
Entra ano, sai ano e o cenário se repete. A queda das temperaturas, somada ao clima mais úmido e seco é a combinação perfeita para que doenças e problemas respiratórios ganhem força e comprometam a saúde e o bem-estar de uma boa parcela de adultos, crianças e idosos.
E isso acontece porque, durante as estações mais frias do ano, existe uma maior propagação de partículas virais e bactérias com consequente transmissão elevada de doenças do trato respiratório.
“Isto ocorre em especial pelo maior agrupamento de pessoas em ambientes fechados. Redução da umidade do ar abaixo de 30%, característica da época do inverno, aliada a condições de menor dispersão atmosférica de gases e de materiais particulados, concorrem para uma maior irritabilidade das vias aéreas, predispondo a quadros infecciosos”, esclarece a alergista e imunologista da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), Dra. Maria Cândida Rizzo. Ela reforça que, no Brasil, o padrão de sazonalidade varia entre as regiões, sendo mais marcado naquelas com estações climáticas mais bem definidas, como no Sul, Sudeste e Centro Oeste.
A influenza (gripe) é o exemplo típico da maior transmissibilidade nos meses de inverno. “Além do vírus influenza, todos os outros vírus de transmissão respiratórias incluem-se neste contexto, como os rinovírus, adenovírus, Coronavírus, bocavírus e outros”, completa a especialista da ASBAI.
Prevenção a quadros recorrentes
As doenças mais recorrentes nesta época do ano são: gripe; resfriado; sinusite; pneumonias; rinites; além da exacerbação de doenças crônicas, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), asma, e complicações como otite, essa mais comum na faixa etária pediátrica, conforme conta a infectologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dra. Claudia Maekawa Maruyama.
Ela afirma que para prevenir muitas dessas doenças, é preciso evitar ambientes fechados e abafados. “Também como forma de prevenção, é preciso evitar contato com pessoas sintomáticas, realizar a higienização constante das mãos com água e sabão ou álcool 70%, manter a etiqueta da tosse, usar máscara se estiver sintomático, manter a vacinação em dia (como da influenza, por exemplo), além de garantir alimentação e hidratação adequadas”, diz.
A maior forma de prevenção contra doenças respiratórias infecciosas é estar com a carteira vacinal atualizada. “Há vírus para os quais não existe vacinação e devemos nos prevenir das infecções, tentando evitar ambientes mal ventilados e com muitas pessoas. Outra recomendação importante é o controle de doenças crônicas, respiratórias ou não. Como exemplo, a asma e a rinite, que tendem a apresentar maior agravo nas épocas frias do ano e se não estiverem sob controle, os vírus e bactérias certamente causarão um maior processo inflamatório, levando muitas vezes a quadros respiratórios graves”, conta a Dra. Maria Cândida, alertando que outras doenças crônicas, como a hipertensão arterial e o diabetes, também devem estar controladas para evitar o agravamento dos processos infecciosos respiratórios.
“Durante a epidemia no novo Coronavírus, este fato foi evidenciado e muitas mortes ocorreram nos pacientes com comorbidades, em especial os não controlados”, completa.
Imunidade comprometida
Idosos, crianças e imunossuprimidos são grupos de pessoas que estão na lista dos mais suscetíveis às doenças respiratórias. De acordo com a infectologista e coordenadora do setor de Infectologia Clínica e Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Albert Sabin, Dra. Dania Abdel Rahman, isso acontece porque, habitualmente, a imunidade dessas pessoas é deficiente.
“Idosos e crianças não produzem anticorpos como os adultos jovens e podem apresentar também algum grau de deficiência na chamada imunidade celular. O mesmo ocorre com outros indivíduos imunossuprimidos, como pacientes oncológicos, diabéticos, portadores de Aids e usuários de medicações imunossupressoras. Falhas na imunidade estão diretamente relacionadas a maior risco de aquisição de doenças infecciosas”, explica.
Segundo a Dra. Maria Cândida, esse quadro de imunidade mais frágil tem se aplicado a maiorias dos agentes infecciosos virais e bacterianos, com exceção do novo Coronavírus, em que se observou um menor número de agravos em crianças saudáveis.
“Muito provavelmente a explicação advém do tipo de resposta imunológica exigida que, no caso, se trata de resposta predominantemente inata, que é bem desenvolvida na criança. Quanto aos imunodeficientes (primários ou secundários a tratamento), trata-se de um grupo extremamente vulnerável a complicações clínicas quando infectados, por falta de defesas imunológica”, comenta.
Longe do fim
Apesar da queda no número de casos de formas graves da Covid-19, os médicos alertam para o fato de que a pandemia não terminou e que a vacinação continua sendo uma das armas poderosas na luta contra a doença.
“Os casos de Covid-19 e suas formas graves estão diminuindo mundialmente, com medidas não farmacológicas, como o uso da máscara, higienização das mãos, etiqueta da tosse e evitar aglomeração e, principalmente, após o início da vacinação. Para que esse cenário permaneça, o esquema vacinal atualizado é fundamental. A Covid-19 é uma síndrome respiratória e, portanto, tende a ter um aumento no inverno”, alerta a Dra. Claudia.
Para a Dra. Dania, não é possível afirmar que o mundo está perto do fim da pandemia. “Podemos, sim, dizer que o agente causador da doença (o vírus Sars-Cov2) se mantém circulando nas populações do mundo todo.
Provavelmente, consideraremos essa doença como endêmica, ou seja, conviveremos com casos por muitos e muitos anos. Por essa razão, é fundamental que a população se imunize e tome todas as doses das vacinas que são disponibilizadas”, alerta.
Alerta para os antibióticos
Os antibióticos são medicamentos que atuam impedindo o desenvolvimento ou matando bactérias patogênicas. Dessa forma, ocorre a resolução do processo infeccioso. É o que explica a otorrinolaringologista do Hospital Moriah, Dra. Roberta Noer.
Segundo ela, é preciso muito cuidado ao fazer uso dessa medicação. Os antibióticos são medicamentos muito importantes para tratar as infeções bacterianas, porém o uso indiscriminado e incorreto promove a resistência bacteriana, ou seja, a bactéria pode se tornar resistente a este medicamento. Usar o antibiótico sem a indicação médica adequada, por conta própria, usando durante um tempo e ou em dosagem diferente da prescrita, são fatores causais da resistência bacteriana”, explica.
Vale ressaltar que não há atuação de antibióticos sobre vírus e não há indicação de seu uso em infecções, como resfriados e gripes. “Os antibióticos atuam nas bactérias, impedindo sua sobrevivência e proliferação no ambiente”, completa a Dra. Maria Cândida.
Ela diz que, entre os antibióticos, os mais prescritos para enfermidades respiratórias usuais são os do grupo das penicilinas, que são dirigidos para os agentes bacterianos mais comuns das vias aéreas.
O antibiótico deve ser prescrito, após avaliação individual, considerando características, como: grau de imunossupressão; doença crônica de base; interação medicamentosa; internação hospitalar recente; e uso recente de antimicrobiano. “Sendo os mais prescritos: penicilinas, macrolídeos e fluorquinolonas”, reforça a Dra. Claudia.
Fonte: Guia da Farmácia
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