
Mais da metade da população adulta brasileira não têm o peso ideal: são 55,7% com sobrepeso e 19,8% com diagnóstico de obesidade, de acordo com os dados da última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018).
Para piorar essa estatística, o isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus afetou o psicológico de muitos brasileiros. Nesse sentido, uma parcela deles desconta, na alimentação, seus medos, desânimo e ansiedade – sentimentos muito comuns impostos pelo atual momento vivido no mundo inteiro.
Na opinião da endocrinologista e professora de Medicina da Universidade Nove de Julho, Dra. Lorena Lima Amato, esse é um dos reflexos negativos causados pela quarentena que impactaram diretamente na maneira como as pessoas comem e, consequentemente, na balança.
“A quarentena, que levou milhares de pessoas a ficarem confinadas dentro de casa, colocou em evidência sentimentos, como tédio e ansiedade, dando a impressão de que estamos com mais fome e piorando os hábitos alimentares de boa parte da população.”
Por que a obesidade constitui um dos fatores de risco para a Covid-19?
Na explicação da endocrinologista e professora de Medicina da Universidade Nove de Julho, Dra. Lorena Lima Amato, a obesidade é uma doença crônica que diminui a resposta imune frente a diversas infecções. Além disso, o excesso de peso aumenta, principalmente, o risco de diabetes, hipertensão, dislipidemia, problemas cardiovasculares, entre outros.
“Embora pessoas com obesidade não sejam mais propensas a contrair a Covid-19, se for infectado, pode ter uma evolução grave da doença, especialmente aqueles com comorbidades associadas”.
Outro agravante apontado pela médica é que o obeso costuma apresentar comprometimento do sistema respiratório, diretamente atingido pelo novo coronavírus. Fora isso, muitas vezes, já convive inclusive com problemas pulmonares relacionados à apneia do sono.
“A obesidade é uma doença que cursa com inflamação crônica, que é um processo relacionado à baixa imunidade, e sabe-se que na Covid-19 os pacientes sofrem uma tempestade inflamatória. Sendo assim, tanta inflamação sobreposta cursa com pior evolução.”
Diante disso, esse grupo de pacientes precisa manter o tratamento da doença e estar em dia com o controle da glicemia e os níveis de pressão arterial para que, caso infectado pelo novo coronavírus, tenha uma boa evolução clínica.
Já está mais do que comprovado que uma dieta com excesso de gorduras saturadas, sal e açúcar prejudica o bom funcionamento das células e compromete suas funções, podendo levar ao aumento de infecções e outras doenças sistêmicas, como hipertensão, diabetes e dislipidemia.
Além disso, um cardápio desequilibrado e baseado nos excessos, assim como alimentação muito restritiva, com quantidades de calorias diárias muito baixas, pode levar a deficiências nutricionais com consequente comprometimento da resposta imunológica do organismo e abrindo as portas para infecções, completa a Dra. Lorena, que também é médica do Amato – Instituto de Medicina Avançada, em São Paulo (SP).
DICAS DO GUI:
Seis orientações para manter o peso e a alimentação equilibrados!
1. Planejar as compras para evitar o consumo de alimentos menos saudáveis;
2. Procurar manter os alimentos fora do campo visual;
3. Servir porções modestas e manter a mesa livre de pratos de servir;
4. Comer devagar e não se envolver em nenhuma atividade durante as refeições;
5. Limitar a alimentação a um ou dois cômodos da casa;
6. Evitar lanches durante outras atividades e planejar a alimentação em situações fora da rotina.
“Independentemente da pandemia e da quarentena, é fundamental seguir dietas equilibradas. Mais do que a preocupação com a balança, é preciso lembrar que a boa alimentação e a prática de atividade física são hábitos essenciais na manutenção da saúde.”
Por outro lado, para uma parcela da população, o isolamento social serviu como a oportunidade de melhorar hábitos à mesa, “até por não haver mais a interferência dos eventos sociais, que tanto dificultam a vida de quem quer seguir uma dieta adequada”, acredita a endocrinologista.
Probióticos no combate à prisão de ventre
CAUSAS DA OBSTIPAÇÃO INTESTINAL
Também conhecida como prisão de ventre, entre
as principais causas, estão:
• Alimentação pobre em fibras;
• Insuficiente ingestão de água;
• Mudança na rotina;
• Ansiedade;
• Alterações hormonais;
• Pouca atividade física.
Como o isolamento social tem influenciado no quadro de obesidade?
• NECESSIDADE DE PRATICIDADE NO CARDÁPIO: o isolamento fez com que o hábito alimentar da população mudasse, muitas vezes, pela falta de tempo para cozinhar e pelas próprias escolhas dos alimentos, ou seja, menos vegetais, legumes e frutas no prato e mais produtos industrializados e fáceis de consumir.
• FATORES PSICOLÓGICOS: a alimentação, associada ao descontrole emocional decorrente do momento, contribui para as alterações do sistema digestivo.
• FORMAS DE PREVENÇÃO À OBSTIPAÇÃO
Todos esses fatores influenciam positivamente para o desenvolvimento das bactérias que ajudam a manter o intestino equilibrado:
• Boa alimentação;
• Prática frequente de exercícios físicos;
• Meditação para controlar as emoções;
• Boas noites de sono.
PAPEL DOS PROBIÓTICOS
Os probióticos são microrganismos vivos que, quando ingeridos em quantidade suficiente e com orientação médica adequada, ajudam no equilíbrio da microbiota intestinal. O consumo
previne a constipação, pois:
• Melhora a microbiota intestinal;
• Regula o funcionamento do intestino;
• Auxilia na melhora da saúde física e mental e da imunidade.
ONDE OS PROBIÓTICOS SÃO ENCONTRADOS?
• Iogurtes e leites fermentados;
• Suplementos à base dessas bactérias do bem.
Fonte: médica nutróloga especializada em Medicina
Integrativa e Conexão Mente e Corpo, Dra. Esthela Oliveira
Para manter bons hábitos de vida em época de pandemia, é importante escolher alimentos menos industrializados e mais saudáveis que serão consumidos em casa, estabelecer uma rotina alimentar, com horários e ambiente calmo para realizar as refeições, e incluir a prática regular de atividade física.
“Além disso, recorrer às técnicas de meditação e relaxamento, e também cultivar hobbies, são estratégias que auxiliam a manter a saúde mental e o corpo saudável.”
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