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Micose: Quando os vilões são os fungos

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 14 de dezembro de 2020 Nenhum comentário 6 Minutos de leitura
micose-quando-os-viloes-sao-os-fungos

Uma coceira insistente, uma lesão vermelha ou fissuras normalmente são sintomas de uma infecção bastante conhecida: a micose.

Mais comum no verão devido ao clima quente e seco, a micose é uma contaminação da pele e dos anexos – unha e couro cabeludo – causada por fungo.

A dermatologista do Hospital Santa Paula, Dra. Maria Luisa Barros, explica que a micose por cândida, chamada de intertrigo, não é contagiosa. “Ela normalmente aparece como resultado de baixa imunidade e a pessoa pode ter candidíase oral, candidíase vaginal, nas dobras ou nas mamas. Já a micose por fungo, conhecida como dermatofitose, é muito contagiosa. O fungo fica no ambiente. A pessoa pode pegar também de animais, como cachorros e gatos”, explica.

A micose aparece em várias partes do corpo, sendo mais comum em regiões quentes e úmidas como: entre os dedos dos pés, plantas dos pés, virilha, axilas e nas nádegas.

“Muitas vezes, a micose que aparece nas unhas se iniciou entre os dedos ou nas plantas dos pés, então, quando se trata as unhas, é bom verificar como está a pele da região dos pés, que também deve ser tratada para não perpetuar o problema”, explica o dermatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Leonardo Abrúcio.

DICAs DO GUI:

Formas de tratamento

Medidas medicamentosas

Os tratamentos para micose variam do paciente, da localização e da extensão das lesões. Se o paciente tem uma micose leve localizada, entre os dedos dos pés, uma opção é o uso de antifúngico tópico em forma de creme.

Já nas unhas, se a micose for pequena, com baixo grau comprometendo o tratamento, pode ser feito com um antifúngico em forma de solução ou esmalte.

Agora, quando a micose é mais extensa, podem ser empregados antifúngicos sistêmicos, sempre tomando cuidado para evitar interações medicamentosas. Aliás, em determinados casos, o recomendado é a integração do tratamento tópico e sistêmico

Medidas não medicamentosas

Algumas medidas não medicamentosas também podem ajudar. Quando a micose acontece na unha, por exemplo, o ideal para o tratamento ser eficaz é evitar o uso de esmaltes, optando pelo produto na forma de esmalte antifúngico ou solução antifúngica. Assim, a solução atua melhor, além de evitar a remoção das cutículas – procedimento comum na cutelaria –, pois a região pode ser a porta de entrada para fungos.

Parte do tratamento inclui, ainda, manter o corpo e dobras sempre secos, usar sapatos abertos, ou trocar com frequência meias e calçados, sempre optando por meias de algodão.

Fontes: dermatologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Leonardo Abrúcio; e dermatologista do Hospital Santa Paula, Dra. Maria Luisa Barros

Mas se engana quem pensa que a doença só ocorre apenas no verão. “A micose também pode ocorrer no inverno, uma vez que o Brasil é um país quente e úmido e o calor persiste por todo ano. Em épocas frias, as pessoas usam calçados por muito tempo, não trocam as meias com frequência e isto deixa a região dos pés quente e úmida, favorecendo o surgimento de fungos”, pontuou o Dr. Abrúcio. Já no verão, hábitos como ir à praia e ficar muito tempo com a roupa de banho molhada também aumentam a tendência às micoses.

A micose de unha nos pés é a mais comum do que nas mãos. A partir dos 50 anos de idade, uma grande faixa da população tem micose na unha do pé, porque a região tende a ter mais traumas, propiciando a entrada de fungos.

De acordo com a Dra. Maria Luisa, o principal sintoma da micose no corpo é uma lesão vermelha, circular e escamosa, que causa coceira e vai crescendo. “No caso da micose de corpo, ela vai se espalhando pelo local que está contaminando. Na micose de unha, ela começa a engrossar, esfarelar, fica de uma cor amarela-esbranquiçada”, explica a médica.

Mitos e verdades sobre a micose de unha

A micose é contagiosa.

VERDADE. Além de ser transmitida de pessoa para pessoa, pode passar de uma unha para outra, por exemplo. Além disso, pode ser “porta de entrada” para outras infecções, como as bacterianas.

Micose de unha é igual à de pele.

MITO. A forma de apresentação da doença é diferente nessas regiões e requer terapêuticas adaptadas para o quadro micótico. O tempo de combate varia, mas na onicomicose (micose de unha), costuma ser longo, especialmente se há comprometimento da região.

Os efeitos da doença são visíveis.

VERDADE. Identifica-se a onicomicose pelo descolamento, deformação e aspecto quebradiço da unha, assim como pelo surgimento de manchas amareladas ou esbranquiçadas.

Esmaltes não atrapalham o tratamento das micoses.

MITO. Na verdade, eles impermeabilizam e dificultam a penetração do medicamento na unha afetada. O ideal é aplicar esmalte antifúngico diretamente na unha, por apresentar alta concentração de substâncias antimicóticas. Se desejar usar esmaltes comuns, eles poderão ser aplicados sobre o antifúngico.

Fonte: dermatologista graduada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Dóris Milman Shansis

Mas não é preciso se desesperar, porque existe tratamento. “A micose normalmente tem cura, mas varia muito da extensão da doença e da condição imunológica do paciente. Pessoas com alterações imunológicas, transplantados que fazem uso de imunossupressores, pacientes com deficiências nutricionais e com queda de imunidade têm menor chance de cura”, conta o Dr. Abrúcio.

Contudo, os resultados podem ser demorados. “Tratar uma micose na unha dos pés pode demorar de um ano a um ano e meio. Isso faz com que muitos pacientes desistam. Além disso, algumas micoses, como é o caso da Pityriasis versicolor, conhecida como ‘pano branco’, acaba sempre aparecendo, então você trata, ela some e reaparece depois de um tempo”, ressalta a Dra. Maria Luisa.

Foto: Shutterstock

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