Dentro do core business

Os medicamentos, produtos de maior importância dentro dos negócios de uma farmácia, têm o segmento dos MIPs como destaque nos resultados

Os números da indústria demonstram a intensão dos laboratórios farmacêuticos do País em apostar nos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs). E com o varejo farmacêutico não tem sido diferente, independentemente do porte do estabelecimento. As lojas têm se atentado para esses produtos de venda livre e desenvolvido ações para garantir a atratividade e importância da categoria no ponto de venda (PDV). 

A Rede Farmafort, por exemplo, que faz parte da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), acompanha essa tendência. Ao todo, são 21 lojas que começaram sua trajetória há 36 anos em Sorocaba e cidades do entorno, localizadas no interior do estado de São Paulo. 

Segundo o diretor administrativo da rede, Rogério Lopes Junior, os MIPs representam 9% do faturamento. Ele afirma, ainda, que essa categoria de produtos conseguiu retomar o crescimento após a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que esses produtos pudessem voltar ao autosserviço. 

“Entre agosto de 2009 e julho de 2012, quando as farmácias tiveram de dispor os MIPs atrás do balcão, as vendas dessa categoria caíram cerca de 40%. Passado esse período, crescemos cerca de 30%”, comenta Lopes Junior. 

E o executivo faz projeções bastante positivas em relação ao futuro dos MIPs, acreditando que as vendas possam triplicar. “Acredito que esses medicamentos podem passar a representar mais de 30% do faturamento, com o investimento em mudanças no layout”, justifica, acrescentando que quando as lojas passaram pela última grande reforma, em dezembro de 2011, atingiram 50% de crescimento com produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPCs) e ainda não havia sido contemplada a categoria de MIPs. 

Em linha com o varejo

A importância da exposição correta também tem sido uma preocupação da indústria, que desenvolve pesquisas específicas para identificar como comunicar melhor suas marcas com o ponto de venda (PDV). 

A diretora de vendas da Merck Consumer Health, Vânia Otoboni, conta que, em 2013, a empresa desenvolveu estudos de shopper para entender um ponto crucial: o quanto os consumidores entendiam sobre os diferenciais de Floratil [Medicamento Isento de Prescrição (MIP) indicado para regular a flora intestinal] versus demais concorrentes diretos e correlatos. 

“Os resultados comprovaram que os shoppers conhecem as diversas subcategorias de medicamentos gastrointestinais e as consomem de formas distintas. A partir disso, desenhamos nossas estratégias de comunicação e planograma no PDV”, conta. 

Entre os pontos-chave para o sucesso de Floratil nessa migração, ela cita a comunicação no PDV alinhada com a estratégia de marketing e a mídia vigente; materiais na gôndola capazes de enfatizar, de forma clara, o principal benefício do produto; a garantia de espaço e volume ideais nas gôndolas, sempre ao lado de outros produtos gastrointestinais geradores de fluxo; e a necessidade de explorar pontos de sinergia com categorias correlatas. 

“A interação dos farmacêuticos com novos projetos, como o gerenciamento de categoria, é essencial para facilitar a experiência de compras de MIPs nas farmácias”, finaliza.

Crescimento acima da média na Abrafarma

O grande varejo farmacêutico nacional continua crescendo acima dos dois dígitos. É o que revelam dados divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). 

Mesmo diante de um cenário econômico desfavorável, as redes de farmácias faturaram cerca de R$ 8,24 bilhões em vendas totais no primeiro trimestre deste ano − um valor 10,42% superior ao mesmo período do ano anterior. 

Em 2014, as vendas totais cresceram 12,81% ante 2013, somando R$ 32,38 bilhões. E a classe dos medicamentos, que cresceu 11,9% no período, em valor, foi responsável por 66,95% desses resultados. Quando analisados apenas os MIPs, vê-se que essa classe de medicamentos movimentou R$ 4,9 bilhões, com alta de 22,24%, o maior entre os outros medicamentos, e foram seguidos pelos de prescrição (+10,52%); os genéricos (+6,38%); e os de prescrição controlada (+4,55%). Em relação à representatividade no faturamento, os tarjados ainda abocanham a maior fatia, com 60,85% e os MIPs aparecem em segunda colocação, com 22,67%.

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“No nosso planejamento, de 2015, um dos objetivos é realizar as adequações necessárias de layout nas nossas lojas, justamente para aumentar a participação da categoria”, comenta o diretor administrativo da Rede Farmafort. 

E, segundo o executivo, entre as mudanças contempladas, uma delas será o aumento da área de exposição dos MIPs (hoje a maioria deles ainda está dentro dos balcões); e outra será a inserção da categoria mais próxima ao balcão do farmacêutico, para que o consumidor consiga solucionar, mais facilmente, suas dúvidas de uso. 

“O fato de ser isentos de prescrição, não significa que esses medicamentos sejam isentos de reações adversas, interações ou algum tipo de complicação. E é justamente o farmacêutico, com seu vasto conhecimento, que irá contribuir muito com a saúde dos que o procuram”, argumenta Lopes Junior. Ele acredita, ainda, que esse profissional precisa ser proativo com as necessidades do paciente, sempre com equilíbrio e ética para atingir boas vendas.

Para Lopes Junior, nem mesmo a crise econômica pela qual atravessa o País será capaz de reduzir as projeções. Muito pelo contrário. Para ele, esse é um setor que deve crescer diante das dificuldades dos brasileiros. 

“Existem várias regiões do País com muitos problemas de assistência médica. Assim, as pessoas tendem a tentar resolver, sozinhas, seus problemas de saúde, procurando produtos dessa categoria”, mostra, reforçando que, dessa forma, cresce, ainda mais, a importância do farmacêutico. 

Para ele, esses profissionais precisam realizar programas de capacitação para MIPs (muitos Conselhos Regionais de Farmácia já o fazem), a fim de atender a essa crescente demanda da população. Para o executivo da Farmafort, os principais desafios a fim de se potencializarem os resultados com os MIPs estão focados na adequação dos espaços destinados à categoria dentro da loja; e na realização de alianças com os laboratórios fabricantes. “Essas parcerias ajudam para a realização das mudanças necessárias nos pontos de vendas”, conclui.

O presidente da Febrafar, Edison Tamascia, afirma que as taxas de representatividade dos MIPs nas redes associativistas acompanham os números do mercado e que expor produtos na área de autosserviço tem sido a maior estratégia para explorar os pontos de venda. “Criamos expositores e espaços personalizados para a categoria”, avisa, salientando a importância de precificar corretamente, manter os estoques adequados e usar móveis apropriados para a exposição a fim de se manter o crescimento da categoria.

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MIPs 2015

Especial MIPs 2015

Essa matéria faz parte do Especial MIPs 2015.

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