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Quem tem pressão alta pode tomar ibuprofeno? Caso não, qual melhor medicamento para aliviar as dores nos ossos?

O ibuprofeno é um fármaco anti-inflamatório não esteroide (AINE) indicado para o alívio temporário da febre e de dores de intensidade leve a moderada como cefaleia, lombalgia, de gripes e resfriados comuns, dor de dente, dores musculares, dismenorreia e de artrite segundo descrito em bula. Saliente-se que o ibuprofeno é derivado do ácido fenilpropiônico e sua ação é atribuída à inibição da cicloxigenase e, consequentemente, da síntese de prostaglandinas. Para a sua utilização deve se levar em conta a relação risco-benefício antes do início de sua utilização para indivíduos nas seguintes condições: história de doença ulcerosa péptica, sangramento ou perfuração gastrintestinal, disfunção renal, cirrose, asma ou outras afecções alérgicas, hipertensão ou cardiopatia agravada por retenção hídrica e edema, disfunção hepática, história de distúrbios da coagulação ou lúpus eritematoso sistêmico, ou que estejam utilizando outros AINEs. A utilização desse fármaco por idosos requer cautela e atenção especial.

Dentre as cardiopatias, a hipertensão é doença com alta prevalência em nossa população e que apresenta relação direta com a idade, de modo que sua prevalência é superior a 60% em indivíduos acima de 65 anos de idade.

Os fármacos utilizados para o controle da hipertensão devem reduzir os níveis tensionais e também as taxas de eventos mórbidos cardiovasculares fatais e não fatais. São várias as classes de anti-hipertensivos disponibilizados para o tratamento como: diuréticos, inibidores adrenérgicos, vasodilatadores diretos, inibidores da enzima conversora da angiotensina, antagonistas dos canais de cálcio e antagonistas do receptor da angiotensina II.

A questão da interação medicamentosa é uma preocupação constante considerando que o alto consumo de medicamentos anti-hipertensivos e anti-inflamatórios pode provocar interações medicamentosas quando usados concomitantemente. Tanto os medicamentos anti-hipertensivos como os medicamentos anti-inflamatórios são muito utilizados pela população em razão da prática de automedicação. Quando se trata de paciente idoso a atenção deverá ser intensificada, pois há potencialidade de decréscimo de função renal ou hepática, retardo do metabolismo, fatores predisponentes para interações medicamentosas e agravamento de eventos adversos.

Cada paciente tem características próprias e deve ser tratado e acompanhado individualmente considerando sua condição clínica e, concomitantemente, devem ser consideradas as doenças associadas e a capacidade da terapia proposta em influenciar a morbidade e mortalidade cardiovasculares. A leitora não especificou qual fármaco anti-hipertensivo utiliza. Entretanto, a seguir, está representado um quadro com os principais anti-hipertensivos utilizados e interação com anti-inflamatórios não esteroides.

Quadro representativo dos anti-hipertensivos mais utilizados e interação com anti-inflamatório não esteroide (DEPARTAMENTO DE HIPERTENSÃO ARTERIAL DOA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. CONSENSOS E DIRETRIZES. Disponível em: http://departamentos.cardiol.br/dha/consenso3/capitulo5.asp )

Deve ser salientado, também, que a prevalência da hipertensão arterial primária aumenta com a idade e, portanto, é observado aumento em enfermidades reumáticas desencadeando, assim, consumo concomitante de anti-inflamatórios. Considerando que o principal mecanismo dos anti-inflamatórios não esteroides é a inibição de prostaglandinas, poderá levar a várias alterações na função renal e, também, afetar o controle da pressão arterial em casos clínicos onde há redução da perfusão renal como ocorre em doenças cardiovasculares, na desidratação, assim como nos rins de idosos.

Estudo de metanálise (que é uma técnica estatística especialmente desenvolvida para integrar os resultados de vários estudos sobre uma mesma questão de pesquisa, em uma revisão sistemática da literatura) avaliou as consequências do uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em relação a eventos cardiovasculares (IAM, AVCi, morte por doença cardiovascular). Foram avaliados 31 estudos que englobaram um total de 116.429 pacientes (fonte: Trelle S, Reichenbach S, Wandel S, et al. Cardiovascular safety of non-steroidal anti-inflammatory drugs: Network meta-analysis. BMJ 2011; DOI:10.1136/bmj.c7086). Esses autores mencionam que todas as medicações estudadas (naproxeno, ibuprofeno, diclofenaco, celecoxib, etoricoxib, lumiracoxib, rofecoxib) causaram aumento de eventos cardiovasculares. É mais um estudo que corrobora com a informação de que todos os AINEs aumentam o risco cardiovascular dos pacientes.

A leitora deve buscar orientação médica para que esse profissional possa identificar a causa dos sintomas relacionados à dor nos ossos, avaliar sua condição clínica e verificar a necessidade ou não de alterar a medicação anti-hipertensiva além da necessidade, ou não, de prescrever um anti-inflamatório.

O importante é saber que não se deve tomar anti-inflamatório sem a orientação de um profissional da saúde para avaliar o risco envolvido e a segurança do paciente.

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Sobre o colunista

Maria Aparecida Nicoletti

Farmacêutica responsável pela Farmácia Universitária da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP).

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