
O colágeno é uma proteína produzida naturalmente pelo corpo humano a partir da alimentação. As funções são diversas, passando pela manutenção da saúde do tecido conjuntivo e as propriedades mecânicas da pele; e manutenção da saúde do tendão e na redução do risco potencial de lesões no esporte.
“Aliás, diversos estudos vêm mostrando o quão o colágeno se faz importante na manutenção e reconstituição da pele, dos ossos, dos tecidos cartilaginosos e da matriz extracelular. Pode-se ressaltar ainda que o colágeno se trata de uma proteína de maior importância produzida pelo organismo, sendo o fibrilar o mais abundante, responsável em formar a estrutura da pele, sua morfologia e propriedades mecânicas, como força tênsil e resistência”, afirma a nutricionista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Ana Paula Leal da Costa.
No caso específico das articulações, o colágeno também assume um papel fundamental. Ana Paula explica que a cartilagem articular é um tecido mole que cobre as extremidades dos ossos nas articulações, melhorando o desempenho físico, reduzindo o risco de deterioração e auxiliando na produção de células que o sintetizam.
“Esse saldo positivo de fabricação de colágeno atua como fator protetor da cartilagem articular, aumentando a densidade óssea e, principalmente, aliviando e prevenindo quadro sintomático de dor”, pontua.
O médico ortopedista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Dr. Fabiano Nunes, reforça que a cartilagem articular é o tecido que recobre o osso e é responsável para que não se sinta dor ao pisar. “Quando há desgaste da cartilagem articular, começamos a sentir dor na articulação, que é a famosa artrose. E o colágeno é extremamente importante na composição de todo tecido articular, como meniscos, ligamentos, ossos, cartilagens e tendões”, mostra.
Portanto, quando o colágeno não está nos níveis ideais, o corpo pode sofrer uma série de alterações. “A forma mais fácil de observar a deficiência de colágeno é por meio de alterações estéticas, como envelhecimento da pele, que se torna seca, áspera, flácida e com rugas; cabelos quebradiços; e unhas fracas. O sistema músculo esquelético começa a ter perda de força muscular, com sarcopenia. Também podem ocorrer lesões de cartilagem ou meniscal e lesões tendinosas de repetição”, enumera o Dr. Nunes.
Ana Paula complementa a lista, observando que podem surgir doenças reumatológicas com a perda da função motora ou estrutural de alguma parte de suporte do corpo. “Geralmente, afetam os tendões, ligamentos, articulações e músculos, causando inflamação, sintomas de dor, enrijecimento e inchaço. As principais doenças são artrite infecciosa, psoriásica e reumatoide”, diz.
Grupos de atenção
O envelhecimento está associado a mudanças estruturais e mecânicas progressivas em tecidos ricos em colágeno, como tendões, e em indivíduos idosos, isso pode ter impactos negativos na função tecidual e contribuir para incapacidades funcionais e lesões.
“Apesar do colágeno sempre ter sido considerado uma proteína com um baixo valor agregativo na alimentação por não possuir uma alta quantidade de aminoácidos essenciais para o organismo, notou-se que a partir dos 25-30 anos de idade, o índice de produção de colágeno diminui, trazendo alguns desconfortos, como dores nas articulações e perda de massa óssea”, analisa Ana Paula.
Como a pele é uma parte do corpo que muito reflete os efeitos decorrentes do envelhecimento, evidencia-se que a idade traz como consequência, a presença de rugas e flacidez, por exemplo. “Há uma relação entre o colágeno e o envelhecimento, a suplementação se mostra como uma importante alternativa quanto ao retardo, convém ressaltar que o ácido ascórbico auxilia nas funções fisiológicas, promovendo o restabelecimento da pele e a síntese de colágeno”, comenta.
Na alimentação e na suplementação
O Dr. Nunes, da BP, mostra uma regra simples para identificar mais facilmente alimentos ricos em colágeno. “Geralmente, são aqueles onde temos osso e cartilagem junto. Assim, o famoso caldo de mocotó é um dos que mais tem uma concentração aumentada de colágeno. Outro exemplo é o frango, principalmente as partes como pé e pescoço, além de todas as carnes em geral”, indica.
Além destes, outros alimentos podem contribuir no mecanismo de síntese de colágeno, como a clara do ovo. “Ela tem uma quantidade muito grande de algumas proteínas e aminoácidos, entre elas, a prolina que é bastante importante na formação e síntese do colágeno. A mesma importância se dá com as castanhas, ricas em zinco e cobre, e alimentos com vitamina C, que auxiliam na síntese desta proteína”, diz.
Mas quando a alimentação é insuficiente para reposição do colágeno, a suplementação pode ser aliada, trazendo impactos positivos na saúde dos ossos e articulações, devido ao seu papel na regulação da remodelação dos tendões e ossos.
“A suplementação adequada de colágeno pode inibir a degradação do colágeno ósseo e aliviar os sintomas dolorosos associados a condições articulares degenerativas”, destaca, acrescentando que esta suplementação, quando combinada com treinos de resistência, provoca melhorias moderadas na composição corporal.
“O aumento é supostamente devido ao efeito do colágeno no tecido conjuntivo circundante, também pode contribuir para a melhora da estrutura da derme, refletindo ainda na espessura, elasticidade e hidratação”, acrescenta.
Fonte: Guia da Farmacia
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