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Incontinência urinária: Esclareça mitos e verdades

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A incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina, é um problema que pode afetar, em cheio, a vida dos acometidos. Além de provocar uma mudança radical na rotina desses pacientes, leva ao distanciamento, a problemas de depressão, ao isolamento e à exclusão social1.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o problema atinge 35% das mulheres com mais de 40 anos de idade, após a menopausa e 40% das gestantes. No mundo, o problema afeta aproximadamente 5% das pessoas.

Contudo, apesar de ser relativamente frequente, muitas dúvidas e tabus permeiam o assunto. Diante desse desafio, a urologista membro da Disciplina de Urologia Feminina do Departamento de Disfunção Miccional da SBU, esclarece alguns mitos e verdades sobre o tema. Acompanhe!

A incontinência urinária é um problema exclusivo do do universo feminino?

Não, a incontinência urinária não é exclusiva do universo feminino. Sabemos que, por questões anatômicas e fisiológicas, essa é uma condição mais prevalente entre as mulheres, mas os homens também podem apresentar incontinência urinária, especialmente como resultados de cirurgias para tratamento de câncer de próstata.

O maior estudo epidemiológico que avaliou sintomas urinários na população brasileira, publicado em 2017, denominado Brazil LUTS, trouxe uma prevalência de incontinência urinária em cerca de 30% da população feminina estudada, sendo a ocorrência na população masculina aproximadamente 1/3 disso.

Ir muito ao banheiro é sinal de que se está com incontinência urinária?

O sinal característico da incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Esta é, na verdade, a definição dessa condição: qualquer perda involuntária de urina configura incontinência urinária. Um dos tipos de incontinência, a de urgência ou urgeincontinência que, na maioria das vezes, é resultado de uma condição chamada bexiga hiperativa, pode ser acompanhada do aumento da frequência miccional, ou seja, o paciente pode passar a se queixar de “ir muito ao banheiro”.

Escapes de urina são normais na terceira idade?

Nenhuma perda involuntária de urina é normal. Sabe-se que a incontinência urinária tem a sua prevalência aumentada com o avançar da idade, exatamente por alterações fisiológicas relacionadas ao processo de envelhecimento. Mas apesar de mais comum entre os idosos, o problema não é normal.

A incontinência urinária não tem cura?

Há tratamento, com boa taxa de sucesso. É importante salientar que existem mais de uma causa de incontinência urinária, cada uma delas com tratamentos específicos, geralmente com elevada taxa de sucesso.

Por isso, mesmo sabendo que se trata de uma condição constrangedora, o paciente deve procurar ajuda para resolução do seu problema.

A cirurgia é a única solução?

Não. Para exemplificar, os dois tipos mais frequentes de incontinência urinária são a incontinência urinária de esforço e a de urgência, decorrente da bexiga hiperativa. Ambas têm como primeira linha de tratamento medidas conservadoras de mudanças de hábitos e fisioterapia do assoalho pélvico. Para a incontinência urinária de esforço, a cirurgia é a segunda linha de tratamento, indicada no caso de a fisioterapia falhar. Para a incontinência urinária de urgência, em caso de falha da primeira linha de tratamento, indica-se tratamento medicamentoso, que pode curar uma boa parcela dos pacientes. Nesse tipo de caso, o tratamento cirúrgico é feito como terceira linha, ou seja, quando há falha com o uso das medicações.

A incontinência urinária sempre acontece na gravidez?

Não. A gravidez, assim como outras condições próprias da fisiologia feminina, facilita o aparecimento da incontinência urinária, aumentando sua prevalência. No entanto, nem toda mulher grávida apresenta este quadro. Por isso, é tão importante que as gestantes tenham consciência do seu assoalho pélvico e façam um treinamento de fortalecimento dessa musculatura, de preferência assistido por fisioterapeuta.

Alguns medicamentos podem levar à incontinência?

Alguns medicamentos podem piorar o quadro em alguns pacientes, interferindo em diversos mecanismos da micção, como: aumento da produção de urina (diuréticos), aumento da contração da musculatura da bexiga (cafeína), diminuição da resistência à saída de urina, além de medicamentos que causam associação de vários desses efeitos.

Pessoas com o problema devem tomar menos líquidos?

Não. Pessoas com incontinência não devem restringir líquidos, pois, além de comprometer a saúde, podem ter outras condições urológicas agravadas com a restrição hídrica. Os acometidos devem, sim, buscar tratamento para resolução do quadro, de forma a poder retomar o controle e a qualidade de vida.

Bexiga caída é um sinônimo para incontinência urinária?

Não. A bexiga caída, cujo termo médico é cistocele, não é sinônimo nem causa de incontinência urinária. Tanto a cistocele quanto a incontinência urinária de esforço (um dos tipos de incontinência) ocorrem devido a uma falha no assoalho pélvico. No entanto, na incontinência urinária de esforço, ocorre falha na sustentação da uretra, enquanto na cistocele, esse defeito é maior, havendo comprometimento da sustentação da bexiga.

Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock

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