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Sociedades médicas comentam novos dados do INCA sobre incidência de câncer no Brasil

Dentre os tumores mais frequentes estão o de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago – sem contar o câncer de pele não melanoma

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) divulgou, nesta semana, estimativas sobre incidência de cânceres, no Brasil, para o triênio 2020-2022. A projeção é de 625 mil novos casos de câncer a cada ano. Diante desses dados, sociedades médicas e científicas interpretam os números e esclarecem sobre avanços no diagnóstico, bem como sobre os cuidados preventivos para um envelhecimento mais saúde.

Dentre os tumores mais frequentes estão o de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago – sem contar o câncer de pele não melanoma, que sozinho representa quase 26% dos casos previstos. A proporção de incidência entre homens e mulheres é semelhante, com 50,2% e 49,8%, respectivamente.

O desafio da prevenção

Em meio aos tumores de maior impacto na população feminina, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) chama a atenção para os tipos preveníveis, como o de colo de útero. A entidade aponta que o enfrentamento da doença, no país, encontra obstáculos no elevado número de mulheres que não realizam exames preventivos periodicamente, na escassez de centros especializados no tratamento do câncer e na reduzida cobertura da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), principal agente causado da neoplasia.

O ginecologista, Dr. Jesus Paula Carvalho, explica que a forma mais eficaz de prevenção do câncer de colo de útero se dá por meio da vacinação contra o HPV. “A Febrasgo tem defendido que para uma ação efetiva, a cobertura vacinal seja de 90%. Hoje é de 46%”. De acordo com o Ministério da Saúde, o número de mulheres vitimadas pela doença aumentou 42,13%, de 2007 a 2017.

Dificuldades no acesso

O médico ainda aponta a dificuldade de acesso ou hábito de se consultar regularmente com profissionais de ginecologia como outros entraves à prevenção, identificação e, consequente, tratamento do câncer cervical uterino. Pesquisa da Febrasgo, realizada em 2018, revelou que 13% das mulheres, com mais de 16 anos, nunca foram ou não costuma ir ao ginecologista. Outro dado que incide negativamente no combate à doença aponta que 60% da população feminina chegam, pela primeira vez, ao consultório do ginecologista com cerca de 20 anos de idade em decorrência de algum problema instalado, por suspeita de gravidez ou por já estar grávida.

De modo geral, entre as mulheres, os cânceres mais frequentes são o de mama (66.280 novos casos/ano); cólon e reto (20.470 novos casos/ano); de colo de útero (16.590 novos casos/ano); traqueia, brônquio e pulmão (12.440 novos casos/ano) e tireoide (11.950 novos casos/ano).

Entre os homens, por sua vez, os cânceres mais comuns são o de próstata (65.840 novos casos/ano); cólon e reto (20.520 novos casos/ano); traqueia, brônquio e pulmão (17.760 novos casos/ano); estômago (13.360 novos casos/ano); e cavidade oral (11.180 novos casos/ano).

Diagnóstico precoce

De acordo com o presidente da Comissão de Ações Sociais da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), Marcelo Averbach, a prevenção a partir da melhoria dos hábitos de saúde e o diagnóstico precoce são fundamentais para o tratamento diferentes tipos de tumores, como os do aparelho digestivo.

“Quando falamos na prevenção do câncer colorretal, por exemplo, precisamos pensar na prevenção primária e secundária. A prevenção primária tem muito a ver com os hábitos e o estilo de vida das pessoas e a secundária está relacionada à detecção de lesões pré-câncer”, diz. Em regiões do País onde o consumo de proteína animal é maior, por exemplo, observa-se uma maior incidência de câncer colorretal na população. O INCA estima que, em 2020, serão 3.750 novos casos em homens e 3.620 em mulheres, somente na região Sul.

Apesar de altamente preveníveis, a detecção tardia prejudica o tratamento de tumores. Se detectados precocemente, os pólipos (lesões intestinais pré-câncer) podem ser tratados, prevenindo, assim, a formação de um tumor. “Até 80% dos casos de câncer de cólon e reto poderiam ser evitados com a prevenção, rastreando tumores em fase inicial”, conclui o especialista.

Envelhecimento e câncer

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) destaca ainda a importância do diagnóstico e tratamento de tumores entre pessoas com 60 anos ou mais, que representam aproximadamente 60% das incidências e cerca de 70% das mortes por câncer.

“Cânceres como o de próstata, nos homens, e de mama, nas mulheres, são mais comuns nessa fase da vida. Outros tipos de tumores, como o de pulmão, também ocorre, pois, normalmente, estão relacionados a uma maior exposição ao tabagismo com o decorrer da idade”. Assim, explica a médica geriatra e presidente da Comissão de Oncogeriatria da SBGG, Drª Theodora Karnakis.

A especialista em envelhecimento explica que é importante a prevenção ao câncer desde cedo. “Ter hábitos de vida saudáveis, como a alimentação adequada e a prática regular de atividades físicas, prevenir contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e fortalecer, por exemplo, campanhas para a vacinação contra o HPV entre as adolescentes são ações que refletirão positivamente na saúde da população idosa do futuro”, conclui.

INCA lança estimativas de casos novos de câncer para o triênio 2020-2022

Foto: Shutterstock

Fonte: INCA  

 

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