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Doenças gástricas: Um sistema, múltiplas funções

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Composto pelos órgãos do trato digestivo, como boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e reto, e por órgãos associados, como as glândulas salivares, fígado e pâncreas, o sistema digestivo é formado entre a quarta e vigésima semana de gestação e é composto por um tubo muscular de 10 a 12 metros que se inicia na boca e termina no ânus.

Cada um desses órgãos é responsável por uma etapa da digestão, absorção e excreção dos alimentos. “Os órgãos associados produzem substâncias que auxiliam na digestão, como as enzimas e a bile. O trato digestivo é ainda povoado por trilhões de bactérias que nos ajudam na digestão e absorção de alguns tipos de vitaminas e alimentos”, explica o cirurgião do aparelho digestivo do Hospital Moriah, Dr. Amir Charrouf.

Ele ressalta que o bom funcionamento do sistema digestivo está intimamente ligado à saúde do corpo. A correta absorção de vitaminas e nutrientes é o que mantém as pessoas saudáveis, regulando todos os outros sistemas do organismo, gerando energia para os órgãos e renovando as células.

“Em resumo, o bom funcionamento do sistema digestivo está intimamente ligado à manutenção das funções que nos mantêm vivos, como respirar, locomover, pensar e nos protege das agressões internas e externas”, conclui o Dr. Charrouf.

Caminho percorrido

O processo de digestão inicia-se na boca, onde o alimento sofrerá a ação dos dentes. “Após essa etapa, o alimento se tornará menor, garantindo uma melhor ação das enzimas, possibilitando a deglutição e digestão com maior eficiência”, explica a médica hepatologista da equipe de transplante do Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Departamento Científico de Gastroenterologia da Associação Paulista de Medicina (APM), Dra. Patrícia Holanda Almeida.

MIPs usados para desconfortos gastrointestinais

Azia e má digestão

São muitas as opções simples que podem aliviar a azia, passando desde um chá (camomila, alecrim, chá verde, hortelã, boldo, entre outros) até os pós efervescentes (normalmente associações contendo bicarbonato de sódio, carbonato de sódio e ácido cítrico, ou outros sais).

Outros medicamentos também podem ajudar, como aqueles contendo hidróxido de magnésio, hidróxido de alumínio e salicilato de bismuto.

Como a acidez é uma produção excessiva de ácido clorídrico pelo estômago, alguns fármacos agem por neutralizar este excesso.

Os antiácidos são bases fracas e sua maioria possui um dos seguintes componentes que normalmente estão associados: sais de magnésio, sais de alumínio, bicarbonato de sódio ou carbonato de cálcio.

Prisão de ventre

A ingestão de farelo de trigo, ameixas pretas, mel e chá de bardana poderão ajudar no alívio aos sintomas. Além disso, existem muitos laxantes à base de drogas de origem vegetal, como sene, Plantago ovata, tamarindo, alcaçuz, Cassia fistula, Coriandrum sativum, etc.

Entre os medicamentos, estão o bisacodil, óleo mineral, associação de macrogol + bicarbonato de sódio + cloreto de sódio + cloreto de potássio, lactulose, sorbitol + lauril sulfato de sódio, entre outros.

Medicamentos fitoterápicos também têm efeito nos casos de prisão de ventre. Entre eles, a Cáscara sagrada (Rhamnus purshiana DC.) e Sene (Senna alexandrina Mill.), indicados para o tratamento de constipação intestinal ocasional.

Flatulência

Medicamentos para flatulência são aqueles que contenham na composição, principalmente: dimeticona e cimeticona. Eles atuam diminuindo a tensão superficial dos líquidos digestivos, levando ao rompimento das bolhas, à dificuldade de formação destas bolhas, ou à formação de bolhas maiores que serão facilmente expelidas. Estas bolhas são responsáveis pela dor e distensão abdominal que incomodam muito.

Fitoterápicos também podem ser usados, a exemplo de medicamentos contendo alcachofra, indicada para facilitar a digestão e aliviar o desconforto abdominal e/ou para gases e náuseas resultantes da deficiência na produção e eliminação da bile. A Tintura de Funcho também poderá ser utilizada, pois é indicada no tratamento gastrointestinal, aliviando sintomas de cólica, gases e má digestão.

Refluxo gastroesofágico

Para estes casos, podem-se utilizar medicamentos contendo alginato de sódio. Eles atuam por ação mecânica, sem absorção pelo organismo, com pH aproximadamente neutro. Agem por meio da flutuação sobre o conteúdo estomacal, impedindo o refluxo e proporcionando alívio aos sintomas de azia, regurgitação ácida e queimação.

Entre os fitoterápicos, destaca-se a Espinheira-Santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek), que atua como reguladora das funções estomacais e promove a proteção da mucosa gástrica.

Fonte: farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Dra. Maria Aparecida Nicoletti

Além da atuação dos dentes, o alimento na boca sofre a ação da saliva, onde inicia-se a digestão dos carboidratos. “A língua também é importante nessa etapa, garantindo que o alimento se misture à saliva e forme o chamado bolo alimentar, empurrando-o em direção à faringe”, comenta.

Na faringe, o processo digestório continua. Esse órgão é comum ao sistema digestório e respiratório, sendo que o bolo alimentar segue da faringe para o esôfago onde atinge o estômago graças às contrações do músculo liso que forma o órgão. “Essas contrações são chamadas de contrações peristálticas”, diz a Dra. Patrícia.

Uma vez no estômago, o bolo alimentar sofre a ação do suco gástrico, que é a ele misturado graças à atividade muscular do órgão. Depois desse processo, o intestino delgado entra em ação. O órgão apresenta cerca de 6 m de comprimento e possui três segmentos: o duodeno, o jejuno e o íleo.

“Nessa porção do sistema digestório, a digestão é finalizada e há absorção de nutrientes”, acrescenta a hepatologista da equipe de transplante do Hospital Israelita Albert Einstein.

Saúde digestiva

A alimentação de cada indivíduo pode influenciar em doenças, como refluxo esofágico, obesidade, diabetes, infarto e até mesmo câncer. “A falta de ingesta de vitaminas pode levar a alterações neurológicas, anemias e à queda de imunidade. Alterações intestinais podem dificultar a absorção de alimentos, levando a desnutrições graves. Até mesmo a população de bactérias que vivem em nossos intestinos pode influenciar em doenças”, diz o Dr. Charrouf.

A causa mais comum desses problemas é a má alimentação, com uma dieta rica em alimentos ultraprocessados e pobre em vitaminas e nutrientes. “Outras causas são doenças que afetam a capacidade de absorção desses nutrientes, como doença celíaca ou Crohn, ou doenças ligadas aos órgãos auxiliares, como pancreatites e cirrose”, comenta o especialista do Hospital Moriah.

DICAs DO GUI: Entenda os probióticos

DEFINIÇÃO:

São microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, fazem bem para a saúde. Eles são bem diferentes uns dos outros e o efeito pode variar bastante de uma cepa para outra.

FUNÇÕES:

• Atuam no intestino de várias maneiras e podem ter uma ação protetora. São as chamadas bactérias do bem, que podem deslocar bactérias ruins, produzindo substâncias como as colicinas, que matam as ruins, reestabelecendo o equilíbrio da microbiota.
• Agem restaurando o equilíbrio da nossa microbiota (flora) intestinal, tão importante para auxiliar na digestão e absorção de nutrientes e produção de substâncias neurotransmissoras que atuam em diversos locais do nosso organismo.

INDICAÇÕES:

Têm sido extremamente amplas e não se limitam a problemas do sistema digestivo, mas as indicações mais bem estudadas e compreendidas são nos casos de diarreia. Entre as mais comuns, estão as bactérias dos gêneros Lactobacilos e Bifidubacterium.

Fontes: gastroenterologista do Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dr. Ricardo Barbuti; e médico gastroenterologista do Hospital e Maternidade Brasil, da Rede D’Or São Luiz, Dr. Fábio Luiz Maximiano

Dependendo do órgão acometido, os sintomas podem ser diversos. “Em geral, são dores abdominais, diarreia, constipação, anemia, alteração na coagulação sanguínea e até mesmo desnutrição. Entre as causas, ainda destacamos infecções por bactérias, vírus ou protozoários, lesões decorrentes de substâncias, como Anti-Inflamatórios Não Esteroidais (AINEs), doenças autoimunes e cânceres”, afirma o médico gastroenterologista do Hospital e Maternidade Brasil, da Rede D’Or São Luiz, Dr. Fábio Luiz Maximiano.

Para cuidar da saúde do sistema digestivo, ou digestório, e consequentemente do organismo como um todo, os médicos recomendam controle na qualidade e no preparo de alimentos ingeridos, evitar uso abusivo do álcool, evitar uso de medicamentos sem prescrição médica, controle de peso e prática de atividade física, além de acompanhamento médico periódico.


Fonte: Guia da Farmácia
Foto: Shutterstock

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