
A palavra atleta tem origem do grego e significa uma pessoa que pratica esportes ou que tem capacidade física, como força, resistência ou agilidade, acima da média. O termo carrega um significado tão forte que, na antiguidade, atleta era aquele que combatia nos jogos solenes da Grécia e Roma.
Mas, atualmente, não importa se o praticante é de alta performance ou não, a sua idade, seu sexo ou se é portador de deficiência física. Todos podem ser atletas e a verdade é que eles estão em alta. Tanto que há até um dia no calendário para serem homenageados: o dia 21 de dezembro, o Dia do Atleta, data que celebra o esforço das pessoas que se dedicam ao esporte, seja por hobby ou para manter uma boa qualidade de vida.
Todo este círculo virtuoso, em busca da saúde e beleza, que expande ainda mais no verão, especialmente agora, com a volta de mais pessoas para as atividades físicas, tem movimentado o mercado de produtos e, claro, de suplementos alimentares.
Setor em crescimento
A procura por suplementos e vitaminas se intensificou. O tamanho desse mercado é estimado em R$ 3,5 bilhões, sendo esse segmento o grande impulsionador do crescimento do canal farmacêutico, com crescimento de 47,8% em faturamento, de acordo com os últimos dados da IQVIA.
A Covid-19 despertou um alerta vermelho à saúde, fazendo com que o esporte e imunidade ganhassem destaque. O resultado foi um aumento de 48% no consumo de suplementos alimentares.
De acordo com a pesquisa Comportamento dos consumidores de suplementos alimentares, da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), os cuidados adotados com a saúde foram motivados 91% pela preocupação da imunidade e na busca de suplementos que possam auxiliar no metabolismo e na regeneração celular.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial no mercado de suplementos alimentares. Atrás apenas do Estados Unidos (EUA) e Austrália (AU), segundo uma pesquisa encomendada pela Saudifitness. É um mercado competitivo, com muitas marcas, altos investimentos em mídia, consumidores diversificados e tem a farmácia entre os principais canal de vendas, contribuindo para impulsionar o setor.
Papel dos suplementos alimentares
Os suplementos alimentares fornecem uma complementação para a carência de nutrientes que o corpo necessita. Inclusive, são bem versáteis e estão disponíveis em preparações líquidas, em pó, em creme e cápsulas. Eles são recomendados para idosos, gestantes, praticantes de atividades físicas ou pessoas com algum tipo de carência nutricional, explica a nutricionista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Tatiana Bononi.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os suplementos alimentares não são medicamentos e, por isso, não servem para tratar, prevenir ou curar doenças. Essa categoria, portanto, tem a finalidade de fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos para o complemento da alimentação.
“Apesar de não serem categorizados como medicamentos, devem ser indicados por um profissional, visto que possuem especificidades e indicações, por isso, dependem de uma avaliação de um médico ou nutricionista”, alerta a nutricionista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Camila Carvalho.
“É necessário a realização de exames para identificar a necessidade nutricional e receber as orientações adequadas de dose e quantidade, dependendo do objetivo que se quer alcançar. O consumo inadequado de suplementos, sem a orientação de um profissional capacitado, pode gerar uma sobrecarga em órgãos de base, como fígado e rins”, adverte Tatiana.
A cardiologista infantil e médica do exercício e esporte do Hospital Edmundo Vasconcelos, Dra. Silvana Vertematti, lembra que independentemente do objetivo do uso destes produtos, é necessária atenção à regulamentação, aos limites mínimos e máximos de cada um, a qual população é indicada e se há comprovação científica e de eficácia. “A partir destes fatores, podemos evitar os danos à saúde”, esclarece.
Ativos mais conhecidos
Whey Protein: é indicado, principalmente, para pessoas que praticam esporte, cuja necessidade é suplementar proteína na alimentação. “Paralelo às atividades físicas de resistência, o suplemento promove a síntese de proteínas musculares e aumenta a massa muscular magra”, explica Tatiana.
Glutamina: é recomendada para pessoas que passam por situações de estresse intenso ou esgotamento do sistema imunológico. “A l-glutamina ou glutamine, como também é conhecida, é produzida pelo organismo, porém nas situações citadas anteriormente, pode ocorrer um déficit no organismo e a suplementação ser recomendada”, afirma Tatiana.
Creatinina: é indicada quando o objetivo é o ganho de força em exercícios de alta intensidade e curta duração. “Quando tomada antes do treino, favorece a hipertrofia muscular, e nos pós-treino, favorece na recuperação do glicogênio muscular. É interessante para quem treina mais de uma vez ao dia”, exemplifica a nutricionista do São Camilo.
BCAA: é muito utilizado principalmente por praticantes de musculação, ou aqueles que treinam de forma ativa, cujo objetivo é o aumento da massa muscular. “Pode ser consumido antes do treino, para ganho de energia, como pós-treino, para evitar a fadiga muscular”, ensina Tatiana.
Maltodextrina: é sugerida para melhorar o desempenho nos treinos, pois permite que o atleta faça mais atividade física e não fique tão cansado. “Isso porque tem uma lenta absorção após a ingestão, fornecendo energia aos poucos para o organismo. Também pode ser recomendada para aqueles que têm dificuldade de engordar (adultos ou crianças abaixo do peso ideal)”, ressalta a especialista do São Camilo.
Carnitina: é muito procurada por atletas ou esportistas que praticam exercício de força e que querem preservar a massa muscular e eliminar a massa gordurosa. “Ela facilita a oxidação de gorduras estocadas no organismo transformando-as em energia e acelerando o processo de perda de peso. Também age como um potente antioxidante, melhorando a recuperação muscular após exercícios de força e exaustão”, explica a nutricionista da UBS Paranapanema, gerenciada pelo Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” (CEJAM), Alice Coca Mendes.
Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock