Nutracêuticos: De dentro para fora

O mercado de nutracêuticos deve passar de us$ 49 bilhões até 2023. Uma categoria que, ao lado dos nutricosméticos, ganha novos shoppers a cada dia, abrindo um leque de oportunidades para farmácias e drogarias

Assim é o segmento de vitaminas e suplementos pelo mundo. De acordo com o relatório de “Mercado de Ingredientes Nutracêuticos por Tipo – Previsão Global 2023”, divulgado pela Marketsand Markets, estima-se que o mercado de nutracêuticos atinja US$ 49,02 bilhões até 2023. Em termos de volume, a pesquisa indica que esse mercado deverá atingir 3.027,1 toneladas em 2023.

Já a pesquisa Consumo de Vitaminas, divulgada em abril deste ano, pelo Instituto Qualibest, mostrou que em pessoas de até 39 anos de idade, especialmente mulheres, o consumo de vitaminas vai além dos cuidados com a saúde, ou seja, elas estão buscando produtos vitamínicos que tenham efeitos em cuidados estéticos, como cabelo, pele, emagrecimento e até ganho de massa muscular.

O levantamento apontou ainda que entre o público que busca repor nutrientes (pessoas acima dos 50 anos de idade), 15% consomem colágeno. Entre os mais vaidosos, 21% compram produtos voltados para cuidados com os cabelos; 19%, emagrecimento; e 15%, textura da pele e massa muscular.

Nutracêuticos e Nutricosméticos: entenda a categoria

O QUE SÃO?

• Nutracêuticos: estão situados entre o farmacológico e o alimentar e têm a função de melhorar algum aspecto relacionado à saúde do indivíduo.

• Nutricosméticos: têm a funcionalidade cosmética. Geralmente, são de uso oral e têm a função de embelezar a pele, por exemplo, mas também podem ser de uso tópico, porém sempre com uma base nutricional, como o gel de alecrim, usado no couro cabeludo.

FORMA DE AÇÃO

• Nutracêuticos: são produtos com baixo valor calórico e baixo teor de açúcares e gorduras, altas concentrações de vitaminas, proteínas, etc.

• Nutricosméticos: têm como função nutrir a pele de dentro para fora por meio da ingestão de cápsulas e sprays de beleza ricos em propriedades antioxidantes e com vitaminas B, B5, H, C e E, coenzima Q10, chá verde, isoflavonas e colágeno hidrolisado, entre outras substâncias. Gradativamente, o uso melhora a função orgânica do organismo, sendo benéfico ao metabolismo.

COMPOSIÇÃO

• Nutracêuticos: aqueles específicos para cabelos, unhas e pele são ricos em vitaminas e antioxidantes. Entre eles: complexo B; vitaminas A, D, C e E; ômega 3; coenzima Q10 e licopeno; aminoácidos e proteínas, como a cistina e a queratina; e oligoelementos, como ferro, zinco e o silício orgânico.

• Nutricosméticos: oferecem nutrilatina; óleo de canola; maltodextrina; zinco; vitamina C; vitamina E; cobre; óleo de gérmen de trigo; amido de arroz; cromo; vitamina B6; selênio; e biotina.

RESULTADOS

Desde que os produtos sejam administrados de forma correta e que o paciente tenha auxílio e acompanhamento de um profissional, os resultados surgem a partir de 60 dias. Vale ressaltar que o uso deve sempre ser associado com uma boa alimentação.

Fontes: dermatologista e assessora do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Tatiana Gabbi;

e esteticista e cosmetóloga, diretora da Clínica Mademoiselle SPA, em Uberaba (MG), Paula Chagas
Aliás, o conceito de beleza de dentro para fora surge a partir do momento em que as pessoas passam a perceber a relação que existe entre a boa alimentação e a saúde do organismo como um todo.

“Se cuidamos do corpo para ter uma saúde melhor, nada mais justo do que ter uma pele melhor, por exemplo. As pessoas precisam prestar atenção àquilo que consomem e como isto reflete na saúde e na beleza. Não existe pílula mágica que possa substituir uma boa alimentação. Para alcançar os resultados desejados, é preciso uma mudança no estilo de vida”, comenta a dermatologista e assessora do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Tatiana Gabbi.

Estratégia de Vendas

MIX

Não existe nenhuma ação mais poderosa do que ter o sortimento correto. E o ponto principal para a performance de qualquer categoria é a gestão do sortimento. Portanto, como ponto de partida, sugere-se que exista um processo data driven (conceito orientado por dados) analisando o mix do mercado e a cobertura (presença desse mix no portfólio).

EXPOSIÇÃO

Os nutracêuticos e nutricosméticos devem ser expostos no autosserviço, uma vez que são compostos por SKUs (a sigla que representa o termo Stock Keeping Unit, em português, Unidade de Manutenção de Estoque, é definida como um identificador único de um produto e é utilizada para manutenção de estoque), que possuem venda isenta de prescrição médica. No entanto, é sempre importante observar a presença ou não de “tarja vermelha”, pois algum fabricante pode ter formulações com características exclusivas.

• Dicas para os nutricosméticos
Devem estar próximos às categorias de dermocosméticos e artigos de beleza, uma vez que a mulher é o grande público-alvo. Quando possível, sugere-se que seja criada uma gôndola, prateleira ou display que permita a comunicação clara para a consumidora. É preciso aproveitar todo o potencial desse shopper no momento correto da jornada de compras dentro das lojas.

• Dicas para os nutracêuticos
Podem ser alocados de forma adjacente aos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs) e suplementos alimentares. As principais subcategorias envolvem gestão de doenças crônicas (problemas articulares, sarcopenia, etc.) e cuidados preventivos (saúde intestinal, imunidade, entre outros).

• Indicações de uso
O ponto de venda (PDV) deve considerar que existem produtos com diferentes indicações de uso. Sendo assim, devem ser divididos em dois grandes blocos: beleza e gestão de doenças crônicas/autocuidado.

ATENDIMENTO

Estas categorias fazem parte de um escopo em que as vendas acontecem de modo consultivo, ou seja, quando o cliente, na maioria das vezes, precisará de orientação para auxiliá-lo. Nesse sentido, a grande saída para o aumento de performance de vendas consultivas está na atuação do farmacêutico como um grande educador de equipes e clientes.

Fonte: CEO da RSM Pharma Consultoria, Rodrigo Moura

Ela acrescenta que para melhorar ou corrigir um problema, seja ele estético ou de saúde, é preciso identificar todas as influências que o meio exerce sobre essa pessoa e aí, sim, buscar as melhores opções de tratamento.

Vale destacar que, desde 1990, as indústrias vêm crescendo rapidamente e as tendências de mercado estão à frente com produtos inovadores e de alto padrão. Entre eles, os nutracêuticos e os nutricosméticos.

“O Brasil é um dos países que mais consomem esses produtos. Diante desse cenário, nos últimos anos, o avanço nas descobertas da ciência da nutrição tem permitido saber mais sobre a ação de cada nutriente no organismo. E já sabemos que, para se ter uma boa saúde, necessitamos desses componentes, pois tudo que associamos e adquirimos como hábitos saudáveis irão resultar em saúde e beleza”, comenta a esteticista e cosmetóloga, diretora da Clínica Mademoiselle SPA, em Uberaba (MG), Paula Chagas.

Foto: Shutterstock

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