Dia da conscientização da dermatite atópica

Cerca de 25% das crianças brasileiras que possuem dermatite atópica, não tem o diagnóstico correto. Em 70% dos casos, a doença apresenta significativa melhora após a chegada da adolescência

A dermatite atópica atinge cerca de 5% das crianças brasileiras, porém apenas 25% dessa parcela têm o diagnóstico correto. Além disso, muitas pessoas ainda não conhecem a doença. Crônica, a dermatite atópica é uma doença infamatória de pele, associada à coceira e não contagiosa. Não existe cura para a doença, porém, através do tratamento é possível controlar quase 100% dos sintomas.

A dermatite atópica depende de diferentes alterações no organismo para o seu desenvolvimento, como: alterações estruturais e funcionais da pele, do sistema imunológico, e das bactérias que habitam a pele e o intestino; e fatores ambientes, psicológicos e genéticos.

Porém, há tratamento para a doença, através do controle das lesões e do alívio dos sintomas. Alguns destes sintomas são: pele seca, coceira e lesões vermelhas no pescoço, no rosto e nas dobras dos braços e das pernas.

“A doença compromete as barreiras de proteção da pele, por isso, é fundamental aplicar diariamente hidratantes específicos para a doença, disponíveis na farmácia”, afirma a médica dermatologista membro da Academia Americana de Dermatologia, Dra. Flavia Addor. Porém, a hidratação deve ser feita da maneira correta.

A importância da hidratação diária no tratamento da dermatite atópica

“O hidratante comum, que compramos para a perfumação, é diferente do hidratante específico para a dermatite atópica, pois não recupera a barreira cutânea. O específico é hipoalergênico e sem perfume e não deve ser substituído pelo hidratante comum. Além disso, ele possui princípios ativos que agem diretamente na inflamação”, complementa a Dra. Flávia. A médica também afirma que cuidados simples como evitar consumir alimentos que causem alergia, não tomar banhos quentes e demorados, manter-se calmo e utilizar colchas e capas de travesseiros antialérgicos auxiliam o paciente com dermatite atópica a evitar crises de coceiras.

Entretanto, a doença costuma evoluir com períodos de melhora e de piora, pois diversos fatores externos contribuem para esses períodos. “A família deve aderir ao tratamento junto com o paciente, sendo um exemplo para as crianças com dermatite atópica. Assim, fica mais fácil para o paciente seguir as recomendações do tratamento e realizar as pequenas mudanças diárias necessárias para controlar a doença”, afirma a dermatologista e consultora da Libbs, Dra. Paula Ferreira.

Fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença

De acordo com estudos, outro fator que contribui para o desenvolvimento da doença é a urbanização do estilo de vida. “Estudos mostram que nos grandes centros urbanos brasileiros existe uma maior prevalência da doença. Em cidades como São Paulo (SP), cerca de 10% das crianças até cinco anos possuem a doença. Isso acontece porque devido a higiene excessiva podem ocorrer algumas respostas alérgicas, como a dermatite. Porém, o grande desafio ainda é o diagnóstico corretor e o acompanhamento da doença”, afirma a Dra. Flávia.

A dermatite atópica não possui cura, mas com o tratamento correto e com pequenas mudanças do dia a dia, como utilizar hidratantes específicos para a doença todos os dias após o banho, os sintomas se tornam mais escassos. “Não gosto de usar a palavra cura, porque a dermatite atópica não é uma doença, ela é uma pré-disposição genética que tem controle. Além disso, ela pode ser mais ou menos intensa de acordo com a abordagem emocional, familiar e alimentar”, complementa a Dra. Flavia.

Dia mundial de conscientização sobre a dermatite atópica

Ontem (23/09) é comemorado o dia mundial da conscientização da dermatite atópica e para promover um maior conhecimento da doença a farmacêutica Libbs promoveu um bate-papo sobre o assunto, em São Paulo (SP). As pessoas que possuem a doença ainda são alvo de muito preconceito e estigmatização. Isso ocorre em sua maioria devido as feridas na pele e as restrições alimentares.

“Ainda existe muito preconceito e só conseguimos vencer isso com a informação correta”, conclui a Dr. Flavia. Dessa forma, a conscientização tem o papel de auxiliar as pessoas a conhecerem a dermatite atópica e entenderem que a doença não é contagiosa e pode ser tratada.

“É necessário humanizar a doença e conscientizar sobre o tratamento. O autoconhecimento é essencial para o controle da doença. Por isso, mesmo em períodos sem crise, aplique o hidratante correto e siga as instruções do seu médico”, complementa a Dr. Paula.

Foto: Libbs
Fonte: Guia da Farmácia

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Sobre o colunista

Victoria Nascimento

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