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Pós-covid: menor procura por vacinas derruba receita da Moderna em 62%

Guia da Farmácia Por Guia da Farmácia 10 de janeiro de 2024 Atualizado em: 10 de janeiro de 2024 Nenhum comentário 8 Minutos de leitura
Brasil-recebe-vacina-atualizada-da-covid

Em relatório a investidores na segunda-feira (8), a empresa de biotecnologia Moderna divulgou que vendeu US$ 6,7 bilhões (valor não auditado) em vacinas contra a covid-19 em 2023, volume 62% menor que em 2022, de US$ 18 bilhões. O resultado é fruto de uma queda acentuada na demanda por produtos de combate à doença, à medida que os casos e a preocupação com o vírus diminuíram.

A demanda menor por vacinas impactou diretamente as ações da farmacêutica, que nos últimos 12 meses acumularam queda de 39,5% na Nasdaq. Os BDRs (recibos das ações listadas na B3) recuaram 42,4% no mesmo período.

Ainda assim, a fabricante observou que sua vacina (único produto disponível comercialmente) conquistou 48% da participação no mercado de vacinas contra covid nos EUA no ano passado. Isso representa um aumento de 37% em relação a 2022.

A questão é que a companhia espera que suas vendas caiam ainda mais em 2024, o que pode tornar o ano ainda mais sombrio para seus resultados e desempenho das ações.

A previsão é de US$ 4 bilhões em vendas em 2024, o que inclui desde vacinas contra covid, como outras doenças, como causadas pelo vírus sincicial respiratório (RSV) – que acomete de forma mais grave adultos com 60 anos ou mais idosos e crianças. Essa última deve obter aprovação do órgão regulador americano (Food and Drug Administration) em abril.

Retomada só em 2025

Mas há uma luz no fim do túnel para a Moderna: a empresa projeta sua retomada orgânica em 2025, atingindo o ponto de equilíbrio em 2026 com o lançamento de novos produtos. São pelo menos 45 em desenvolvimento, sendo nove em estágio final de testes.

Entre eles está uma vacina combinada contra a gripe e covid com expectativa de aprovação em 2025 e outra contra a covid de próxima geração (mRNA-1283). Essa está hoje em seu estudo principal de fase 3. A companhia deverá divulgá-lo ainda no primeiro semestre deste ano.

Estão também na fase 3 (que avalia segurança e imunogenicidade na prevenção de infecção primária) a vacina contra o citomegalovírus (CMV), da família do herpesvírus, assim como terapias de tratamento (e não de prevenção) contra alguns tipos de câncer, como de pele e pulmão.

Em razão destes lançamentos, permanece o otimismo da Moderna quanto ao crescimento de nos próximos dois anos, após aprovação das vacinas e terapias em curso.

No final de 2023, a empresa tinha em caixa, equivalentes de caixa e investimentos o montante de US$ 13 bilhões. Em 22 de fevereiro, serão conhecidos os detalhes financeiros da empresa durante teleconferência de resultados.

Pfizer em situação semelhante

A rival Pfizer também enfrentou um 2023 desafiador, com declínio de 41,4% no desempenho das ações com menores receitas. A fabricante reduziu sua previsão de receita em 2023 entre US$ 58 bilhões e US$ 61 bilhões, contra estimativa anterior de US$ 67 bilhões a US$ 70 bilhões.

Para piorar, as perspectivas para 2024 estão idênticas às projeções de faturamento para 2023, decepcionando o mercado e fazendo com que analistas de Wall Street revisassem para baixo o preço-alvo para as ações, segundo o MarketBeat.

Os papéis têm estado sob pressão à medida que o otimismo em relação às vendas futuras de imunizantes contra covid diminui e investidores aguardam qual será o próximo grande sucesso da companhia.

A Pfizer chegou a apostar em tratamentos para perda de peso, porém, dado as altas taxas de feitos colaterais, teve de interromper o desenvolvimento de duas pílulas contra obesidade, segundo a CNBC.

Outro ponto sensível é que o laboratório terá patentes expiradas entre 2025 e 2028 – acontecimento rotineiro na indústria farmacêutica. A questão é que algumas delas envolve os medicamentos mais vendidos para tratar câncer da mama e AVC.

Ainda assim, tal como outras grandes farmacêuticas, a Pfizer consegue ir além de vacinas contra covid ao investir em aquisições, pesquisa e desenvolvimento. Em 2022, foram feitas três aquisições no valor total de US$ 26 bilhões para acesso a tratamentos para úlcera, anemia falciforme e enxaquecas.

Mas em maio do ano passado, a companhia disse que a “era” das grandes aquisições seria reduzida, a fim de se concentrar em seu programa de recompra de ações – interrompido em 2022.

Isso abre portas para mais dividendos aos acionistas, como a própria companhia indicou ao aumentar o provento para US$ 0,42 por ação a partir de 1º de março de 2024 – valor 2,4% maior em relação ao mesmo período de 2023.

A fim de não se manter refém de medicamentos voltados à covid, o laboratório apontou estar trabalhando em tratamentos para gripe, meningite, câncer de sangue, mieloma múltiplo, dermatite atópica e o vírus sincicial respiratório (RSV) – semelhante a rival Moderna.

Sendo assim, a empresa espera gerar US$ 20 bilhões ou mais em vendas até 2030 a partir de sua própria pesquisa e desenvolvimento.

Astrazeneca na frente?

Em comparação com seus pares, a fabricante de vacinas sueco-britânica Astrazeneca parece menos penalizada, com suas ações nos últimos 12 meses em queda de menos de 3%.

Sua receita – quando excluídos os medicamentos não voltados à covid – cresceu 13% nos primeiros nove meses de 2023 ante a igual período do ano anterior (este foi o último reporte divulgado). Já a receita total de US$ 33,7 bilhões teve aumento de 5%, impactada pela queda nas vendas dos medicamentos contra covid.

É em outros tipos de tratamentos que a farmacêutica vê maior crescimento de receitas, a exemplo do aumento de 20% em tratamentos oncológicos.

Tanto que a tacada mais recente da britânica foi a aquisição da desenvolvedora chinesa de terapia celular Gracell Biotechnologies por US$ 1,2 bilhão.

A empresa é especializada em terapia celular para combate ao câncer, por meio de uma abordagem que modifica as células imunológicas do próprio paciente, de forma a  potencializá-las para o enfrentamento da doença.

O laboratório quer expandir o portfólio e aumentar sua presença na China, segundo maior mercado da companhia, atrás dos EUA. O país asiático é um mercado-chave para a companhia, segundo fato relevante do final de dezembro.

Mas o acordo precisa de aprovações regulatórias, e deve ser concluído no primeiro trimestre de 2024. Após a conclusão, a Gracell Biotechnologies operará como uma subsidiária integral da Astrazeneca, mantendo suas operações tanto na China quanto nos Estados Unidos.

Em novembro do ano passado, a AstraZeneca também fechou um negócio com a Eccogene Inc., uma empresa de biotecnologia chinesa, para desenvolver uma pílula para perda de peso.

BionNTech no rali da diversificação

A alemã BioNTech também segue diversificando seu portfólio para além da vacina contra a covid ao investir em novas vias de crescimento focadas em oncologia. A empresa segue com testes de vacinas de mRNA para herpes e herpes zoster em parceria com a Pfizer. Também está nos planos testes para uma vacina contra malária e tuberculose.

Recentemente, a farmacêutica adquiriu a MediLink Therapeutics’ que atua no tratamento do câncer. A negociação foi firmada em US$ 70 milhões.

A BioNTech ficou  famosa por sua vacina contra covid-19 em colaboração com a Pfizer, uma vez que já tinha a tecnologia mRNA no início da pandemia.

Listada na Nasdaq (BNTX), a companhia amarga queda de 24,7% em 12 meses, uma vez que, assim como seus pares, a alemã registrou queda nas receitas puxada pelas menores vendas da sua vacina contra covid.

Em seu último relatório de lucros para o trimestre encerrado em 30 de setembro de 2023, a companhia apontou que suas receitas caíram de 3,4 bilhões de euros um ano antes para 895,3 milhões.

Recomendações de analistas

Segundo consenso do MarketBeat com analistas que cobrem os papéis, a companhia tem recomendação hold (equivalente a neutra) e preço-alvo médio de US$ 151, um upside de 35%, segundo cotação de segunda (8).

Da mesma forma, as ações da Pfizer têm recomendação neutra, com preço-alvo médio de US$ 40, upside de 35%. Por sua vez a Moderna, que também tem maioria de recomendações neutra, possui preço alvo médio alvo de US$ 130, potencial de alta de 15%.

Apenas a Astrazeneca tem maioria de recomendações de compra; o preço médio alvo é de US$ 80, upside de 16%.

Anvisa aprova registro definitivo da vacina Covid-19 da Janssen

Fonte: Invest News

Foto: Shutterstock

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