir a dor de forma geral.
Emplastros: têm uma duração maior, pois ficam em contato com a pele durante mais tempo.
Cápsulas com analgésicos e anti-inflamatórios: deverão ser usadas em caso de limitação dolorosas.
Orientação médica: seja qual for a apresentação, é essencial que o paciente siga o tratamento proposto pelo médico. Se for orientado a ficar em repouso absoluto, o período precisa ser respeitado, assim como fazer exercícios leves, isométricos ou alongamento. É importante entender o que é permitido ou não durante o tempo de melhora.
Fontes: médico do esporte do Hospital Nove de Julho, Dr. Páblius Braga; e médico do esporte no Hospital Sírio Libanês, Dr. Paulo Zogaib
É PRECISO AQUECER ANTES DE FAZER EXERCÍCIOS?
Segundo o Dr. Zogaib, associar exercícios mais leves ao começar a atividade física ajuda a aumentar a irrigação para a musculatura. Também é possível fazer alongamentos, não com o objetivo de ganhar flexibilidade, mas para relaxar a musculatura – principalmente por estar mais enrijecida no inverno.
“A atividade leve antes da específica pode facilitar e deixar a musculatura de forma um pouco mais natural propícia ao exercício físico. Pois, ao estar no repouso absoluto e começar o exercício, estando mais frio e com menos circulação, pode facilitar a lesão”, diz ele.
O médico do Hospital 9 de Julho explica que o aquecimento é feito, normalmente, com exercícios de caminhada, corrida, pedaladas e exercícios de flexibilidade. As cargas serão menores que as habituais da prática de exercícios, mas terão o efeito de aquecer e colocar os músculos em ação gradativamente.
BOLSA DE ÁGUA QUENTE X BOLSA DE ÁGUA FRIA
A bolsa de água fria é indicada para lesões agudas, no intuito de diminuir áreas de inchaço e diminuição de amplitude de movimentos. Já as quentes estão relacionadas às lesões com caráter inflamatório. Desta forma, existirá diminuição nos inchaços inflamatórios e mais rápido será introduzido o tratamento de reabilitação.
O gelo, além de mexer na vascularização, tem um efeito analgésico, pois diminui um pouco a sensibilidade da inervação periférica. Com isso, relaxa a musculatura, pois a dor cria quase que um círculo vicioso de contração do músculo. Quando se aplica calor na região, aumenta-se a circulação para o local e a tendência é relaxar a musculatura também. Com o uso da bolsa fria, depois de alguns minutos, há o mesmo efeito do calor. Então, esse efeito analgésico acontece pela diminuição da sensibilidade, mas é pessoal.
Além disso, é preciso tomar cuidado com as bolsas frias, nas mãos e nos pés, para não diminuir a circulação e provocar uma lesão. Dependendo da região e do paciente, também é possível fazer a compressa fria e quente alternadas.
Fontes: médico do esporte do Hospital Nove de Julho, Dr. Páblius Braga; e médico do esporte no Hospital Sírio-Libanês, Dr. Paulo Zogaib
ROUPAS PODEM SER ALIADAS
Peças que aqueçam o corpo e que sejam de fácil evaporação do suor devem ser a preferência. Elas devem cobrir boa parte do corpo, evitando o contato com o frio intenso.
Ainda que as roupas usadas no inverno e no verão sejam as mesmas, comenta o Dr. Zogaib, nos meses mais frios, é recomendado usar casacos no inverno e retirá-los conforme o corpo se aquece.
“Pensando no Brasil, que não tem temperaturas tão baixas, não são necessários tanto cuidados. Mas quando a temperatura é muito baixa, como em algumas cidades do Sul, é preciso ter cuidados com as extremidades, como as mãos, os pés e o nariz. Para que essas extremidades não sofram com a ação do frio, é preciso o cuidado de fazer a sua proteção, como luvas e meias”, frisa.
IMPORTÂNCIA DO ALONGAMENTO
“Esses exercícios, também chamados de exercício de flexibilidade, permitem que o músculo tenha a sua ação facilitada, pois melhoram a amplitude de movimentos e permitem uma ativação muscular em melhores condições”, explica o Dr. Braga.
Como identificar os limites? É normal que o corpo dê menos sinais de cansado do que no verão?
Primeiramente, revela o Dr. Braga, os limites deter- minados pelo treinador e profissional de educação física devem ser respeitados tanto na frequência, duração e intensidade. Desta forma, haverá um número real de capacidade física da pessoa em treina- mento. O corpo dará sinais de cansaço e fadiga da mesma forma que em outras estações.
CUIDADOS COM A HIDRATAÇÃO ORAL
O Dr. Braga reforça que a hidratação oral é importante em qualquer período do ano, inclusive no inverno, pois as perdas de líquido existirão e precisam ser repostas.
“Quanto mais quente a temperatura externa e quanto maior a umidade relativa do ar, pior será a perda de calor. No inverno, isso não ocorre com tanta magnitude quanto no verão, mas ainda ocorre, pois continuamos produzindo calor”, pondera o Dr. Zogaib.
Fonte: Guia da Farmácia
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