Pacientes com baixos níveis de Vitamina D têm maior compulsão alimentar, observa estudo

Estudo observacional publicado no European Eating Disorders Review notou relação entre níveis baixos de Vitamina D e comportamentos de impulso em pacientes com transtorno alimentar

A pandemia do Coronavírus acendeu na população a luz de alerta sobre a importância da vitamina D, por conta do seu papel na saúde dos ossos e do coração, além do sistema imunológico. No entanto, esse hormônio esteroide é estudado há anos e tem fundamental importância para o equilíbrio de diferentes órgãos, já que controla mais de 3 mil genes e tem mais de 80 funções no organismo. Em um estudo recente, publicado em maio no European Eating Disorders Review, os pesquisadores observaram a relação entre baixa vitamina D e comportamentos de impulso em pacientes com transtorno alimentar.

“Há evidências crescentes de que os níveis de vitamina D têm um papel não apenas na saúde óssea e no metabolismo energético, mas também no apoio ao sistema nervoso e às funções cerebrais, incluindo a impulsividade. Os comportamentos impulsivos são considerados características de grande relevância em pacientes com Distúrbios Alimentares, tanto no curso da doença quanto no tratamento”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

No estudo, foram inscritos 236 pacientes com diagnóstico de Distúrbios Alimentares, recrutados consecutivamente em uma enfermaria entre 2014 e 2018. Os pacientes foram classificados como impulsivos ou não impulsivos, com base na presença de comportamentos descontrolados clinicamente relevantes. “Os pacientes impulsivos apresentaram níveis estatisticamente mais baixos de vitamina D do que os não impulsivos. Este estudo gerador de hipóteses confirmou parcialmente uma relação entre a deficiência de vitamina D e comportamentos impulsivos”, explica a Dra. Marcella.

Vitamina D e a compulsão alimentar

A síntese de Vitamina D durante a quarentena é um dos temas mais debatidos ultimamente. “Ela é produzida pela pele em resposta à exposição solar. Existem alimentos ricos em vitamina D, como peixes gordurosos (salmão), ovos e laticínios. Mas, mesmo com essa alimentação, a exposição solar é importante, pois o sol é responsável por 80 a 90% da conversão da vitamina do organismo”, diz a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Para evitar a carência da substância, a Dra. Paola lembra que o recomendado é tomar 15 minutos de sol por dia. “Isso pode ser feito no momento em que você colocar o lixo para fora, levar o cachorro para passear ou estender as roupas”, afirma a dermatologista. “Não é necessário expor o corpo todo sem proteção: o rosto deve estar sempre com fotoprotetor e você pode expor qualquer outra parte do corpo nesse período”, afirma a Dra. Marcella.

Com relação à suplementação nesse período, o ideal é consultar um médico. “A suplementação indiscriminada de vitamina D não é recomendada, pois, em excesso, pode gerar efeitos tóxicos (até insuficiência renal nos casos graves)”, diz a Dra. Paola. “Caso você acredite que seus níveis de Vitamina D estão abaixo do recomendado, consulte um médico. Ele poderá constatar se há deficiência e a causa do problema para prescrever a suplementação adequada de acordo com suas características”, diz a médica nutróloga.

Foto: Shutterstock

Fontes: Dra. Marcella Garcez e Dra. Paola Pomerantzeff

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