
De acordo com números recentes de uma pesquisa nacional feita pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais (ABIAD), 76% dos entrevistados afirmam ter intensificado os cuidados com a saúde durante a pandemia, sendo que 91% apontaram como principal motivação o aumento da imunidade.
Segundo o chefe de nutrologia do Instituto Dante Pazzanese, Dr. Daniel Magnoni, o bom funcionamento do organismo depende muito do consumo adequado de vitaminas e minerais. “Quem não consegue manter uma dieta equilibrada e tem déficit de nutrientes deve buscar orientação médica para suprir estas carências e fortalecer a saúde”, orienta.
“A ciência da nutrição evoluiu demais neste quesito, com formatos mais práticos de suplementação. Se antes as pessoas reclamavam por ter de recorrer a vários comprimidos de difícil ingestão, hoje, há, por exemplo, uma nova geração de suplementos vitamínicos em gomas com doses concentradas que entrega as necessidades diárias de vitaminas e minerais”, reforça o Dr. Magnoni.
Apesar da relevância do tema, as dúvidas que surgem ainda são muitas, fazendo com que os farmacêuticos precisem estar preparados, inclusive, para esclarecer fake news sobre o tema. Acompanhe, a seguir, algumas questões recorrentes que podem aparecer no balcão.
1. Vacinas podem causar as doenças que deveriam prevenir¹
MITO! A vacina estimula o corpo a se defender contra os organismos (vírus e bactérias) que provocam doenças. Quando a pessoa é vacinada, seu corpo detecta a substância do imunizante e produz uma defesa, os anticorpos. Esses anticorpos permanecem no organismo e evitam que a doença ocorra no futuro. Isso se chama imunidade.
2. As vacinas só são necessárias quando existem surtos, epidemias ou pandemias²
MITO! Quando a população está com o seu esquema de vacinação atualizado, o risco de acontecerem surtos, epidemias ou pandemias é drasticamente reduzido. Ou seja, a vacinação é uma importante ferramenta para prevenir que doenças se propagem
3. A Covid-19 tem relação com baixa imunidade?³
TEMA REQUER ESTUDOS! Uma boa imunidade é a principal defesa do corpo contra agentes infecciosos, como vírus, fungos, bactérias e até parasitas. Apesar de já nascermos com essa defesa, o sistema só atinge a maturidade imunológica por volta dos 12 anos de idade e volta a apresentar “brechas” quando idoso.
Todavia, para manter tudo funcionando bem, independentemente da faixa etária, é preciso ter atenção com a alimentação e evitar o sedentarismo. No caso do novo Coronavírus, por ser algo que o organismo não tem conhecimento preexistente, o corpo tem mais dificuldade para identificar e combater o invasor.
O funcionamento de forma saudável do sistema imunológico segue sendo uma alimentação balanceada, atividade física e equilíbrio emocional. Não existem recursos milagrosos. Por essa razão, nem sempre, ter um sistema imunológico forte garante que o indivíduo esteja livre das formas graves do Coronavírus. Contudo, estar saudável é importante para o enfrentamento de qualquer doença e redução de riscos.
4. A alimentação está relacionada com a força do sistema imune5
VERDADE! A defesa do organismo contra infecções depende do bom funcionamento do sistema imune. E como os nutrientes presentes nos alimentos influenciam no sistema imune, pode-se dizer que a alimentação tem um papel tanto na predisposição, ou seja, na tendência a desenvolver doenças, como na proteção contra as doenças infecciosas, até mesmo as causadas por vírus.
Assim, manter uma alimentação equilibrada favorece um sistema imune adequado. Nesse sentido, é importante o consumo de alimentos vegetais ricos em fibras que favorecem o crescimento de bactérias consideradas benéficas em nosso intestino. O resultado é a melhora nos mecanismos de defesa imune frente às infecções
5. Idosos têm o sistema imune mais frágil6
VERDADE! Como todos os outros sistemas do corpo, o imunológico também envelhece. E a senescência imunológica pode ser induzida precocemente por processos infecciosos. Toda vez que o corpo adoece, principalmente por infecções crônicas, como tuberculose, HIV, infecções virais, hepatites, por exemplo, pode-se, por meio da inflamação gerada, ter a indução do envelhecimento do sistema imunológico.
Isso gera prejuízos ao indivíduo, que perde a capacidade de responder de forma ótima às infecções, de combater os patógenos, de responder bem às vacinas. Por isso, os idosos apresentam menor índice de eficácia vacinal, representando sempre grupos prioritários em campanhas.
Então, o envelhecimento, prematuro ou natural, está associado à aquisição de disfunções que levam à maior suscetibilidade a doenças.
6. Atividade física é importante para o fortalecimento da imunidade7
VERDADE! O corpo humano tende sempre a procurar um estado de homeostase, buscando o equilíbrio entre todos os sistemas. O exercício físico está presente na rotina diária de indivíduos, mesmo com objetivos diferentes, porém a influência no sistema imunológico não é muitas vezes abordada como fator relevante.
O sistema imune é responsável por proteger o organismo contra infecções e doenças, podendo ser modulado perante a resposta de exercícios físicos regulares. Tendo em vista que, atualmente, existe uma preocupação maior em tornar e manter a imunidade eficiente, a prática regular e moderada do exercício pode contribuir para uma maior eficácia desse sistema, dessa forma, podendo ser considerada uma proteção ao organismo.
7. Estresse e insônia estão relacionados com a imunidade8
VERDADE! O estresse, a ansiedade e a insônia são distúrbios que sobrecarregam o organismo, afetando o seu equilíbrio e impactando negativamente no sistema imune. Quando está sob estresse, o organismo aumenta o nível de cortisol – hormônio responsável por, entre outros, controlar o estresse, reduzir inflamações e contribuir para o funcionamento do sistema imune –, criando um estado de alerta dentro do corpo.
Quando se está muito estressado, o corpo fica neste estado permanentemente, gastando energia para combater um inimigo que não vê, inibindo as células do sistema imunológico. Assim como acontece com o estresse, a insônia também resulta em sobrecarga física e emocional com consequências sobre a imunidade.
Sem o sono reparador que restaura o organismo e suas funções físicas e mentais, o sistema imunológico ficará comprometido e sem capacidade plena de atuar em defesa do corpo.
VITAMINA D X IMUNIDADE
A vitamina D é fundamental para o bom funcionamento do organismo. Entre outras funções, ela contribui com a absorção de cálcio e fósforo; fortalecimento dos ossos, dentes e músculos. Esta vitamina também está relacionada ao aumento da imunidade e à melhora do funcionamento cerebral.
A endocrinologista do Exame Medicina Diagnóstica, pertencente à Dasa, Dra. Fernanda Lopes, explica que a vitamina D é dividida em duas classes. A primeira (D2) é obtida nos vegetais. Já a D3, que oferece maior quantidade para o corpo, está nos alimentos de origem animal e é sintetizada a partir da exposição ao Sol.
“Após o contato da pele com os raios ultravioleta do tipo B (UVB), a provitamina D (7-dehidrocolesterol) forma a pré-vitamina D (colecalciferol), que é convertida em duas etapas no organismo até a constituição da forma ativa da vitamina D.
Alguns alimentos – como as gemas dos ovos, os cogumelos e alguns peixes – também são fonte de vitamina D (pré-hormônio), mas a quantidade é muito baixa”, explica a Dra. Fernanda. “Quando há falta desses nutrientes, podem ocorrer fraqueza, dores musculares e ósseas, além de dificuldade na mineralização do osso”, complementa.
Segundo a especialista, para manter os níveis ideais de vitamina D no organismo, a indicação é ficar exposto ao Sol, sem protetor solar, pelo menos 20 minutos por dia. “Nos casos em que há insuficiência, é necessário fazer a reposição para garantir a saúde do corpo.
A suplementação deve ser feita com auxílio de um profissional, já que o excesso também pode fazer mal”, alerta a Dra. Fernanda, salientando que para identificar se existe carência de vitamina D, a orientação é acompanhamento médico de rotina e realização do exame de sangue 25 (OH) D com a avaliação do paratormônio (PTH).
“Os resultados dos exames mostrarão se há a necessidade de tomar suplementos. Mas a exposição solar é sempre recomendada”, finaliza a médica.
Fonte: Guia da Farmácia
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