Hidratação das vias respiratórias

Médicos recomendam o uso de fluidificadores nasais não apenas no inverno, quando aumentam os casos de alergias, mas durante todo o ano 

Lidar com o incômodo típico das estações frias, em que são mais recorrentes sintomas, como nariz entupido, coriza, espirros e coceira no nariz, já virou um hábito para o brasileiro. Muitos, inclusive, já possuem a tiracolo um soro para hidratar as narinas e diminuir os efeitos, na maioria das vezes, de fundo alérgico que a nova temperatura traz consigo.

Tal hábito é uma ótima oportunidade para o varejo farmacêutico que, nesta época do ano, reforça seus estoques com uma grande variedade de fluidificadores nasais e correlatos, pois a venda de tais produtos é garantida e certeza de bons negócios.

De acordo com informações da Libbs, a demanda se concentra no período de inverno, sendo maio, junho e julho os principais meses na maioria das regiões do Brasil.

A empresa, que possui a linha Salsep, enfatiza que trabalha com foco em prevenção de doenças respiratórias, com indicação para uso diário. Ainda assim, nesse contexto, é no inverno que a demanda é maior, sem a ocorrência de picos, como no caso de alguns concorrentes que concentram sua venda somente no inverno. 

Sazonalidade típica

O mercado de higienizadores nasais é altamente concentrado em três principais marcas, que correspondem, juntas, a aproximadamente 60% de market share, tanto em volume, quanto em valor. Porém, muitas marcas disputam mensalmente a conquista de seu espaço na gôndola, que é inelástica e com várias opções e formulações.

Sazonal, têm suas maiores vendas concentradas nos meses mais frios do ano para o tratamento dos sintomas causados pelas doenças mais comuns do inverno, o que não impede que sejam utilizados facilmente durante todo ano, devido à poluição nos grandes centros urbanos e exposição constante a condicionadores de ar que ressecam o ar.

Como explica a diretora de marketing e trade marketing da Natulab, que produz o Nasojet, Ivana Marques, as diferentes formulações presentes no mercado da categoria de descongestionantes nasais podem gerar confusão no entendimento correto por parte do consumidor final.

“Faz-se necessário que o atendente da farmácia conheça profundamente todas as substâncias que possuem indicação semelhante entre si, avaliando os riscos e benefícios de cada produto e considerando aqueles itens que não são de venda livre e podem trazer riscos à população”, diz.

A maioria dos higienizadores são à base de cloreto de sódio, ou seja, trata-se de uma solução salina isotônica responsável por higienizar o nariz e agir na defesa dos sintomas causados pela rinite alérgica, mantendo a hidratação natural das vias respiratórias. Vale lembrar que o cloreto de sódio melhora os mecanismos de defesa do nariz, hidratando a mucosa e tornando mais fluida a secreção produzida em excesso em resposta aos agentes alérgicos. 

Em todas as estações

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade ideal do ar é de 60%, sendo que a Defesa Civil alerta que a umidade entre 15% e 20% não é recomendável para a saúde. Quando o índice cai para 12%, considera-se estado de emergência.

O nariz é o órgão responsável por umidificar o ar, ou seja, quando a umidade relativa do ar está baixa, ele é o mais afetado. Por isso é tão importante hidratar as mucosas nasais com soro fisiológico ou soluções em gel, com opções variadas disponíveis no mercado.

Com o intuito de conscientizar a população com relação à necessidade do uso contínuo de fluidificadores, a Libbs criou o selo do Ciclo da Saúde Nasal, uma proposta de hábito diário de cuidados com a higiene nasal, que previne as doenças respiratórias. Esse conceito é utilizado em todos os materiais de comunicação da empresa com o objetivo de conscientizar médicos e pacientes para esse novo conceito.

Para a gerente de marcas da Natulab, Sylvia Granziera, há uma preocupação contínua quanto à informação passada aos usuários de seus produtos. Ela conta que a empresa aposta em materiais promocionais distribuídos nas principais farmácias do Brasil antes dos picos das vendas.

“Já no primeiro semestre de 2017, essas peças de comunicação estavam disponíveis nos pontos de venda (PDVs), destacando não apenas a marca, como também modo de utilização e benefícios do uso contínuo do produto”, diz Sylvia.

 “Entre as dicas, estão a importância de uma lavagem abundante das cavidades nasais, deixando o produto escorrer livremente pelo nariz com auxílio de um lenço descartável e após o uso, de preferência, fazer uma higienização do bico aplicador entre cada uso”, complementa.

Na mesma linha, a gerente de Grupo de Produto Farma da FQM – Farmoquímica, Milene Sant’Anna, explica que a utilização diária de higienizadores nasais é, inclusive, uma orientação-padrão dos pediatras para os recém-nascidos. 

“O que deveria ser estendido para as demais faixas etárias e desta forma diminuir a incidência de doenças respiratórias”, ressalta. “É preciso desenvolver o hábito de se higienizar o nariz assim como escovamos os dentes, pois a narina é um filtro natural para impurezas e poluição”, conclui.

O otorrinolaringologista, Dr. Leonardo Nakao, ratifica a importância dos cuidados diários com as vias aéreas. “A obstrução nasal leva a uma piora na qualidade de vida e do sono, podendo ocasionar o ressecamento oral e até mesmo à diminuição do olfato”, explica. 

“Os fluidificantes nasais, cuja composição pode ser soro fisiológico 0,9% ou cloreto de sódio 0,9%, são uma boa opção para higiene nasal diária”, enfatiza e diz, ainda, que o recomendado é sempre procurar um profissional antes da utilização das soluções. 

“A lavagem nasal diária pode trazer muitos benefícios e não causa efeitos colaterais, e o hábito pode levar à melhora significativa da qualidade do sono, da respiração, da garganta seca, da tosse e na proteção contra doenças respiratórias”, conclui.

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Novidades à vista

Atualmente, no mercado de higienizadores nasais, destacam-se os produtos de jato contínuo, além das apresentações distintas com pressões específicas e adequadas para cada público.

Bicos anatômicos que se adaptam ao nariz de cada paciente, desde bebês até adultos, proporcionando maior conforto na aplicação e maior controle do volume e intensidade do jato, de acordo com o perfil do usuário também são critérios bastante valorizados.

A maioria das marcas disponíveis no mercado apresenta formulações diferenciadas para bebês, crianças, adultos e, algumas soluções mais fortes, comumente indicadas para o pós-operatório nasossinusal.

Há, ainda inovações visuais, em suas embalagens, com aplicadores aerossóis BOV (Bag On Valve), que facilitam a utilização dos produtos, pois sua aplicação pode ser feita de qualquer ângulo, benefício este muito utilizado para crianças e pessoas com dificuldade de mobilidade.

Ainda que os higienizadores nasais mantenham um fluxo contínuo de vendas, com picos nas estações mais frias, existe a preocupação de aumentar o consumo nas demais estações.

Para Milene, o principal desafio da categoria ainda é a conscientização dos benefícios do uso regular no dia a dia para a prevenção de doenças respiratórias. “Temos uma demanda contínua, mas o aumento se dá mesmo no período de outono-inverno, principalmente entre maio a agosto, já que há maior incidência de infecções e alergias respiratórias, em torno de 40% do consumo anual, segundo o IMS Health”, diz.

Já para Ivana, o fato de haver no mercado diferentes formulações de descongestionantes nasais requer uma orientação mais precisa, seja do médico que indicou o medicamento, como do farmacêutico, na hora da venda.

“Alguns produtos com a mesma finalidade, mas que contêm vasoconstrictores, como a nafazolina, em sua composição, possuem sérias contraindicações e restrições de uso, sobretudo, em crianças, e são produtos tarjados que, entre outras coisas, podem gerar alterações cardiovasculares”, exemplifica. 

A equipe de comunicação da Farmasa, fabricante do Rinosoro, destaca como maior desafio na categoria de fluidificante e descongestionante nasal manter todas as apresentações (gotas, spray, spray infantil, e spray 3%) ativas na lembrança do médico para gerar demanda, assim como que todas elas estejam bem expostas no PDV para que o consumidor encontre o produto mais adequado ao seu perfil. 

Como se trata de um item que fica exposto fora do balcão, na seção de Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), onde existem tipos diferentes de produtos, é importante que o varejo garanta variedade de apresentações, que atendam diferentes usuários e que agreguem relevância ao sortimento da loja.

De modo geral, a indústria deve realizar junto ao varejo um trabalho de esclarecimento sobre as diferentes apresentações que cada marca e produto possui. 

No PDV

• Como os produtos são classificados como Over The Counter (OTC), podem ser encontrados na prateleira da seção de soluções salinas, fora do balcão.

•  Os produtos devem ser expostos no autosserviço, junto de seus principais concorrentes, ao alcance dos olhos e das mãos dos clientes da farmácia.

• Seus preços devem estar destacados por apresentação de forma a não haver confusão por parte do cliente.

• A prateleira deve estar abastecida para que não haja ruptura no PDV, principalmente com a chegada do verão.

• A exposição deve facilitar com que o shopper encontre o produto que mais lhe interessa rapidamente, na altura de seus olhos.

• Apostar em materiais de comunicação tem papel importante nessa seção, já que se trata de uma categoria com mix de produtos amplos. 

esse 15Composição dos higienizadores


As composições, que têm como princípio básico cloreto de sódio, têm concentrações variadas, normalmente entre 0,9% e 3%. As recomendações são variadas, dependendo da necessidade do paciente, normalmente divididas em:

• Nariz entupido: descongestionantes nasais em gotas ou spray.

• Inibidor de corrimento nasal: anti-histamínicos.

• Liberação de secreções: fluidificadores ou expectorante.

Entre as apresentações mais comuns há:

• Conta-gotas: mais utilizados em bebês muito pequenos, os lactentes até dois anos.

• Jato contínuo: trata-se do método mais utilizado e moderno para higienização e hidratação nasal.

Autor: Tatiana Ferrador
 

Prateleiras infinitas

Edição 294 - 2017-05-01 Prateleiras infinitas

Essa matéria faz parte da Edição 294 da Revista Guia da Farmácia.

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