
Ela é, sem dúvida, uma das estações climáticas mais bonitas do ano. A primavera traz todo o colorido e a beleza das flores, algo que enche os olhos, mas também pode ser um gatilho para alguns problemas respiratórios.
A primavera tem as manhãs muito secas, o que piora os sintomas de alergias respiratórias. Além disso, nesse período, a concentração do pólen no ar aumenta em até dez vezes. “No Sul, onde a polinização é mais intensa, isso é mais evidente e até 22% das crianças e 25% dos adultos são sensíveis”, comenta a alergista do Hospital Edmundo Vasconcellos, Dra. Marisa Ribeiro, alertando que o excesso de umidade também predispõe o crescimento de fungos e ácaros.
O pólen pode causar diversos impactos e efeitos no sistema respiratório. Quando inalado, pode provocar reações alérgicas, como espirros, coceira, coriza e dificuldade respiratória. “Em pessoas sensíveis, é capaz de desencadear crises de asma ou piorar os sintomas já existentes. Para algumas pessoas, a exposição ao pólen pode causar sinusite, uma inflamação dos seios da face”, afirma o otorrinolaringologista do Hospital Santa Paula, Dr. Rafael Raposo.
O pólen é um alérgeno carregado pelo vento e grande causador de alergias. “Além disso, animais polinizadores, como as abelhas, encontram-se em maior atividade nesse período, e a ferroada deles pode também causar alergias”, esclarece a alergista e imunologista, membro do Departamento Científico de Rinite da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Gabriella Melo Fontes Silva Dias.
Problemas recorrentes
Como já foi dito, o pólen é o grande vilão da primavera para aqueles que sofrem com alergias respiratórias e, nesse cenário, a rinite alérgica é a mais prevalente, segundo o Dr. Raposo. “O aumento no número de casos durante a estação pode ser significativo devido à maior quantidade de pólen no ar e à maior exposição das pessoas a ele”, comenta.
Outras alergias respiratórias comuns à época são a rinoconjuntivite e a asma. “Mas vemos também aumento de casos de alergia a ferroadas de insetos, como das formigas, além das já citadas abelhas, atraídas pela maior concentração de plantas, e até dermatites”, destaca a Dra. Gabriella.
Como não dá para fugir dos efeitos da primavera, o ideal é cercar-se de cuidados para tentar prevenir as crises. A especialista da ASBAI diz que o primeiro passo é não suspender o tratamento das alergias e fazer um acompanhamento médico regular. Além disso, para os pacientes que moram em regiões com marcante polinização, é preciso limitar o tempo dos passeios ao ar livre, em especial pela manhã, quando há maior concentração do pólen.
“Outros cuidados passam por não ter flores dentro de casa e fazer a limpeza constante do ambiente. Ao chegar da rua, tomar banho e lavar os cabelos para retirar algum pólen que possa ter ficado em contato”, recomenda a alergista e imunologista, membro do Departamento Científico de Rinite da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra Gabriella Melo Fontes Silva Dias.
Outras dicas são usar máscaras em ambientes externos e passar produtos ao redor do nariz, como vaselina, para tentar evitar a entrada do pólen. Além disso, a Dra. Marisa orienta o paciente a manter as janelas fechadas de manhã nos dias secos e com muito vento. “Pode-se também usar soro fisiológico no nariz para remover partículas que ficam retidas e usar colírios lubrificantes nos olhos”, diz.
Foto: Shutterstock
Fonte: Guia da Farmacia