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Empresas investem em maneiras de economizar água

Estima-se que cerca de 40% da população global viva hoje sob a situação de estresse hídrico. Em tempos de crise energética e de água, economizar estes recursos é função de todos, inclusive das empresas

Se algumas poucas horas sem água ou energia elétrica já são capazes de estressar qualquer um e trazer os mais diversos prejuízos, imagine ficar o dia todo, ou a semana toda, até um mês sofrendo constantemente com a falta destes recursos essenciais.

Nos últimos anos, o alerta para a escassez desses recursos tem sido constante. Com o crescimento populacional mundial, não é somente o Brasil que enfrenta a crise hídrica; diversos países já estão em busca de alternativas para não ficar sem esse bem tão precioso.

O relatório Gestão da Água sob Risco e Incerteza, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2012, diz que a água é um recurso natural crítico, do qual dependem todas as atividades econômicas e ecossistemas. Sua gestão requer arranjos de governança apropriados que permitam tirar a discussão das margens do governo e levá-la para o centro da sociedade.

A preocupação se reflete no Brasil. A Agência Nacional da Água (ANA) publicou, em 2013, o seu relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos, que mostrou que, entre 2006 e 2010, houve o aumento de cerca de 30% na retirada de água do País. 

E o Brasil é o líder de reserva de água no mundo. No planeta, há apenas 3% de reservas hídricas. Desse total, somos detentores de 13% das reservas de água doce. Segundo os ambientalistas, foi essa abundância, além da dimensão continental do País, que deram a falsa impressão de que a água seria um recurso inesgotável por aqui. A elevada taxa de desperdício de água no Brasil, 70%, comprova essa despreocupação.

Além disso, estima-se que cerca de 40% da população global viva hoje sob a situação de estresse hídrico. Essas pessoas habitam regiões onde a oferta anual é inferior a 1.700 m³ de água por habitante, limite mínimo considerado seguro pela ONU. 

De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar, com sede em Washington, até 2050, um total de 4,8 bilhões de pessoas estará em situação de estresse hídrico. 

E a falta de água caminha de mãos dadas com a de energia elétrica. Sem eletricidade, não temos água. Sem água, não temos energia.

Historicamente, o Brasil optou pela construção de usinas hidrelétricas como forma de obtenção de energia, aproveitando a grande quantidade de rios. Em 2013, por exemplo, 70% de toda eletricidade gerada no País veio de hidrelétricas.


Economia inevitável

Várias campanhas têm sido realizadas no sentido de mostrar a importância de se reduzir o consumo de água e energia. Principalmente pelas empresas. E a redução, além de ajudar na preservação do planeta, também gera economia para o empresário, que enfrenta uma situação econômica complicada neste ano.

De acordo com o presidente do Programa de Administração de Varejo/Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Provar/Ibevar), Claudio Felisoni de Angelo, estamos enfrentando uma economia com inflação de 8%, que já está sendo repassada ao consumidor. “As condições para o comércio são evidentes e impactam até em áreas que possuem bons resultados, como os produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPC).”

O impacto do aumento das tarifas de água e energia é apenas mais um dos problemas que o varejista está enfrentando. “Este ano é um ano de ajustes, com o declínio das vendas. A redução vai ser inevitável”, alerta Felisoni de Angelo.

Um exemplo da preocupação das indústrias com a escassez de água e energia vem da Medley Indústria Farmacêutica, uma empresa Sanofi. Eles estão adotando uma série de medidas para reaproveitar e estimular o uso racional da água. A meta da empresa é de, até 2020, diminuir em 25% o consumo de água em relação a 2010. Esse índice está bem próximo de ser atingido, pois, de 2010 a 2014, a empresa diminuiu em 22,2% o consumo de água. 

“A preocupação com o uso racional da água é antiga na Medley. Estamos trabalhando intensamente para reduzir nossos gastos e tornar, a cada dia, mais sustentável o nosso processo de fabricação, sem afetar a qualidade dos nossos produtos”, adianta o diretor-geral do laboratório, Wilson Borges. Em 2010, a Medley consumia um pouco mais de 79.355 m3. A empresa fechou o ano de 2014 com 53.406 m³.

Somente ao longo de 2014, uma série de ações reduziu em 14% o total de água consumido pela empresa. Na unidade de Campinas, a água imprópria para o consumo (rejeitada no processo de tratamento de osmose reversa) é reutilizada nos vasos sanitários, na limpeza das áreas externas e na irrigação do jardim. Assim, a economia chega a 600 mil litros/mês. Até a água que seria descartada pelo sistema de ar-condicionado está sendo captada e reaproveitada, gerando uma economia de 30 mil litros/mês.


Combate à crise e 
educação aos funcionários

Visando driblar a crise energética e hídrica, além de reduzir os gastos, as farmácias e drogarias têm adotado medidas de economia, principalmente de energia.

Um dos exemplos é o da Rede FarmaFort Santana de Sorocaba (SP). De acordo com o farmacêutico e administrador de empresas, diretor da empresa, conselheiro da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e consultor no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada (Cpdec), Rogério Lopes Junior, o consumo de água do estabeleci mento é muito baixo, porém, ele tem reuniões mensais com a equipe, para conversar sobre a importância da utilização racional, não somente na farmácia, mas também nas residências dos colaboradores.

Dicas de economia ajudam a reduzir até 15% do consumo mensal

O uso de equipamentos elétricos, como computadores, impressoras, telefones, televisores, elevadores, entre outros, contribui significativamente no consumo de energia em empresas e pequenos comércios. Por isso, a AES Eletropaulo reuniu algumas dicas que podem ajudar a reduzir em até 15% o consumo mensal de energia.

Confira:

Decoração

• Dê preferência às cores claras para paredes e tetos porque refletem melhor a luminosidade;

• Use lâmpadas fluorescentes ou de LEDs (Diodo Emissor de Luz, em português) que consomem 80% menos energia em relação às lâmpadas convencionais;

• Instale sensores de presença em corredores e áreas de menor circulação.

Ar-condicionado

• Mantenha portas e janelas fechadas enquanto estiver utilizando o ar-condicionado;

• Outra dica é fazer a limpeza/manutenção periódica nos filtros do ar para evitar sobrecargas no equipamento.

Elevadores

• Utilize as escadas para subir um andar ou descer dois. Isso faz com que os colaboradores pratiquem mais exercícios e economizem energia com a utilização do elevador. Outra dica é chamar apenas um elevador por vez.

Torneiras

• Dê preferência às torneiras automáticas. Além de economizar água, reduzem o consumo da bomba elétrica.

Equipamentos eletrônicos

• Utilize aparelhos de baixo consumo energético. Na hora da compra, verifique se o equipamento possui etiqueta do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia/Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Inmetro/Procel) (no caso de nacionais) ou Energy Star (no caso de eletrônicos importados);

• Não deixe aparelhos na tomada em stand by. Conecte o equipamento na tomada apenas quando for utilizar. A função stand by utiliza de 0,1 a 18 W de potência, dependendo do equipamento e da idade;

• Desligue o computador caso for ficar mais de 2 horas sem utilizá-lo, e o monitor, a partir de 15 minutos;

• Utilize aparelhos de LCD (em inglês, Liquid Crystal Display) ou LED que são mais econômicos.

 

“Com relação à energia, passamos para eles a importância do uso racional e mostramos o quanto foi alterado o valor nos últimos 12 meses (aqui cerca de 60%), e criamos uma escala de utilização no ar-condicionado (alter nando com o modo “ventilador”) e iniciando a utilização uma hora mais tarde e, nessa hora, deixamos abertas janelas menores e portas”, explica o diretor.


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O estabelecimento, gasta, mensalmente, 4.200 kW de energia e 8 m³ de água. Para chegar a esses números, a farmácia fez campanhas junto aos colaboradores no sentido de fazer o uso racional dos equipamentos. “A maior contribuição vem do uso do ar condicionado e da iluminação. Na nossa cidade, a cobrança de taxa mínima de água é a partir de 10 m³, gastamos apenas 8 m³”.

Os dois banheiros, com sanitários e pias, mais a pia na sala de aplicação de injetáveis, além da limpeza diária nas áreas de atendimento e vendas são os responsáveis pelo consumo de água. “Desde o ano passado, abolimos a lavagem externa da farmácia que era feita toda semana e, agora, realizamos a varredura da área externa.”

Os colaboradores recebem orientações para não fazer desperdício. Por exemplo, no local, os “lixos”, com plástico, papelão, latas e vidros, são armazenados e retirados por uma pessoa, que os utiliza para reciclar. 

E a economia já pode ser sentida pela empresa. “O consumo de água caiu pela metade, após a tomada de decisão de não mais ‘lavar’ a área externa. Em relação à energia, como tivemos longo período de altas temperaturas, a redução foi na ordem de 10% após fazer um escalonamento no uso do ar condicionado (são dois equipamentos de 60 mil BTUs) e substituir algumas lâmpadas consideradas mais econômicas.”

Investindo na economia

Pensando na redução do consumo na loja, as Farmácias Pague Menos firmaram um contrato com a empresa da multinacional de energia Enel, a Prátil, para a utilização de todos os lotes disponíveis na fase inicial do primeiro condomínio solar do Brasil. A energia gerada pelo empreendimento será utilizada para atender a 40 lojas da rede no estado do Ceará até dezembro deste ano. 

Nessa primeira etapa, foram investidos R$ 7 milhões e o contrato prevê a utilização de 1.750 MegaWatts/hora (MWh) por ano. A energia gerada pelo condomínio solar será injetada na rede da Companhia Energética do Ceará (Coelce), que por sua vez fará a compensação de kWh na conta de energia das lojas das Farmácias Pague Menos, resultando em uma economia de 8% por mês. 

“A iniciativa não apenas vai ao encontro do nosso compromisso com práticas sustentáveis, mas também contempla um dos tripés das Farmácias Pague Menos, que é o da inovação”, afirma o presidente da Pague Menos, Francisco Deusmar de Queirós. 

A intenção da rede é ampliar esse acordo para as próximas etapas do projeto tão logo estejam disponíveis. “Hoje, demos somente o passo inicial. Nossa ideia é expandir essa ação para atender a todas as lojas e aos três Centros de Distribuição (CDs)”, informa o presidente. 

Além disso, o gerente de manutenção das Farmácias Pague Menos, Paulo Carvalho, explicou que a rede está com a implantação, em todas as filias, mais de 750 em todo Brasil, do projeto de iluminação com lâmpadas de LED (Diodo Emissor de Luz, em português). A expectativa é de uma economia de 30%, tanto no consumo, quanto em manutenção (durabilidade do produto). No Centro de Distribuição de Hidrolândia (GO), além de lâmpadas de LED, há o reuso de água para aparelhos sanitários e jardins.

A ideia surgiu da comunhão de iniciativas. Quanto à energia solar, depois de várias reuniões com a Enel, o presidente da rede começou a pesquisar sobre empresas que usavam energia solar e descobriu que grandes redes do varejo mundial, como Walmart e Walgreens, a utilizavam. A informação foi ponto decisivo para fazer a parceria.

“Já a troca das lâmpadas comuns pelas de LED, aconteceu quando três diferentes fornecedores procuraram as Farmácias Pague Menos para apresentar o novo tipo de iluminação. Foi feito um teste no CD e em uma loja em Fortaleza e o resultado foi positivo. Agora, o sistema está em expansão para todas as filiais do País”, salientou Carvalho.


Autor: 
Vivian Lourenço

 

 

 

Economia e o varejo

Edição 270 - 2015-05-01 Economia e o varejo

Essa matéria faz parte da Edição 270 da Revista Guia da Farmácia.

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