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O que você sabe sobre Nutrição Clínica?

A presença de alguma doença é capaz de desequilibrar a oferta de nutrientes necessários para cada faixa etária. Mercado já oferece suplementos específicos para diferentes perfis de pacientes

A relação dos brasileiros com a nutrição tem se transformado nos últimos anos. E para melhor! O consumidor parece estar mais atento às escolhas feitas no cardápio diário, assim como também está mais preocupado com a procedência dos alimentos, abrindo espaço para hábitos de vida saudáveis e, consequentemente, manutenção da saúde.

“Entretanto, quando surge alguma doença no meio do caminho, como no caso de diabetes, obesidade ou câncer, a ingestão de nutrientes pode ficar deficiente, exigindo atenção redobrada com a dieta”, adverte a nutricionista da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), Lara Natacci.

“É aí que entra em cena a Nutrição Clínica, que surge para complementar, com nutrientes específicos para cada perfil de paciente e doença envolvida, o tratamento medicamentoso. É com esse olhar individualizado que conseguimos melhorar a condição nutricional do paciente.”

Para a nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, Marcela Taleb Haddad, a nutrição especializada não está relacionada necessariamente às pessoas acometidas por alguma doença, ela também é direcionada para cada fase de vida do indivíduo.

Nutrição Enteral X Nutrição Parental

“A nutrição enteral é uma forma de alimentação para pacientes que não conseguem se alimentar por via oral (boca), por terem alguma disfunção da parte de deglutição ou que por algum motivo não conseguem se alimentar com risco de ficarem desnutridos”, explica a nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, Marcela Taleb Haddad.

“Dessa forma, a ingestão dos alimentos é feita por meio de uma sonda (passagem naso/orogástrica) posicionada no estômago ou no intestino delgado. Em geral, a nutrição enteral é indicada para um curto período, de até seis semanas.”

Já a nutrição parenteral é indicada quando o sistema digestivo do paciente não está funcionando adequadamente. Segundo a especialista do Sírio-Libanês, essa dieta é feita por meio de acesso venoso periférico ou central. “Basicamente, a dieta parenteral é composta por glicose, gorduras, proteínas, água, eletrólitos, sais minerais e vitaminas, que ajudam a manter a estabilidade do organismo.”

“Crianças, adolescentes, atletas, idosos e gestantes têm necessidades nutricionais distintas e específicas, independentemente de apresentarem alguma doença. Temos de ter um olhar atento também para esses grupos”, adverte.

“É fato que a nutrição é fundamental para o funcionamento adequado do organismo, promoção da saúde e, no caso dos pacientes com alguma doença crônica, boa recuperação e qualidade de vida. Não à toa, quando não se consegue atingir as necessidades nutricionais diárias por meio da alimentação, a suplementação aparece como alternativa”, explica Marcela.

“Antes de suplementar, avaliamos os exames laboratoriais, físicos, hábitos alimentares, doenças presentes e queixas do paciente para verificarmos os nutrientes deficientes e a melhor dieta para esse indivíduo.”

Embora os suplementos sejam desenvolvidos para atender às necessidades dietéticas específicas de cada perfil de paciente e comercializadas sem prescrição médica, a nutricionista da SBAN alerta para o uso somente sob a supervisão de um profissional de saúde.

“O consumo exagerado pode trazer alguns prejuízos à saúde, como toxicidade, por isso, a necessidade da avaliação nutricional e o uso consciente e correto desses produtos.”

Portador de diabetes

“Foi-se o tempo em que o portador de diabetes era obrigado a riscar o açúcar e os carboidratos de vez do cardápio alimentar. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esse paciente pode ingerir até 5% de sacarose do valor calórico total do dia. E mais, aquela história de que a alimentação do diabético é insossa ficou no passado”, garante Marcela.

“A contagem de carboidratos deu mais flexibilidade e autonomia para o paciente que, com o uso dessa ferramenta, aplica a quantidade de insulina de acordo com a quantidade de carboidratos ingeridos na refeição. Na prática, isso significa que a alimentação do diabético deve contemplar todos os grupos alimentares, mas nada em excesso e com algumas ressalvas”.

De olho nos lançamentos do mercado

“Para os próximos anos, a divisão Nestlé Health Science, líder em Nutrição Clínica no mercado brasileiro, promete investir mais em produtos com ingredientes naturais e também priorizar a sustentabilidade no âmbito hospitalar e da nutrição clínica”, antecipa a head da região LATAM de Nestlé Health Science, Monica Meale.

“Neste ano, temos lançamentos previstos para a categoria pediátrica de Medical Nutrition, incluindo ingredientes naturais na composição, e na área de Consumer Care, com muitas novidades previstas.”
“A preocupação com a sustentabilidade também será conferida em algumas novas embalagens, alimentos para situações metabólicas especiais destinados à nutrição enteral ou oral, normocalórico e hiperproteico”, avisa Monica.

“Dentro do mercado de nutrição especializada, a Nestlé tem um olhar de não só repor minerais e vitaminas, mas também de propor uma abordagem de cuidados e melhoria da jornada do paciente.”
“Recentemente, a indústria farmacêutica Abbott, líder global em nutrição do adulto, lançou no Brasil a fórmula Ensure Plus Advance, um suplemento com nutrientes que ajudam a reconstituir a perda muscular e a recuperar a força e a energia das pessoas”, comenta a gerente científica da Divisão Nutricional da Abbott no Brasil e nutricionista, Patrícia Ruffo.

Segundo informa a nutricionista, a orientação é para que eles deem preferência aos carboidratos integrais, pois têm absorção mais lenta, e tentem consumir as frutas sempre com alguma fonte de gordura poli-insaturada ou monoinsaturada, como sementes oleaginosas, ou com alguma fonte de proteína, como uma fatia de queijo branco, por exemplo, para que a absorção da frutose, açúcar presente na fruta, também seja mais lenta.

Se mesmo com toda a orientação nutricional, o portador de diabetes não consegue atingir as necessidades calóricas e proteicas diárias somente pela alimentação, Marcela orienta fazer a suplementação oral com fórmulas líquidas ou em pó disponíveis no mercado.

“Em geral, as fórmulas para diabéticos são preparadas com carboidratos complexos, mais fibras e isenção de sacarose para ajudar no controle glicêmico.”

Intolerância à lactose

Antes de eliminar o leite e seus derivados de vez da dieta alimentar, é preciso confirmar o diagnóstico da intolerância à lactose, assim como avaliar o grau da doença. Lara explica que, nos intolerantes, o organismo não produz a enzima lactase, responsável pela digestão da lactose, açúcar presente no leite e seus derivados. Segundo ela, o pico de produção dessa enzima se dá na infância, mas pode diminuir na idade adulta. Entretanto, normalmente, não cessa.

“Mesmo os pacientes diagnosticados com alguma intolerância conseguem tolerar boas quantidades de lactose, por isso, a dieta e a suplementação precisam ser bem individualizadas.”

A nutricionista da SBAN acrescenta que suprimir a ingestão do leite e seus derivados sem necessidade comprovada, apenas por conta daquelas dietas milagrosas que prometem o emagrecimento rápido, é uma armadilha. “A pessoa que faz isso pode até desenvolver um quadro chamado de intolerância transitória.”

“Além das fórmulas isentas de lactose, os intolerantes também podem recorrer às bebidas vegetais, como de amêndoas, aveia e castanha”, recomenda Marcela.

“No entanto, é preciso lembrar que o valor nutricional e a quantidade de proteínas e cálcio na composição dessas bebidas são bem diferentes dos oferecidos pelo leite de vaca. Por isso, mais uma vez, pode haver a necessidade de adequação do plano alimentar e avaliação da necessidade de suplementação.”

Osteoporose

Mais comum em mulheres acima dos 45 anos de idade, a osteoporose é uma doença que deixa os ossos frágeis e porosos com o avanço da idade, aumentando as chances de fraturas.

“Dieta pobre em cálcio, predisposição genética, diabetes e tabagismo são alguns dos fatores de risco para o surgimento da osteoporose, que exige o aporte de cálcio e outros nutrientes como parte do tratamento”, avisa a nutricionista do Sírio-Libanês.

“Além do cálcio, o paciente precisa investir em uma dieta rica em vitamina K, presente em couve-flor, couve-de-bruxelas, acelga, brócolis e espinafre; magnésio, presente nas verduras verde-escuras; zinco, que encontramos na carne vermelha, semente de abóbora e oleaginosas; e vitamina D adquirida por meio da exposição solar.”

Segundo a especialista, a suplementação para a osteoporose vai entrar em cena quando o paciente não consegue atingir a quantidade necessária desses nutrientes por meio somente da alimentação.

Câncer

Se a alimentação saudável e balanceada é fundamental para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida para qualquer pessoa, isso se torna ainda mais importante quando falamos de pacientes oncológicos. Por causa dos efeitos colaterais do tratamento a que são submetidos, eles podem ter mais dificuldade de se alimentar. Por isso, na maioria das vezes, é indicado fazer a suplementação.

Para se ter uma ideia da importância da alimentação do paciente com câncer, o Serviço de Alimentação do Hospital Sírio-Libanês, com o apoio do Centro de Oncologia da instituição, preparou uma publicação chamada Guia de Receitas para o Paciente Oncológico, que tem versão on-line gratuita no site www.hsl.org.br.

Segundo Marcela, a ideia é trazer dicas de alimentação variada, com receitas simples e cheias de sabor, repletas de nutrientes funcionais que minimizam alguns dos efeitos colaterais comuns no tratamento da doença, como náuseas, vômitos, falta de apetite, feridas na boca e língua, entre outros. “Além, é claro, de contribuir para a melhora do prognóstico, ajudar na manutenção do peso adequado e otimizar as funções imunológicas.”

Probióticos, prebióticos e simbióticos

Eles estão na moda e podem ser consumidos por meio da alimentação, mas muita gente recorre às cápsulas ou aos sachês. Sua principal função é equilibrar a microbiota intestinal, que ajuda na absorção dos nutrientes, reforça a imunidade e promove o funcionamento adequado do intestino.

Mas, afinal, qual é a diferença entre os probióticos, prebióticos e simbióticos? Quem explica é a nutricionista Lara, da SBAN.

“Os probióticos são bactérias que compõem a flora intestinal, sendo os principais representantes os lactobacilos e bifidobactérias. Os prebióticos são as fibras e outros componentes que servem como alimentos para essas bactérias. E, por fim, os simbióticos são a junção desses dois.”

Racional de exposição da categoria Nutrição Infantil

A categoria de Nutrição Infantil é formada por quatro subcategorias: Fórmulas Infantis, Compostos Lácteos (leites de crescimento), Cereais Infantis e, por fim, as Papinhas. De acordo com o gerente de projetos da Mind Shopper, Cristiano Samara, a exposição dos produtos deve seguir exatamente essa ordem.

“É a sequência dos itens de maior valor agregado para os produtos de menor valor. Além disso, dentro de cada subcategoria, vale separar os blocos de marca na vertical e na horizontal, buscando expor os diversos segmentos.”

No caso das fórmulas infantis, os itens do segmento rotina devem ser posicionados na parte de baixo da gôndola. Enquanto as fórmulas especiais, como sem lactose, prematuridade, antirrefluxo, hipoalergênica, entre outras, devem ficar em destaque na parte de cima da gôndola.

Por fim, “organizamos as diversas opções de embalagem disponíveis no mercado para cada produto, colocando os itens sempre agrupados um ao lado do outro ou um abaixo do outro, dependendo do tamanho do modular”, acrescenta Samara.

A especialista acrescenta que quando as bactérias maléficas estão em maior número na microbiota, há um desequilíbrio na absorção de vitaminas e minerais, podendo surgir alguns sintomas.

“A desregulação da microbiota intestinal pode causar constipação intestinal ou diarreia, formar fezes em formatos e/ou consistências que não são consideradas normais, o paciente pode ter dores ao evacuar, apresentar distensão abdominal e formar gases excessivamente.”

A nutricionista do Sírio-Libanês lembra que o uso excessivo de antibióticos, assim como o consumo exagerado de alimentos industrializados podem alterar a microbiota, exigindo o uso de probióticos. “Como existem várias cepas, a indicação do tipo de probiótico vai depender dos sintomas do paciente.”

Foto: Shutterstock

Efeito otimizado

Edição 320 - 2019-07-07 Efeito otimizado

Essa matéria faz parte da Edição 320 da Revista Guia da Farmácia.

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