Cannabis medicinal tem eficiência no tratamento de dor crônica

Especialistas em dor dizem que o alívio da dor crônica é a condição mais comum relatada pelos pacientes que fazem uso da cannabis medicinal

cannabis dor crônica Apesar do Brasil ter votado contra, no dia 02 de dezembro de 2020, depois de 60 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou a maconha da lista de drogas mais perigosas, reconhecendo, assim, seus efeitos terapêuticos e trazendo novas possibilidades de pesquisas nessa área.

Segundo estudo realizado pela The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids, nos Estados Unidos, o alívio da dor crônica é a condição mais comum relatada pelos pacientes que fazem uso da cannabis medicinal.

Isso se dá todavia, pela existência do sistema endocanabinoide presente em todo o organismo que inclui receptores para substâncias da maconha.

“É o único sistema do organismo que tem receptores em todos os órgãos e nos tecidos. Ele só entra em funcionamento em situações de alerta para recuperar o equilíbrio do organismo”, diz a médica que desenvolve a medicina canabinóide com foco na dor crônica, Maria Teresa Jacob.

Dentre os fitocanabinoides mais conhecidos e pesquisados, estão o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBD (canabidiol), mas existem mais de 400 substâncias ativas em sua composição.

“Como são receptores que temos no corpo inteiro, a cannabis não vai atuar somente na dor”, reforça a Dra. Beatriz Jacob Milani.

Dessa maneira, as especialistas citam as patologias que respondem bem ao tratamento.

Epilepsia, doenças neurodegenerativas, transtornos de saúde mental, transtorno do espectro autista, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável.

E também náuseas e vômitos secundários à quimioterapia, anorexia e caquexia, são alguns exemplos.

Além disso, todos os tipos de dor crônica (incluindo enxaqueca e fibromialgia), doenças reumáticas, doenças autoimunes, diabetes tipo 1, síndrome de Raynaud, distúrbios de pele, osteoporose, distúrbios ginecológicos (endometriose, adenomiose e cólica menstrual), dor oncológica e pacientes sob cuidados paliativos.

O que pode mudar

“Em oncologia, a cannabis pode ser utilizada tanto para melhorar os sintomas da quimioterapia como para aumentar a eficácia da mesma, uma vez que apresenta efeito antitumoral. Nessas doenças já existem pesquisas. A alteração de classificação pela ONU, facilita, então, o surgimento de mais estudos científicos em humanos”, destaca Maria Teresa.

Vantagens da cannabis

Por ser uma planta, a cannabis oferece menos efeitos adversos em relação à alopatia convencional.

Outra vantagem, certamente, é a possibilidade da sua utilização concomitante com outros medicamentos para tratamento de dor crônica, aumentando a eficácia.

E também, em alguns casos, diminuindo as doses destes, a partir da melhora do quadro com consequente melhora da qualidade de vida do paciente.

Entretanto, é fundamental que o médico conheça a interação medicamentosa da cannabis com outros remédios, pois ela pode, portanto, potencializar ou inibir a ação deles quando em associação.

“De certa forma, não existe nenhuma contraindicação formal ao uso da cannabis, principalmente do CBD com outros medicamentos. Portanto, ela é uma substância extremamente segura e não existe nenhum relato de óbito pelo uso de cannabis medicinal”, argumenta Jacob.

Quanto ao THC, a médica conta que existem algumas contraindicações, que têm sido estudadas recentemente.

Burocracia

Hoje, o paciente precisa passar por uma consulta, em que será avaliada a indicação ou não do uso da cannabis. Com a prescrição em mãos, basta acessar o site da Anvisa para solicitar a importação de produtos à base da planta.

“É um processo burocrático, mas que se tornou muito mais ágil, principalmente depois da Covid-19. Entre 7 a 10 dias, no máximo, esses processos já estão sendo liberados. Esses medicamentos têm aprovação no país de origem com todo estudo cromatográfico e análise do produto, para que o médico possa, então, saber aquilo que ele realmente está prescrevendo, quais as substâncias da cannabis presentes e em quais concentrações. Desta forma temos uma prescrição bem mais segura”, explica.

No entanto, vale ressaltar que a cannabis medicinal tem dosagens específicas dos fitocanabinóides, de acordo com a necessidade, os antecedentes e o perfil de cada paciente.

“A cannabis medicinal possui dosagens de THC dentro de limites seguros, sem efeito psicoativo”, esclarece.

As opções disponíveis no Brasil são:

Via oral, em cápsula ou óleo em tintura, mas também já se encontra sob a forma tópica.

“No entanto, não existem relatos de caso de vício com o uso de cannabis medicinal”, finaliza Maria Teresa.

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Fonte: Bem – Medicina Canábica e Bem Estar

Foto: Shutterstock

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