
A saúde, além da genética, é potencializada pelo estilo de vida. E os homens têm por hábito terem menos cuidado com a saúde e realizarem menos consultas médicas do que as mulheres. Mas há uma explicação.
“A verdade é que o paciente masculino, no geral, tem hábitos de vida piores que os femininos. O tabagismo e o etilismo, por exemplo, são mais comuns entre eles. Além disso, há outras questões, como o atraso no diagnóstico de diversas doenças na população masculina em decorrência do menor interesse e preocupação por questões de saúde, inclusive devido ao preconceito com alguns exames, como os necessários ao diagnóstico do câncer de próstata”, afirma o oncologista e gerente de relacionamento médico da Libbs Farmacêutica, Dr. Paulo Roberto Paes e Silva Junior.
Símbolo de força e vitalidade, tão presentes no estereotipo masculino e na cultura pop, o homem enfrenta também a barreira da questão cultural. “Não há como negar que as mulheres são mais educadas a cuidar dos filhos, dos parentes e de si mesmas. Já os homens acreditam que se buscarem um acompanhamento preventivo, serão vistos como frágeis. Essa visão é muito equivocada e coloca a saúde em risco, deixando-os em posição de maior exposição aos problemas de saúde”, analisa o urologista do Fleury Medicina e Saúde, Dr. José Carlos Truzzi.
A mesma opinião é compartilhada pela reumatologista e diretora científica do Departamento de Reumatologia da Associação Paulista de Medicina, Dra. Ivone Minhoto Meinão.
“Acredito que essa despreocupação com a saúde se deva a um intenso comprometimento profissional que exige presença constante nos locais de trabalho, e por acreditarem de que tudo na saúde se resolve apenas com o tempo. No entanto, o atraso no diagnóstico e tratamento de doenças pode causar danos irrecuperáveis.”
Essa crença afeta, diretamente, a vida desses indivíduos em diversos aspectos. Uma consequência desse descuido é que, segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geográfica Estatística (IBGE), as mulheres vivem cerca de sete anos a mais que eles. Enquanto elas chegavam, em média, aos 80,6 anos, eles não passaram dos 73,7.
“Esses mesmos dados do IBGE dizem que caso o homem atinja 60 anos de idade, a sua chance de chegar aos 80 anos de idade é de 522 em mil, enquanto a cada mil mulheres que atingem os 60 anos de idade, 659 alcançarão os 80 anos de idade. Isso mostra que o público feminino tem uma preocupação com a saúde maior do que o masculino”, reforça o coordenador da equipe de Urologia do Hospital São Camilo Oncologia, Dr. Alvaro Alexandre Dias Bosco.
Prevenção é o caminho
Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo revela que mais da metade dos pacientes do sexo masculino adiaram a ida ao médico e já chegaram com doenças em estágio avançado.
E esse problema de saúde pública não acorre só no Brasil. É mundial. Tanto que foi instituído, em 1999, o Dia Internacional do Homem, celebrado anualmente em 19 de novembro, para conscientizar a população e chamar a atenção para a questão. A data, criada pelo professor de História na Universidade das Índias Ocidentais, Dr. Jerome Teelucksingh, conta inclusive com a chancela e apoio da Organização das Nações Unidas (ONU).
Dessa forma, campanhas de saúde masculina são fundamentais para toda população, já que a família passa a ser o grande trunfo para a longevidade masculina. É o que mostra o mesmo estudo do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo. O levantamento revela que 70% das pessoas do sexo masculino que procuram um consultório médico têm a influência da mulher ou de filhos.
Esse incentivo de dentro de casa faz com que a identificação precoce de doenças aumente as chances de um tratamento eficaz. Por isso, alguns exames devem fazer parte da rotina dos homens.
“Toda doença ou condição clínica tendem a se complicarem e se agravarem quando diagnosticadas mais tardiamente ou quando são negligenciadas em sua importância e necessidade de tratamento”, ressalta o urologista da Rede Hora Certa Campo Limpo e M’Boi Mirim I e II, administrados pelo Centro de Estudos e Pesquisas (Cejam) “Dr. João Amorim”, Dr. Cesar Bortoluzzo.
É preciso estar atento ao corpo e aos sinais que ele envia. O cuidado deve ser diário. Mudanças de hábitos alimentares, com menos alimentos gordurosos e ultraprocessados são fundamentais. Evitar comportamentos de risco é a chave para uma vida mais longa e saudável. “Na maioria das vezes, a ocorrência das doenças é reduzida por um melhor estilo de vida”, destaca o médico da Libbs Farmacêutica.
Exames essenciais
O oncologista da Libbs Farmacêutica diz que o ideal é que os homens sejam avaliados por um médico pelo menos anualmente, para que possam ser solicitados os exames laboratoriais de rotina e as demais análises necessárias para investigação de sintomas e outras alterações clínicas.
Os exames dependem da faixa-etária. Avaliações cardiovasculares e de funcionamento renal podem ser iniciadas após os 30 anos de idade. Exames para o trato intestinal, após os 40 anos de idade e avaliação de próstata, após os 45 anos de idade – dependendo de determinadas características.
“Os jovens também devem realizar acompanhamento médico, pois podem ser acometidos pela varicocele, que são varizes na região genital e que podem levar à infertilidade. Alguns tipos de tumor, como o de testículos, também são preocupantes – homens com idades entre 25 e 30 anos são os mais acometidos por essa enfermidade. Além das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), que podem causar sequelas irreversíveis.
Logo, é importante que todos busquem consultas periódicas, pensando não apenas na doença, mas também na preservação da saúde”, ensina o médico do Fleury.
Fonte: Guia da Farmácia
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