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Circulação: Saúde em movimento

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O avanço da tecnologia foi, década a década, diminuindo a necessidade do ser humano em se movimentar. Os automóveis substituíram as caminhadas, os alimentos ultraprocessados eliminaram a função de colher e caçar e a automatização dos eletrônicos tornou as tarefas domésticas cada vez mais simples.

Esta realidade não é nova, mas ganhou novos contornos com a pandemia e as restrições de circulação. O trabalho tornou-se home office, as idas ao supermercado deram mais espaço aos pedidos de delivery, o tempo de lazer ficou restrito ao sofá de casa.

Um cotidiano já pouco movimentado ficou ainda mais propício ao sedentarismo. Mas a inércia não é natural para o corpo humano e pode ter consequências perigosas para a saúde.

“Quando ficamos parados muito tempo, seja sentado ou de pé, há uma dificuldade do retorno do sangue venoso (dentro das veias) e da linfa. Como o sangue e a linfa são líquidos, não sobem de volta ao coração espontaneamente. Precisam da ajuda da musculatura da panturrilha, nosso coração periférico, para que ocorra um retorno eficiente”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Dr. Bruno Naves.

A ausência desse estímulo necessário à circulação venosa leva ao aparecimento de um quadro bastante frequente nos tempos atuais: o edema nos membros inferiores.

“O inchaço nas pernas é o principal sintoma que nós observamos. Junto com ele, vêm as queixas de cansaço, peso e formigamentos nos membros inferiores”, descreve o chefe de equipe vascular no Hospital Santa Paula, Dr. Flávio Duarte.

Dicas práticas para prevenir pernas cansadas

Quais os tipos de calçados mais indicados?

Tanto saltos muito altos como calçados rasteiros são ruins. O ideal são sapatos com salto entre dois a quatro centímetros, podendo chegar a no máximo sete centímetros.

“Os sapatos devem ser confortáveis, evitando machucar, principalmente, se a pessoa tiver diabetes ou falta de circulação. Nestes casos, uma pequena ferida pode desencadear um grande problema”, indica o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Dr. Bruno Naves.

Qual a importância da atividade física para evitar pernas cansadas?

Essa prática melhora a circulação arterial, leva mais sangue e nutrientes aos tecidos, além de evitar o acúmulo de gordura dentro dos vasos arteriais e a falta de circulação.

“Apesar de vários tratamentos auxiliarem no controle de sintomas, a atividade física regular, principalmente aquela em que temos um fortalecimento e alongamento dos músculos da perna, evita o aparecimento do refluxo sanguíneo nas veias, prevenindo o aparecimento de inúmeras patologias vasculares, como varizes e trombose”, reforça o chefe de equipe vascular no Hospital Santa Paula, Dr. Flávio Duarte.

Colocar as pernas para cima ajuda?

Ajuda muito no retorno venoso, já que líquidos vão naturalmente do lugar mais alto para o mais baixo. “Usar a lei da gravidade algumas vezes ao dia melhora o retorno venoso, linfático, a hidratação da pele e dos tecidos”, afirma o Dr. Naves.

Como o cigarro e as bebidas alcoólicas podem prejudicar?

O tabaco promove a obstrução dos vasos arteriais levando à falta de circulação, podendo causar trombose arterial, com perda do membro (amputação).

“É um processo lento e progressivo e só não acontece muito porque o fumante morre antes de derrame, infarto ou câncer”, relata o Dr. Naves. Bebidas alcoólicas em excesso podem desidratar e o sangue pode ficar mais denso. Por isso, algumas pessoas incham muito por causa desse hábito.

O calor deixa o corpo mais suscetível ao cansaço nas pernas?

O calor leva a uma vasodilatação das veias, aumentando a formação de edema. “É comum os pacientes referirem maior peso e edema no verão, ainda mais quando associado a um maior período parada com os membros para baixo, como tem sido comum nesta pandemia”, diz o Dr. Duarte.

Como o controle do peso pode ajudar?

O excesso de peso dificulta muito o retorno venoso. Além disso, pessoas muito obesas tendem a ser sedentárias e a falta de movimento piora a circulação.

“É um círculo vicioso do mal. É muito importante que pessoas com excesso de peso sejam ativas. Porém, é melhor uma pessoa com excesso de peso ativa do que um magro sedentário”, pondera o Dr. Naves.

Os riscos à saúde trazidos pelo sedentarismo podem ser ainda mais graves para pessoas portadoras de varizes, fumantes e obesas que fazem uso de pílula anticoncepcional.

“Existe a possibilidade de acontecer uma trombose venosa. Além disso, como o sangue é quente, se fica muito tempo parado nas pernas, a pele fica seca pelo calor irradiado e a pessoa pode coçar e abrir uma ferida, que pode demorar muito tempo para cicatrizar e, eventualmente, pode se contaminar e levar a um quadro de erisipela (infecção cutânea)”, alerta o Dr. Naves.

Também é importante destacar que a falta de mobilidade pode levar a outros problemas além da má circulação sanguínea, como dores ortopédicas pela má postura – comum entre pessoas sem ambiente adequado para trabalhar em regime home office – e até mesmo problemas emocionais, como a ansiedade e depressão.


Como identificar e tratar?

O inchaço nas pernas é o sintoma mais comum de um problema de circulação sanguínea. No entanto, há outros sinais que devem ser observados, segundo o clínico geral, especialista em Homeopatia e Acupuntura pela Associação Médica Brasileira, Dr. Roberto Debski.

Entre eles, “dor e inflamação local no caso de varizes e trombose venosa profunda dos membros inferiores; falta de ar e dor torácica nas embolias pulmonares; dor torácica e palpitação nas doenças cardiovasculares; cefaleia e alterações visuais e motoras nos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs).”

Pacientes que notem qualquer um desses sintomas deve buscar orientação de um profissional de saúde, que poderá fazer o diagnóstico e encaminhar quando necessário a um especialista cardiologista, neurologista ou cirurgião vascular para seguimento especializado.

Em geral, os tratamentos para má circulação envolvem medicações, comprimidos e cremes que auxiliam no retorno venoso (hemorreológicos). “No entanto, a melhor maneira de prevenir estes sintomas é a prática de uma atividade física regular. Apesar de estarmos em uma pandemia que limita muito nossas opções, ainda há várias atividades que podemos realizar mesmo dentro de casa, ou em um local seguro, como alongamentos, caminhadas e alguns exercícios usando apetrechos do dia a dia”, orienta o Dr. Duarte.

Não fumar e ter um controle do peso também são atitudes importantes, assim como a adoção de alguns hábitos diários simples, conforme indica o Dr. Naves. “A indicação é a de fortalecer a musculatura da panturrilha com exercícios resistidos, e pelos menos três vezes ao dia, colocar os pés acima do coração.”

Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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