
Falar sobre desidratação e não destacar a importância da água no corpo humano é praticamente impossível. A água constitui grande parte da massa corporal dos seres humanos. Sabe-se, inclusive, que 80% do peso de um recém-nascido e 50-60% do peso dos adultos é constituído por água.
Ela exerce muitas funções essenciais, como circulação sanguínea; transporte de nutrientes; solvente; meio para reações químicas; amortecedora de impacto, como líquido aminiótico e articulações; lubrificante, como na saliva e líquido sinovial; para controle da temperatura, que ocorre com o suor, entre outras, conforme enumera a médica membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e professora doutora das disciplinas de Nutrologia e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, Profa. Dra. Paula Schmidt Azevedo Gaiolla.
Portanto, quando há falta desse líquido no organismo, a desidratação se institui, ocorrendo uma redução do volume de líquido corporal. “Ela pode acontecer quando o indivíduo não ingere a quantidade adequada de água ou ainda quando a pessoa perde líquidos em larga escala. São exemplos: sangramento, diarreia, sudorese excessiva”, comenta.
Além disso, exposição a altas temperaturas, consumo excessivo de álcool, atividades físicas, febre são outras condições que têm em comum o fato de aumentar a eliminação de líquidos e eletrólitos, não só agravando uma situação de desidratação, mas também podendo ser a causa inicial do quadro.
Raio X da desidratação
SINTOMAS
A sede é o primeiro sintoma e também um mecanismo de proteção contra este problema. Quando existe a perda de 1-2% de água corporal, já se desencadeia esse sintoma. Outros sinais de alerta são:
• Diminuição da atenção;
• Alterações de humor;
• Hipotensão postural;
• Taquicardia;
• Alteração do nível de consciência;
• Redução da diurese;
• Tontura;
• Síncope.
PREVENÇÃO
• Beber pelo menos dois litros de líquidos por dia.
• Usar roupas leves e evitar a exposição direta ao sol nos dias muito quentes.
• Evitar o consumo de álcool, especialmente quando o clima está quente, uma vez que o álcool aumenta a perda de líquido pela urina.
• Controlar o diabetes.
• Aumentar a ingesta de alimentos com alto teor de água, como frutas e verduras.
TIPOS DE DESIDRATAÇÃO
• Isotônica: acomete principalmente as crianças e caracteriza-se por uma perda proporcional de água e sódio por meio de vômitos e diarreias.
• Hipertônica: ocorre quando a proporção da água perdida é maior que a de sódio. Acomete pacientes com diabetes e representa entre 10% a 20% de todos os casos pediátricos de desidratação com diarreia. Além disso, febres prolongadas, sudorese intensa, baixa administração de água, hiperglicemia, dietas sem reposição correta e diarreias intensas costumam ser a origem.
• Hipotônica: é incomum em adultos e idosos, mas representa de 10% a 15% dos casos pediátricos de desidratação com diarreia. Ocorre por perda maior de sódio do que de água. As alterações gastrointestinais ou renais, má nutrição e uso de diuréticos sem reposição adequada de sais são alguns dos fatores que podem desencadeá-la.
TRATAMENTO
• Nos casos de desidratação leve, beber muita água filtrada ou fervida em goles pequenos e intervalos curtos pode ser o suficiente para reidratar o organismo.
• É importante também manter a pessoa em ambiente com temperatura amena para evitar a perda de água pelo suor.
• Nos casos mais sintomáticos, pode-se fazer uso do soro de reidratação oral que é encontrado em postos de saúde ou nas farmácias.
• Ingerir bebidas isotônicas.
• Chupar picolés feitos de sucos de frutas e usar bebidas isotônicas.
• Nos casos de desidratação decorrente de febre, os medicamentos antitérmicos como dipirona, paracetamol e ibuprofeno podem ajudar a controlar a temperatura.
• Em situações de desidratação severa, que ocorre mais em crianças ou idosos, ou pacientes muitos sintomáticos e que não conseguem se hidratar pela via oral em casa, a hospitalização pode ser exigida.
Fontes: médica membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) e professora doutora das disciplinas de Nutrologia e de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP, Profa. Dra. Paula Schmidt Azevedo Gaiolla; e cardiologista do Hospital Moriah, Dr. José Rogério da Silva
“A desidratação é uma doença potencialmente grave a ponto de impedir que o organismo realize as funções normais”, alerta a endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Regional São Paulo (SBEM-SP), Dra. Viviane Molinos.
Em um quadro de desidratação, o corpo também está em déficit de eletrólitos, numa quantidade abaixo do que o necessário para que o funcionamento do mesmo ocorra normalmente. “É mais comum e tende a ser mais grave em idosos e crianças”, comenta a nefrologista do Hospital 9 de Julho, Dra. Maria Julia Nepomuceno Araújo.
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