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Doenças cardiovasculares: Coração em risco

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É comum a associar doença cardiovascular diretamente com uma forte dor no peito. De fato, este é um sintoma recorrente, mas não é o único. Aliás, não é todo paciente que tem esse sinal de alerta, conforme explica o cardiologista do Instituto Reaction, Dr. Ricardo Contesini Francisco.

“Entre os homens, de fato, a dor no peito durante o infarto é comum. Contudo, entre as mulheres, os sintomas podem ser um pouco diferentes. São muitas as que relatam dor na boca do estômago. De qualquer forma, além desses sinais, outros que não podem ser ignorados em ambos os sexos, são dor na região do pescoço e no braço esquerdo, dor nas costas. Além disso, sudorese fria associada a dor, além de náusea e vômito”, enumera o especialista.

A principal causa do infarto é obstrutiva, chamada de aterosclerose. De modo geral, ele se dá quando existe um acúmulo de gordura nas artérias, que leva a um bloqueio fluxo sanguíneo para o coração.

O infarto atinge nove homens a cada mulher, mas depois da menopausa, esse quadro passa para a proporção dois para um. E boa parte dessa realidade se dá pela queda dos níveis de estrógeno nesse período, que tem função vasodilatadora e evita o acúmulo do colesterol ruim (LDL) e facilita o colesterol bom (HDL).

De qualquer forma, independentemente do sexo, segundo o Dr. Francisco, são grupos de risco pessoas com colesterol alto, tabagistas, pacientes com diabetes, hipertensão, obesidade e sedentarismo, além de histórico familiar.

“O infarto está bastante relacionado ao estilo de vida para o acúmulo das placas de gordura na coronária”, sinaliza o médico.

Prevenção e adesão ao tratamento

O primeiro passo para prevenção é, segundo recomenda o cardiologista do Instituto Reaction, tratar, via medicamentos e orientação médica, as doenças que podem deixar o corpo mais suscetível ao infarto, como diabetes e colesterol, por exemplo. O outro passo é estar de olho na dieta diária. “Uma boa alimentação, aliada com atividades físicas regulares, reduzem os riscos da doença. Por fim, controlar os fatores de risco via orientação médica.”

O Dr. Francisco alerta que pacientes que já passaram pelo infarto, também precisam passar por um rigoroso tratamento contínuo. “Pacientes que já tiveram infarto têm muito mais risco de ter outro infarto do que aqueles que nunca tiveram. Então, esse grupo terá de tomar alguns medicamentos pelo resto da vida. O tratamento é fundamental, então, para não piorar o quadro de infarto que já existiu como evitar outros eventos”, pontua.

Entretanto, apesar dessa importância, nem sempre a adesão ao tratamento se dá da forma esperada. “O que costumamos ver nos consultórios é que no pós-infarto os pacientes são mais regrados às consultas e orientações médicas. Depois de um tempo, acabam abandonando, como tabagistas que voltam a fumar. A adesão completa é de menos de 50%”, adverte.

O médico do Instituto Reaction lembra que a adesão ao tratamento de pacientes que passaram por infarto também é prejudicada quando os mesmos são polimedicados e usam, simultaneamente, medicamentos para diabetes, hipertensão e outros males.

“Um paciente que passa por infarto toma sete medicamentos ao dia no mínimo. Quando há diabetes, a lista pode ser ainda maior. Então esse é um problema sério na adesão, porque acabam se esquecendo; acabam parando de usar, porque acham que já melhoraram; ou por questões financeiras, que prejudicam a compra dos medicamentos”, comenta.

Nesse sentido, algumas indústrias têm associado alguns componentes que, antes, seriam usados de forma individual. Um exemplo é o clopidogrel e o Ácido Acetilsalicílico (AAS). “Os médicos avaliam essa composição de forma muito positiva e é uma tendência na indústria a tentativa de reduzir o número de comprimidos. Esse tipo de ação aumenta muito adesão ao tratamento”, finaliza o Dr. Francisco.

Associação entre clopidogrel e AAS

Pacientes com doença cardiovascular estabelecida apresentam maior risco de desenvolver um novo evento cardiovascular, como Infarto do Miocárdio (IM), Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou morte de causa cardiovascular.

Até mesmo pacientes sem doença cardiovascular conhecida podem ter alto risco para desenvolver esse tipo de complicações, como os com síndrome metabólica, múltiplos fatores de risco, diabetes ou insuficiência renal.

Para tais pacientes, as chamadas “mudanças de estilo de vida”, como aumento de atividade física, mudanças na dieta, perda de peso e interrupção do tabagismo, são comprovadamente benéficas. No entanto, o tratamento farmacológico com antiagregantes como AAS protege grande parcela de pacientes.

A adição de clopidogrel a AAS reduz eventos isquêmicos, medidos de maneira variada, em pacientes de risco.
A combinação de medicamentos é muito útil em várias situações clínicas. Na hipertensão arterial, por exemplo, as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) explicitam claramente que a combinação de fármacos é a estratégia terapêutica preferencial para a maioria dos hipertensos, independentemente do estágio da doença e do risco cardiovascular associado.

Ainda quanto à combinação de medicamentos, é importante destacar que o uso combinado de medicações em uma única apresentação pode ser útil, dado que pacientes com doença cardiovascular apresentam múltiplas comorbidades, levando à necessidade do uso de várias medicações, muitas delas em combinação. A polifarmácia é muito comum, principalmente em idosos, com impacto relevante no tratamento8. O uso de combinações fixas é uma estratégia frequentemente utilizada que pode levar à melhora da adesão ao tratamento em pacientes com doenças crônicas transmissíveis ou não.


Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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