Close Menu
ASSINE o Guia da Farmácia Cadastre-se na Área Restrita

O que esperar da varíola dos macacos?

o-que-esperar-da-variola-dos-macacos

A varíola dos macacos, também conhecida como Monkeypox, segue em crescimento no País, fazendo com que o Brasil esteja em terceiro lugar no ranking mundial em número de casos. Segundo dados do Ministério da Saúde (MS), até o fechamento desta reportagem, em 13 de setembro, o País alcançava 6.129 casos confirmados e outros 6.158 suspeitos. Na ocasião, o estado de São Paulo liderava a lista, com 3.362 pacientes diagnosticados.

Segundo definição do MS, a doença é causada pelo vírus Monkeypox do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae. O nome deriva da espécie em que a enfermidade foi inicialmente descrita em 1958. Entretanto, apesar do nome, os primatas não humanos não são reservatórios do vírus da varíola.

Endêmica no continente africano, a Monkeypox começou a se espalhar pelo mundo após um surto na Europa em maio deste ano.

Transmissão e sintomas

A transmissão entre humanos ocorre, principalmente, por meio de contato pessoal com secreções respiratórias, lesões de pele de pessoas infectadas ou objetos recentemente contaminados. A erupção, geralmente, se desenvolve pelo rosto e depois se espalha para outras partes do corpo, incluindo os órgãos genitais.

A erupção cutânea passa por diferentes estágios e pode se parecer com varicela ou sífilis, antes de finalmente formar uma crosta, que depois cai. Quando a crosta desaparece, a transmissão deixa de ocorrer. Além das erupções, outros sintomas comuns são: febre; dor de cabeça e no corpo; além de fraqueza e inchaço dos gânglios linfáticos.

“Geralmente, os sintomas da doença duram de duas a quatro semanas e desaparecem sem a necessidade de tratamento. Apesar da baixa letalidade, em um primeiro momento, devemos ficar atentos ao avanço da Monkeypox, pois tem sido algo muito dinâmico”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Prof. Dr. Paulo M. Hoff.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu alerta sobre casos da doença em países não endêmicos. Desta forma, em 23 de maio último foi ativada a Sala de Situação de Monkeypox, na Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do MS para coordenar a resposta aos casos prováveis da doença no País e organizar as ações relacionadas à vigilância e assistência à saúde. Esta estrutura permite detectar casos, avaliar os riscos e impactos à saúde e monitorar e analisar os dados para subsidiar a tomada de decisão dos gestores e técnicos, nas orientações estratégicas adequadas e oportunas para o enfrentamento do evento de saúde pública.

Óbitos por Monkeypox

O primeiro óbito no Brasil, em decorrência da Monkeypox, ocorreu no fim de julho último em um paciente imunossuprimido em tratamento oncológico. No mesmo período, a OMS declarou que o surto da doença é uma “Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional”.

De acordo com dados da OMS, estão no grupo de pessoas vulneráveis a desenvolverem formas mais graves de Monkeypox os recém-nascidos e aquelas com imunossupressão – condição em que ocorre baixa resposta imune do organismo devido ao tratamento de doenças autoimunes ou câncer e em pacientes transplantados.

Caso esses pacientes sejam infectados, eles podem vir a desenvolver quadros mais graves da doença, como infecções da pele, pneumonia, confusão mental, cegueira e sepse. “Por isso, é muito importante manter medidas de prevenção semelhantes às do Coronavírus, como o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento físico”, enfatiza o Prof. Dr. Hoff.

Além disso, é importante não ter contato, como abraçar ou beijar pessoas que apresentem sintomatologia viral aguda, sobretudo, quando apresentam essas lesões. Além disso, deve-se evitar compartilhar toalhas, roupas, talheres e objetos pessoais.

“São cuidados básicos que devem ser incorporados ao nosso dia a dia, pois evitam a transmissão de qualquer doença viral, nos ajudando a combater surtos como o que estamos vivendo agora”, frisa a médica clínica do Hospital Municipal Evandro Freire, Dra. Cecille Gribell.

Em casos suspeitos e positivos da doença, deve-se fazer o isolamento evitando contato com outras pessoas e compartilhamento de objetos, medida que contribui para reduzir a propagação do vírus.

A doença pertence à mesma família e gênero da varíola humana, considerada erradicada na década de 80. Logo, a Monkeypox ainda não tem uma vacina específica, mas vacinas contra a varíola humana estão sendo utilizadas.

No dia 25 de agosto último, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou a dispensa de registro para que o MS importe e utilize no Brasil a vacina Jynneos/Imvanex, para imunização contra a Monkeypox. A autorização se aplica à vacina Jynneos (EUA) ou Imvanex (EMA) – vacina contra varíola e Monkeypox, vírus vaccínia modificado, cepa Ankara –, que, apesar de ser o mesmo produto, possui nomes diferentes nos Estados Unidos e na Europa.

Segundo o MS, serão priorizados os profissionais de saúde que apresentam maior risco de exposição, como aqueles que atuam diretamente na manipulação de amostras do vírus e no tratamento de pessoas diagnosticadas com a doença.

No Brasil, até o momento, não há submissão de protocolo de ensaio clínico em vacinas para ser conduzido nacionalmente, e não existe protocolo submetido ou mesmo vacina já registrada pela Anvisa com a indicação de imunização contra a Monkeypox.

Tratamento a caminho

Na mesma data, a Anvisa aprovou a dispensa de registro para que o MS importe e utilize no Brasil um medicamento para tratamento da doença. A autorização se aplica ao medicamento Tecovirimat, concentração de 200 mg, na forma farmacêutica cápsula dura, uso oral, prazo de validade de 84 meses e indicado para doenças causadas pelo Orthopoxvirus em adultos, adolescentes e crianças com peso mínimo de 13 kg.

Já no dia 29 de agosto último, a Agência autorizou o uso imediato e emergencial de 24 mil unidades de reagentes para diagnóstico da Monkeypox, compreendendo dois kits moleculares produzidos pela Bio-Manguinhos/Fiocruz: o kit molecular Monkeypox – MPXV e o kit molecular 5Plex OPV/ MPXV/ VZV/ MOCV/ RP. Ambos os kits se encontram em análise para aprovação de registro.

Com o pedido de uso emergencial dos dois kits, o MS pretende descentralizar a realização do diagnóstico da Monkeypox para a Rede de Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) e propiciar o diagnóstico mais oportuno, com a redução do tempo de liberação do resultado ao paciente.

Fonte: Guia da Farmacia
Foto: Shutterstock

Guia da Farmácia
Guia da Farmácia

Premiado pela Anatec na categoria de mídia segmentada do ano, o Guia da Farmácia é hoje a publicação mais conhecida e lembrada pelos profissionais do varejo farmacêutico. Seu conteúdo diferenciado traz informações sobre os principais assuntos, produtos, empresas, tendências e eventos que permeiam o setor, além de Suplementos Especiais temáticos e da Lista de Preços mais completa do mercado.