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Os efeitos da pandemia no sono

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A pandemia e o isolamento social trouxeram importantes mudanças nos hábitos dos brasileiros. Passando muito tempo dentro de casa e mesmo com a possibilidade de dormir oito horas por noite, isto tem se tornado um desafio para grande parte da população.

Afinal, o estresse emocional e medo gerados desde que a quarentena começou têm afetado diretamente a qualidade do sono. Uma pesquisa do Ministério da Saúde (MS), realizada em maio último, em todo o País, mostra que 41,7% da população relatou distúrbios com o sono, como dificuldade para dormir ou dormir mais do que o de costume durante a pandemia.

Mas entre os especialistas é unanime dizer que um bom padrão de sono se torna imprescindível para a manutenção de uma vida saudável e sua relação com a saúde mental vem ganhando cada vez mais relevância.
“A redução da quantidade ou qualidade do sono pode prejudicar a imunidade e aumentar a vulnerabilidade a infecções. Além disso, a má qualidade do sono contribui para o aumento do estresse e ansiedade”, destaca o médico do Serviço de Medicina do Sono do HCor, Dr. Pedro Genta.

Os efeitos colaterais da Covid-19 na saúde mental e nos transtornos do sono, em médio e longo prazo, serão conhecidos a partir de estudos e estatísticas que a medicina ainda vem pesquisando. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), estudos internacionais indicam que há uma tendência em dobrarem os transtornos afetivos, de ansiedade e insônia comórbida.

Como a pandemia afeta o sono

A última pandemia, a da gripe espanhola, aconteceu em 1918. Portanto, a experiência da Covid-19 é novidade para todos. O risco de doença, de hospitalização ou morte, associado ao isolamento social e de afastamento das atividades laborais, sociais e esportivas de lazer, etc., pode favorecer o aparecimento de sentimentos de insegurança, incerteza e receio do que pode acontecer no presente e no futuro, conforme esclarece a professora da Faculdade de Psicologia da PUC-Campinas, Luciana Gurgel Guida Siqueira.

“A dificuldade de organizar e planejar as ações da vida cotidiana a médio ou longo prazo, a mudança na rotina de forma abrupta e não planejada e as expectativas criadas sobre a vida pós-pandemia podem gerar ou exacerbar sentimentos de ansiedade, angústia, medo, ou mesmo desespero e desesperança. Isso pode impactar várias esferas da vida mental, incluindo a qualidade do sono”, conta a psicóloga.

Porém, há uma série de fatores que podem impactar em uma boa noite de sono. A falta de rotina é uma delas, como, por exemplo, o fato de não sair para trabalhar, as tarefas domésticas e atenção à família, que acabam não ficando tão bem definidas, atrapalhando ainda mais o relógio biológico. Não há hora de dormir nem de acordar e nunca é possível se desconectar completamente. Em um primeiro momento, isso gera alerta e reação rápida.
O País entra, agora, no sexto mês de quarentena, e essa apreensão e falta de controle geram cada vez mais desgaste. É quando a pessoa pode apresentar distúrbios, como a insônia, o despertar precoce (quando acorda mais cedo e não consegue mais dormir) e os microdespertares (quando acorda entre cada ciclo de sono), por exemplo.

E a tecnologia? Ajuda ou atrapalha? Neste caso, ela não se apresenta como uma boa aliada. Afinal, o excesso de lives, chamadas de vídeo e simulações de jantares on-line também podem contribuir para uma queda na qualidade de sono. Isso porque a luz das telas dos equipamentos atrapalha a produção de melatonina, hormônio que induz o sono, destaca o especialista do HCor.

Fora isso, manter-se constantemente informado por notícias ou mesmo filmes e séries gera um cansaço psicológico. Com todo esse estresse, pode-se desenvolver fadiga crônica. “Sem energia, motivação ou concentração, o distúrbio é o oposto: o da hipersonia, uma sonolência excessiva. Em alguns casos, ela pode levar à depressão”, conclui o Dr. Genta.


Os mais afetados

“A prevalência da insônia sempre foi maior nas mulheres do que nos homens, na proporção de dois para um. Nesse momento de confinamento, também se observa uma sobrecarga de tarefas domésticas, uma demanda com os filhos, para as mulheres, muitas vezes, de home office”, explica a a médica neurologista, presidente da ABS, Dra. Andrea Bacelar.

A idade é outro fator que pode influenciar na qualidade do sono. “No caso dos idosos, que são um grupo de risco importante para a Covid-19 e prioritários no distanciamento social, esse é mais um fator que aumenta a incidência de insônia nessa população”, acrescenta a Dra. Andrea.

Foto: Shutterstock

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