Perigos do sedentarismo

No Brasil, doenças associadas à falta de exercícios causam a morte de cerca de 300 mil pessoas todos os ano

Sedentarismo nada mais é do que a falta, ausência ou diminuição de atividades físicas, o que faz com que uma pessoa tenha um gasto calórico reduzido.

Pessoas com esse hábito são conhecidas como sedentárias ou com hábitos sedentários. “Objetivamente, considera-se sedentário o indivíduo que gasta menos de 2.200 calorias por semana. O sedentarismo é mais perigoso para a saúde do que a obesidade,” revela o diretor, professor de educação física e personal trainer da Prime For Fit, Robson Machado.

De acordo com um estudo publicado pela revista científica do Reino Unido, The Lancet, o sedentarismo custa anualmente à economia global US$ 67,5 bilhões, valor superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de diversos países. No Brasil, doenças associadas à falta de exercícios físicos causam a morte de cerca de 300 mil pessoas todos os anos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), somente 30% da população brasileira pratica algum tipo de atividade física.

Para o treinador ADFPRO de Treinamento Integrado e Kettlebell Training pela escola Arte da Força, membro dos treinadores adidas e proprietário da Supera-te

Seus adeptos

Segundo a pesquisa Diagnóstico Nacional do Esporte, realizada pelo Ministério do Esporte em 2013, o sedentarismo atinge 45,9% dos brasileiros, ou seja, 67 milhões de pessoas não praticam atividades físicas ou esportes. Entre as mulheres, o problema é maior com índice que chega a 50,4%, enquanto que entre os homens, o percentual cai para 41,2%. 

Centro de Treinamento Físico Integrado, Luciano Santana Kersting, a vida moderna, inclusive na fase escolar, trouxe a praticidade e ao mesmo tempo o conforto e, por consequência, a falta de movimento em geral para tudo. “O ser humano passa a maior parte do tempo sentado ou sem gerar trabalho para o corpo”, comenta.

Elevadores, escadas rolantes, controle remoto, automóveis, máquinas de lavar roupas e louças, aspiradores de pó, aumento do tempo gasto em atividades que consomem pouca energia física, como em computadores e celulares”, explica a especialista em endocrinologia e metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e endocrinologista do Hospital Santa Cruz, Dra. Lilian Kanda. 

“A pesquisa revela que 25,6% dos entrevistados praticam esportes e 28,5%, atividades físicas. Na população de 15 e 16 anos, o sedentarismo chega a 32,7%, contra 40,7% na faixa etária de 25 a 34 anos e 64,4% entre 54 e 74 anos. Entre as pessoas que participaram da pesquisa, 69,8% abandonaram a prática de esportes ou atividades físicas por falta de tempo para conciliar com o trabalho e os estudos”, comenta Machado. 

Para Kersting, o modelo escolar enraíza o sedentarismo a partir do momento em que coloca as crianças desde o ensino infantil sentadas e enfileiradas, restringindo suas expressões físicas e cognitivas, por meio de métodos arcaicos e tradicionais de ensino. “Isso as torna adultos inseguros, com deficiência na coordenação motora e com dificuldades psicofísicas para praticar qualquer tipo de exercício.” 

A educadora física especialista no Método M.A.C.S. (Movimentum Aequilibratum Corpore Sanum) e no movimento humano e cadeias musculares, Carolina Adriano de Oliveira, diz que, dentro da sua rotina de trabalho, observa que os jovens que não tiveram contato com atividades físicas na escola acabam adquirindo comportamentos sedentários.

Doenças inevitáveis

O sedentarismo pode ocasionar, em curto prazo, desânimo, desmotivação, preguiça, má alimentação, sobrepeso, dificuldades para dormir, além de desconforto a dores no corpo e sistema imunológico fraco. Mas os problemas não param por aí.

“Em médio prazo, traz dessocialização, depressão, obesidade, início de doenças coronarianas, dependência de medicamentos, lesões ortopédicas agudas a crônicas e, em longo prazo, ocasiona depressão profunda, lesões crônicas a traumas por queda em virtude da fragilidade e fraqueza dos tecidos corporais, doenças coronarianas graves e crônicas e até mesmo a morte. O corpo não foi feito para ficar parado. Todo seu funcionamento depende de um ciclo, que chamo basicamente de Movimento Bioenergético, que consiste na capacidade de renovação, a cada dia de atividades psicofísicas e noites de sono bem dormidas, do seu sistema imunológico”, conta Kersting.

Segundo a Dra. Lilian, o sedentarismo pode estar ligado a ganho de peso, e a obesidade está associada a inúmeras doenças, como diabetes, hipertensão arterial e cardiopatia. “A inatividade causa progressiva fraqueza e atrofia muscular e enfraquecimento ósseo, com maior chance de quedas e fraturas. Esses fatores, ligados a uma vida estressante em que o indivíduo não toma atitudes em prol da saúde, fazem com que as doenças crônicas apareçam paulatinamente.”

Além dos problemas citados, uma pessoa sedentária também corre o risco de desenvolver problemas respiratórios, problemas na coluna, entre outros. “O aparecimento do câncer também pode ser consequência, já que em pessoas obesas há excesso de radicais livres no corpo”, complementa Machado.

Carolina explica que o corpo humano é uma máquina feita para “se movimentar”. “Quando isso não acontece, todo um sistema é desequilibrado, sobrecarregando mais algumas funções do que outras, tanto na parte metabólica quando estrutural. O corpo tende a aumentar a gordura corporal, facilitando a hipertensão, as doenças vasculares e metabólicas. Além disso, nossos ossos também precisam de manutenção e segurança. Sem atividade física, não conseguimos manter músculos e articulações fortes o suficiente para sustentá-los, causando osteoporoses, dores articulares e maior probabilidade de fratura durante uma queda, por exemplo.”

Dicas para sair do sedentarismo

É imprescindível que a população conheça algumas alternativas para ter uma vida mais saudável e é função da farmácia orientar seus clientes. Acompanhe as dicas a seguir:

Antes de realizar qualquer tipo de atividade física, é imprescindível que se faça uma avaliação cardiológica.

Os exercícios devem ser graduais e progressivos à medida que se ganha condicionamento físico. É importante respeitar as limitações e o condicionamento físico.

A atividade física não deve ser feita em jejum e a hidratação é fundamental antes, durante e após os treinos.

A atividade deve dar prazer e deixar o indivíduo à vontade.

É importante praticar atividades físicas pelo menos três vezes por semana, por no mínimo 30 minutos.

Andar, correr, pedalar, nadar, fazer ginástica, exercícios com pesos ou jogar bola são excelentes opções.

A atividade física deve ser incorporada no dia a dia, mesmo que por alguns minutos, como ir caminhando para o trabalho ou caminhar no horário do almoço, passear com o animal de estimação, subir escadas ao invés de utilizar elevadores ou escadas rolantes.

A atividade física deve ser introduzida na rotina de forma gradativa, para prevenir possíveis lesões que possam surgir no período de adaptação.

Vitaminas, polivitamínicos e suplementos

A alimentação adequada, rica em verduras, legumes e frutas e pobre em gorduras e alimentos industrializados melhora a disposição. Quando inadequada, em que falte o aporte de vitaminas, pode se fazer necessária a sua administração externa.

Segundo a Dra. Lilian, a vitamina B1 (tiamina) atua na metabolização dos carboidratos para fornecer energia; a vitamina B3 (niacina) também age, fornecendo energia, impedindo a fraqueza muscular, além de proteger o trato gastrointestinal; a riboflavina é importante para a velocidade dos movimentos e para a visão; a vitamina B5 ou ácido pantotênico participa do metabolismo de proteínas, lipídios e carboidratos e do metabolismo do colesterol, e as deficiências de ácido pantotênico estão relacionadas, principalmente, a danos neuromusculares, envolvendo câimbras, dores, cólicas frequentes, fraqueza e outros; a vitamina B6 é importante para a quebra e produção de aminoácidos para produção de fibras musculares; e a vitamina B12 é importante para a memória, concentração e constituição das hemácias (glóbulos vermelhos do sangue).

“Alguns alimentos contêm as vitaminas e podem ser fontes de energia, como açaí; gengibre; cacau; castanhas; aveia; chá verde; e frutas, como banana, maçã e mamão. Além dos alimentos que fornecem energia, o uso de suplementação alimentar para praticantes de atividade física só se faz necessário para atletas de alto índice de treinamento, como praticantes de atividade física de cinco a seis vezes por semana com duração de duas a três horas por sessão. Para esses indivíduos, suplementos de carboidratos à base de maltodextrina são os mais indicados. Para aqueles com o nível elevado de atividade física, a suplementação de proteínas à base de whey protein após o treino também pode ser indicada”, explica a Dra. Lilian.

As vitaminas e os sais minerais são mais bem absorvidos quando a flora intestinal está normal, o que é propiciado pelos dois probióticos contidos no produto. Uma vez adequadamente supridos e absorvidos, os sais minerais e as vitaminas auxiliam no perfeito funcionamento de todo o organismo, incluindo o sistema imunológico.

“Com a melhor absorção dos nutrientes obtidos pela alimentação, o que é proporcionado pelos dois probióticos, e pela administração das 13 vitaminas e dos dez sais minerais, o nível de energia do organismo se eleva e o cansaço tende a desaparecer. Nesse momento, o indivíduo está favoravelmente predisposto a exercer atividades físicas, combatendo assim o sedentarismo”, revela o consultor médico da Herbarium, Dr. Cezar Jones.

Indicadas para elevar a disposição, as cápsulas de guaraná da Herbarium também são aliadas contra o sedentarismo, já que o guaraná (Paulinia cupana) é tradicionalmente usado para combater o cansaço e a sensação de fraqueza.

“A administração de guaraná em cápsulas tende a elevar o nível de energia no corpo, o que contribui para o aumento da prática de atividade física, combatendo o sedentarismo. A dose diária indicada é de seis cápsulas e deve ser evitado o consumo do produto à noite, uma vez que pode interferir negativamente no sono fisiológico”, diz o Dr. Jones.

Autor: Renata Martorelli

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Campanha Preventiva

Edição 288 - 2016-11-01 Campanha Preventiva

Essa matéria faz parte da Edição 288 da Revista Guia da Farmácia.

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