Os nove meses de cuidados na gravidez

Apesar das mulheres estarem adiando cada vez mais a maternidade, o desejo de ter filhos ainda marca a vida da maioria delas; para ter uma gestação tranquila e saudável, é preciso seguir um acompanhamento próximo

A primeira metade do século 20 foi marcada por grandes conflitos mundiais – I e II Guerra. Ao longo de décadas, os homens ficaram presos nas frentes de batalhas e as mulheres, até então criadas para cuidar do lar e dos filhos, foram obrigadas a procurar emprego para comprar comida e sustentar a casa. Quando as batalhas acabaram, elas já estavam inseridas no mercado de trabalho. Era um caminho sem volta.

Tamanha virada no papel feminino na sociedade trouxe mudanças não só nas relações profissionais, como também no âmbito pessoal. A fim de disputar postos de trabalho de maneira igualitária com os homens, as mulheres passaram a se dedicar mais aos estudos e a buscar cargos de liderança. À medida que a dedicação à carreira cresceu, a maternidade ganhou um novo espaço dentro da vida delas.

“Não é mais o principal fator da vida da mulher e, sim, um complemento, sendo mais um dos muitos papéis exercidos por ela. A maternidade, antes, a limitava ao espaço doméstico, hoje, não a impede de sair para lazer, estudo e trabalho. Portanto, com todas essas mudanças, é natural que o tempo para a maternidade tenha mudado”, avalia a psicóloga, Dra. Rosa Mercaldi.

Ainda que as mulheres estejam priorizando consolidar a carreira e ter estrutura socioeconômica antes de se tornarem mães, o desejo de ter filhos segue forte para a maior parte delas, isto só tem ocorrido um pouco mais tarde. Essa tendência é confirmada por dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que 30% das mulheres que tiveram filhos no ano de 2016 tinham entre 30 e 39 anos de idade. Ao mesmo tempo, apesar da maior parte das brasileiras ainda ter filhos entre os 20 e 24 anos de idade, essa faixa etária apresentou a maior queda na taxa específica de fecundidade (23,5%) entre os grupos de idade analisados.

Nutrientes necessários na gravidez

A dieta materna balanceada é essencial para o desenvolvimento e o crescimento da criança desde a gravidez, pois alguns nutrientes têm papel fundamental nessa fase da vida. Entre eles, estão os Ácidos Graxos (AG), que apresentam função estrutural e energética. São importantes para o crescimento das glândulas mamárias, da placenta, do útero e do feto.

Entre todos os AG, o DHA (Ácido Docosa-Hexaenoico, na sigla em inglês) tem recebido maior atenção na última década, pois desempenha um papel relevante no desenvolvimento fetal. Ele modula a mielinização neuronal e a diferenciação de células-tronco neurais para neurônios, promovendo o desenvolvimento do cérebro, dos nervos, dos fotorreceptores da retina e do sistema imune.

A ingestão de DHA em dietas ocidentais é muito baixa, e, tendo em vista sua importância na saúde materno-fetal, a suplementação pode ser considerada importante. De acordo com estudo promovido pela Medley com 7.266 mulheres em idade fértil, a ingestão média diária de ômega-3 é de apenas 89 mg/dia, sendo que a recomendação de ingestão para adultos é de cerca de

667 mg/dia, com pelo menos 220 mg/dia. Na gestação e na lactação, a ingestão recomendada de DHA é de 300 mg/dia.

Outro comportamento que tem se consolidado é a opção por ter menos filhos, um caminho encontrado para que a mulher continue dando conta dos outros papéis além da maternidade.

De acordo com a Projeção da População por Sexo e Idade do IBGE, a taxa de fecundidade total para o Brasil passou de 2,09 filhos por mulher, em 2005, para 1,72 filho por mulher, em 2015, representando uma queda de 17,7% neste indicador no período.

Apesar de terem encontrado alternativas para seguir sendo mãe, mesmo investindo nos estudos e na carreira, é comum que as mulheres sintam culpa por não terem dedicação exclusiva aos filhos. A angústia por tentar cumprir todos os papéis de maneira exemplar, sem negligenciar a maternidade, é o que mais preocupa as mães atuais.

“É extremamente natural o conflito psíquico que essa mulher irá experimentar, pois passa a abandonar um lugar conhecido para se iniciar em um processo completamente novo, que exige profunda dedicação, redefinição de sua identidade pessoal e dos papéis sociais desempenhados até então”, afirmam as psicólogas clínicas e idealizadoras do projeto JUNTAS, de acolhimento psicológico a gestantes e tentantes, Fernanda Reina e Greice Rodrigues.

Etapas da gestação

Uma vez que uma mulher decide tornar-se mãe, há uma longa jornada a ser percorrida até que ela dê à luz um bebê. O caminho se inicia com a contracepção. O ideal é que antes que o casal comece a tentar engravidar, a mulher procure um médico para checar se há alguma infecção vigente, que possa representar risco para ela e ao futuro feto.

“Rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus, por exemplo, são doenças que, na mulher, geralmente não dão muitos sintomas, mas engravidar na vigência dessas infecções aumenta o risco de má formação para o bebê”, alerta o ginecologista responsável pela área de reprodução da Criogênesis, Dr. Renato de Oliveira.

É necessário também fazer um exame de sorologia para verificar se a mulher é portadora de alguma Doença Sexualmente Transmissível (DST), como sífilis, AIDS e HPV (papiloma vírus humano). Ir ao dentista e verificar o estado dos dentes e da gengiva é recomendável, uma vez que a boca é porta de entrada para infecções.

Vale a pena ainda investigar se a mulher não tem nenhuma outra doença – sabida ou não –, como diabetes, mau funcionamento da tireoide e anemia. A avaliação do histórico familiar também é muito importante. Mulheres com predisposição a desenvolver trombose ou alterações genéticas precisam ser orientadas a respeito dos riscos que elas podem correr ao longo da gravidez. “Todos são fatores que, diante de uma avaliação clínica, podem prepará-la melhor para a gestação”, garante o Dr. Oliveira.

Dentro de uma gravidez planejada, também é possível iniciar a suplementação de ácido fólico antes mesmo da concepção. Esse nutriente é responsável por fechar o tubo neural do bebê, além de colaborar para a boa formação do sistema nervoso.

Oitenta e cinco por cento das mulheres até os 30 anos de idade engravidam dentro de um ano – dos 31 aos 35 anos de idade, o percentual é de 80%. se o período de doze meses é ultrapassado, é indicada a busca de um especialista em reprodução humana

“Quando a mulher descobre que está grávida, normalmente, ela está de quatro a seis semanas, neste período, o sistema nervoso do embrião já se desenvolveu, logo, a prevenção de qualquer má formação deve se iniciar antes da gravidez. O desenvolvimento neurológico do bebê será muito mais favorável”, acrescenta a especialista em Reprodução Humana Assistida, Ginecologista e Obstetrícia, Dra. Adriana de Góes.

Uma vez feito esse checkup e o início da suplementação, o casal está apto a iniciar as tentativas de gravidez. As chances de sucesso serão maiores – e mais rápidas – se a mulher tiver conhecimento do período fértil. O cenário ideal para a concepção é durante a ovulação, que ocorre duas semanas antes da próxima menstruação.

“Para quem tem uma menstruação regular, fica fácil fazer a previsão. Já para aquelas que têm um ciclo desregulado, uma é dica é se atentar a uma secreção semelhante à clara de ovo que sai pela vagina mais ou menos no meio do ciclo. Isso é o muco ovulatório. Também há mulheres que sentem dor nesse período, devido ao rompimento do folículo. Também se trata de um sinal do período fértil”, detalha o Dr. Oliveira.

Entender como funciona o organismo é fundamental para que a gestação ocorra no período planejado, uma vez que, em mulheres saudáveis com menos de 35 anos de idade, as chances de engravidar são de, aproximadamente, 18% a 30% a cada mês.

“É normal que a gravidez não ocorra nos primeiros meses. Por isso, o diagnóstico de infertilidade de um casal que tem relações sexuais de duas a três vezes por semana, e que a mulher tem um ciclo menstrual regular, só pode ser dado depois de um ano de tentativas”, afirma o ginecologista da Criogênesis.

Técnicas de fertilização

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), 85% das mulheres até os 30 anos de idade engravidam dentro de um ano – dos 31 aos 35 anos de idade, o percentual é de 80%. Uma vez que o período de doze meses é ultrapassado sem sucesso, é indicada a busca de um especialista em reprodução humana.

“Grande parte dos tratamentos que visam aumentar as chances de gravidez são à base de hormônios usados para tentar regular o ciclo menstrual e estimular a ovulação. Os mais utilizados são: GNRH, FSH, LH, estrógeno e progesterona”, enumera o especialista em reprodução humana e obstetrícia da Clínica Doktor’s, Dr. Luiz Fernando Carvalho.

Junto ao tratamento hormonal, o médico faz um acompanhamento por meio de ultrassom para monitorar a ovulação. No dia em que o folículo estiver grande, é orientado que ela tenha relação sexual. Há também a possibilidade de que, no dia ideal para a concepção, seja colhido o sêmen do parceiro e, dentro do consultório, o médico insemine o material no útero. Essas duas técnicas são consideradas de baixa complexidade.

Existem ainda dois outros procedimentos, já considerados de alta complexidade, que compreendem a fertilização in vitro e uma variante chamada injeção intracitoplasmática e espermatozoica. “Na fertilização in vitro, queremos que cresçam vários folículos, por isso são aplicadas injeções diárias durante 11 a 12 dias. Quando os maiores folículos chegarem a dois centímetros, a paciente vai ao centro cirúrgico, recebe anestesia e com uma cânula, aspiramos o material de cada folículo”, diz o Dr. Carvalho.

Esse conteúdo é entregue ao laboratório para ser fertilizado fora do organismo. Em uma placa de vidro, colocam-se cerca de 50 espermatozoides e espera-se que a fertilização ocorra em um processo natural. “Ou injetamos o espermatozoide diretamente no óvulo. Essa é a técnica da injeção intracitoplasmática e espermatozoica”, explica o Dr. Oliveira.

Descoberta da gravidez

Quando há a suspeita de gravidez, existem duas maneiras de confirmar o quadro. Uma delas é por meio de exame de sangue, que mede as taxas do hormônio beta HCG – produzido pelo organismo durante a gestação pelas células precursoras da placenta. Apesar de muito seguro e certeiro, normalmente, as mulheres recorrem aos testes de farmácia, por serem mais acessíveis e rápidos.

De acordo com a Dra. Adriana, não há problemas em fazer uso desse recurso. “Se houver atraso menstrual, é seguro, sim. A única diferença em relação ao exame de sangue é que se não houver quadro de atraso menstrual, pode ser que o resultado dê negativo mesmo que a mulher esteja grávida. No entanto, quando dá positivo, é certeza da gestação”, afirma. Em outras palavras, é possível obter um falso negativo, mas jamais um falso positivo.

Tão logo descubra a gravidez, a mulher deve agendar uma consulta pré-natal com um ginecologista. Esse acompanhamento médico deve ser feito ao longo de toda gestação. Até o sétimo mês de gravidez, as consultas são mensais – quando não há nenhuma alteração diagnosticada. Já no oitavo mês, as visitas ao consultório são agendadas a cada quinze dias e na reta final, tornam-se semanais.

“Nas consultas pré-natais, são feitos exames periódicos, monitoramento do quadro clínico da mãe e do bebê. E por meio desses exames e do estado de saúde da mãe, conseguimos detectar algum problema, tratar e evitar sequelas, tanto de infecção quanto de crescimento fetal inadequado. Por exemplo, se o bebê estiver crescendo muito pouco, a paciente pode antecipar o parto ou podemos dar medicação para o bebê se desenvolver. Há casos em que a mãe está com ameaça de parto, então recomendamos repouso. Agora, se ela vier em estágio mais avançado ao consultório, não há muito que fazer”, alerta a Dra. Adriana.

Cuidados necessários

Para garantir uma gestação segura, muitos parâmetros são observados ao longo do pré-natal. Entre eles, está o peso da gestante. Normalmente, o ganho de oito a 12 kg é considerado normal. No entanto, em casos de mulheres que já engravidaram com sobrepeso, o ideal é que não haja ganho desse volume. “Caso contrário, aumenta-se muito o risco de desenvolver diabetes, hipertensão e trombose. E essas doenças levam ao risco de morte para a mãe e o bebê. É muito sério”, ressalta a especialista em Reprodução Humana Assistida, Ginecologista e Obstetrícia.

O excesso de ganho de peso pode ser um fator perigoso mesmo para pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) adequada, mas com propensão genética a desenvolver diabetes. A doença é séria, mas ganha proporções ainda mais graves quando se instala durante a gestação.

“A paciente que já engravida sendo diabética, tem mais riscos de ter um bebê com má-formação. E aquelas que desenvolvem a doença durante a gestação têm risco de que o bebê desenvolva problemas durante e depois da gravidez”, conta a Dra. Adriana.

Isso ocorre porque a glicose elevada no sangue da mãe faz com que o pâncreas do bebê desenvolva mais insulina, substância que estimula o crescimento. O bebê acaba ficando grande para a idade gestacional, mas nasce muito doente.

“Quando ele nasce, deixa de produzir insulina em excesso, aí apresenta queda da glicose pós-natal e corre risco de óbito. Há ainda casos de bebês que nem chegam a nascer”, afirma a Dra. Adriana.

O melhor caminho para evitar todas essas complicações é manter uma boa alimentação durante a gravidez. Isso significa abandonar o mito de que é necessário comer por dois. É preciso seguir uma dieta nutritiva, saudável e variada, assim como é recomendável fora da gestação. Indica-se uma alimentação composta por 50% de carboidratos, 30% proteínas e 20% gordura, sem se esquecer do leite e derivados, por causa do cálcio.

“Sempre lembro às mães que tudo que ela come o bebê vai comer. Se ingerir ‘besteiras’, o bebê também vai ingerir. As mães sabem o que têm de comer. Frutas, verduras, proteínas e carboidratos de qualidade. Comer de tudo, mas na quantidade ideal”, orienta a especialista em Reprodução Humana Assistida, Ginecologista e Obstetrícia.

Além de uma boa alimentação, também é ideal que a gestante pratique atividades físicas. “Se ela já tem esse hábito, pode manter, mas com vigilância e menos intensidade. É possível inclusive fazer musculação, desde que não haja um excesso de carga. A única atividade que não é indicada são os exercícios de impacto, como lutas”, pontua a membro da comissão de Assistência Pré-Natal da Febrasgo, Dra. Juliana Silva Esteves Penha.

Ao longo da gestação, também pode ser indicada a suplementação de vitamina D – além do já citado ácido fólico –, pois a falta desse nutriente pode aumentar a chance de pré-eclâmpsia (complicação da gravidez que se caracteriza por um quadro de hipertensão arterial e perdas de proteínas na urina).

Questões estéticas

A revolução hormonal que ocorre no organismo de uma grávida pode resultar em alguns aspectos desagradáveis, principalmente em relação à estética. Durante a gestação, é comum aparecerem manchas no rosto, conhecidas como melasma. A exposição solar e predisposição genética contribuem para o agravamento do problema. O tratamento deve ser feito com acompanhamento de um dermatologista, uma vez que há substâncias que devem ser evitadas pelas gestantes, como ácido retinoico e derivados.

“O filtro solar também é fundamental na gestação. O ideal é o filtro físico, que funciona como uma barreira na pele capaz de refletir a radiação ultravioleta (UV), e de preferência que contenha cor de base, pois além de proteger mais, ainda serve de camuflagem pela cor. Além disso, não se esquecer de usar os outros tipos de proteção, como chapéus, bonés e óculos”, recomenda a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Devido ao aumento da progesterona, também pode haver o surgimento de acne, que pode ser tratada com ácido azelaico, nicotinamida e clindamicina tópica, sempre com orientação de um profissional de saúde, além de ser recomendada a realização de limpeza da pele regulamente. Outro problema é que as temidas estrias tendem a se agravar durante a gestação devido à fragmentação do colágeno causada pelo estiramento da pele.

“Normalmente, elas aparecem no fim da gestação, mas ter predisposição individual é o principal fator contribuinte para sua formação. Hidratar a pele regularmente, com produtos específicos e indicados pelo dermatologista, contribui para a prevenção e a melhora do aspecto geral da pele”, enfatiza a SBD.

Assim como ocorre com as estrias, é natural que as marcas da celulite se agravem durante a gravidez, devido ao ganho de peso e ao consequente acúmulo de gordura. Além disso, o aumento da produção do hormônio estrógeno causa alterações na distribuição de células de gordura pelo corpo. Isso obstrui o sistema linfático, responsável por eliminar as toxinas, células ruins e o excesso de água. O resultado é a retenção natural de líquidos que agrava o aspecto de pele ondulada.

A hora do parto

Não bastassem todas as mudanças e novidades que a gestante encontra ao longo de nove meses de gestação, ainda é preciso lidar com a expectativa do momento do parto. Por medo ou insegurança, muitas mulheres preferem não ter parto normal, como é chamado aquele que ocorre por via vaginal e que não conta (ou conta minimamente) com intervenções dos profissionais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) condena essa prática cada vez mais comum e adverte que deve haver uma razão clara para que se interfira no curso de um parto normal. Considera-se recomendável a cesariana apenas em casos específicos, como: bacia óssea materna estreita ou anormalidades da contração uterina; condições fetais, como apresentação anômala (parte fetal que se acomoda na bacia) ou um tamanho/peso anormalmente grande que possa impedir a sua passagem pelo canal de parto ou alguma obstrução anatômica local; déficit de oxigenação fetal que indique que o feto poderá não dispor desta reserva para o trabalho de parto; ou ainda alguma anormalidade materna de saúde.

Quando não há nenhuma dessas implicações, a recomendação é de que se proceda ao parto normal. “A cesárea é uma cirurgia que promove a abertura da cavidade abdominal e que exige uma série de cuidados técnicos, o que se associa a algumas complicações que devem ser ponderadas antes da indicação. Sendo assim, o procedimento deve ser decidido pelo profissional médico baseado em critérios clínicos e obstétricos, idealmente contando com uma participação ativa e adequadamente informada da mulher”, aconselha o coordenador da obstetrícia do Complexo Hospitalar dos Estivadores de Santos, Dr. Francisco Lazaro Pereira de Sousa.

Para amenizar possíveis traumas de um parto invasivo, algumas mulheres optam por realizar o procedimento em casa, às vezes na banheira ou até em piscinas. De acordo com Dr. Sousa, a opção pelo local do parto pela mulher deve ser valorizada, principalmente em uma época em que se incentiva o protagonismo da mulher e a sua experiência. No entanto, devem-se particularmente disponibilizar informações amplas quanto aos riscos envolvidos durante um trabalho de parto, algumas vezes não previsíveis no seu início.

“Ponderar essa decisão é um fato que exige grande atenção, destacando a possibilidade de um atendimento hospitalar imediato e qualificado no caso de complicações, que se não ocorrer em tempo oportuno, pode significar a ocorrência de complicações definitivas.”

Para que a mulher se sinta mais segura em relação ao parto, é importante que o médico converse com a paciente para eliminar possíveis dúvidas e tabus. “Também é preciso ensinar os sinais que mostram quando o nascimento do bebê se aproxima e explicar o que vai acontecer nas horas de trabalho de parto. Outra indicação é fazer fortalecimento do assoalho pélvico e, nos dois últimos meses, fazer alongamento das fibras com Epi-no – balão de silicone que é introduzido na vagina e, depois, insuflado, promovendo efeito da musculatura local”, aconselha a coordenadora científica de obstetrícia da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), Dra. Rosiane Mattar.

Período da amamentação

A maioria das mães nutre um enorme desejo de amamentar o filho, mas é comum que, nos primeiros dias, haja certa dificuldade, principalmente em relação à “pega” do bebê.

Por muito tempo, acreditou-se que era necessário esfregar o bico do seio durante a gestação, para que a pele estivesse preparada para a sucção. De acordo com a Dra. Rosiane, os trabalhos científicos mostram que não há nenhum tipo de preparo dos mamilos que melhore a lesão provocada durante a amamentação. “Recomenda-se não usar pomadas ou cremes e nos dois últimos meses da gravidez, tomar sol de 10 a 15 minutos por dia.”

Hoje em dia, acredita-se que o mais importante durante a fase inicial da amamentação é a forma como o bebê está fazendo a pega. É preciso observar se a criança pega somente o bico ou engloba toda a auréola.

“É claro que há formatos de mamilos que são mais fáceis e outros mais complicados, que demandam maior esforço. No caso de mamilos chatos, vale fazer o uso de conchas específicas para esse fim”, opina a Dra. Juliana, da Assistência Pré-Natal da Febrasgo, que defende que a frequência de amamentação deve ser por livre demanda, de acordo com a necessidade do bebê. “É um pouco cruel com a mãe, que fica sem horários, mas o melhor é oferecer o peito quando o bebê chorar.”

O período pós-parto também exige cuidado com a saúde da mãe. “É um período bem complicado, uma fase nova, que nem sempre a mulher tolera bem emocional e fisicamente. O corpo demora um pouco para se recuperar de todas as mudanças ocorridas durante a gestação”, revela a especialista.

Com a produção do leite e amamentação, é comum que haja uma queda na taxa de vitaminas, que pode resultar na queda de cabelos e em outros sintomas. De acordo com a SBD, aproximadamente 30% dos fios de cabelo tendem a cair nesse período. Em mulheres que não têm predisposição genética para evolução de calvície, tudo volta ao normal após seis meses desde o parto. Ainda assim, muitas vezes, se faz necessário a suplementação de ferro e vitamina B12 e de outros nutrientes que devem ser avaliados caso a caso.

Quanto aos aspectos emocionais, é comum que ocorra um quadro de melancolia, chamado de blue puerperal. “Há uma instabilidade emocional, em que a mulher alterna momentos de tristeza e de alegria. Nesses casos, o apoio de familiares, para que a mãe tenha um tempo para ela, costuma ser suficiente para reverter a situação”, diz a Dra. Juliana.

No entanto, quando a mulher deixa de ter autocuidado e negligencia o bebê, trata-se de depressão pós-parto. “Aí é um quadro mais crítico, em que é preciso intervir com medicação, que consiste em antidepressivos específicos para esse período.”

Foto: Shutterstock

Indique para um amigo ... Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email
Print this page
Print
Doenças de inverno

Edição 305 - 2018-04-01 Doenças de inverno

Essa matéria faz parte da Edição 305 da Revista Guia da Farmácia.