Menopausa: O fim de um ciclo

A chegada da menopausa marca uma nova fase na vida da mulher madura. No Brasil, ela acontece em torno dos 48 anos aos 52 anos de idade

O corpo feminino é uma máquina complexa que passa por várias transformações no decorrer do tempo. Uma delas é a chegada da menstruação e décadas depois, o fim desse ciclo, a menopausa que nada mais é do que a cessação dos períodos menstruais, determinado, retrospectivamente, após a mulher ficar um ano sem menstruar.

“Geralmente, ocorre ao redor dos 50 anos de vida”, comenta o ginecologista, vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e professor Livre Docente – Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Dr. Sérgio Podgaec.

Mas esse processo não acontece da noite para o dia. A partir dos 35 anos de idade começa o climatério inicial que vai até os 40 anos de idade; dos 40 aos 52 ocorre o climatério pré-menopáusico, em que as mulheres têm uma redução da produção de estrogênio – hormônio produzido pelo ovário.

“A menopausa, data em que ocorre a última menstruação, é um evento que pode acontecer em qualquer momento do climatério. Por diferentes fatores, como alimentação e até mesmo o perfil das mulheres brasileiras; no Brasil, a menopausa acontece em torno dos 48 aos 52 anos de idade” explica o ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre Paulista, Dr. Alberto d’Áuria.

Os sintomas

Em alguns casos, essa fase pode ser assintomática. Porém, para a grande maioria das mulheres, alguns sintomas se manifestam. Os mais comuns estão relacionados à irregularidade do ciclo menstrual, diminuição da libido e redução da umidade vaginal.

“Outros sinais característicos que podem ser sentidos são as ondas de calor à noite ou durante o dia associadas à deficiência de estrogênio, além das alterações no sono. É possível, também, que as mulheres sintam alterações comportamentais, como intolerância e irritabilidade”, diz o Dr. d’Áuria.

Secura vaginal

A mucosa vaginal é constituída por quadro camadas de células que são mantidas pela produção do hormônio feminino, o estrogênio. Com a queda dessa produção, o número de camadas é reduzido para duas, tornando a mucosa mais suscetível a infecções, como candidíase e vaginite por bactérias. Ou seja, a mucosa vaginal depende da quantidade de estrogênio produzido, e com o estrogênio baixo, a mucosa que não fabrica mais muco se torna seca.

“Dessa forma, a vida da mulher com umidade vaginal insuficiente é impactada, pois a falta da produção de muco provoca um atrito vaginal desconfortável, o que pode gerar infecções e desprazer durante a relação sexual. Nestes casos, o tratamento é a correção da insuficiência hormonal, que pode ser realizada por via vaginal, oral ou injetável, que irá aumentar a quantidade de camadas e proporcionará para a mulher mais conforto”, diz o Dr. d’Áuria.

Ele ainda explica que os lubrificantes não tratam a secura vaginal e sim, melhoram a umidade vaginal durante a relação sexual, possibilitando mais conforto e prazer. “Para tratar, é necessário hidratar e associar essa hidratação a alguma substância, que pode ser um hormônio, melhorando a resposta da mucosa vaginal”, finaliza.

Na Alemanha e no Japão, por exemplo, as mulheres apresentam menos sintomas no climatério pré e pós-menopausa do que as brasileiras. Isso se deve há uma série de fatores, entre eles a alimentação.

“No Japão, a alta ingestão de isoflavona, um flavonoide que vem da soja, e o consumo de sal iodado ao longo da vida contribuem para que as japonesas tenham menos hipotireoidismo, por exemplo”, conta o Dr. d’Áuria.

Esses sintomas ainda podem variar de intensidade e quantidade entre as mulheres. Algo que pode ter explicação em diversos fatores. De acordo com o Dr. Podgaec, existe um fator individual, não conhecido para que os sintomas apareçam de forma mais ou menos intensa, mas há também influência de fatores, como qualidade de vida que a mulher possui, doenças prévias associadas, prática regular de exercícios físicos, alimentação saudável, tabagismo, uso de medicações e obesidade.

O tratamento

Existem vários tipos de tratamento para os sintomas relacionados com a menopausa e, entre eles, há a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).

A reposição hormonal serve para equalizar o estrogênio e a progesterona e com isto, é possível amenizar os sintomas físicos, psíquicos e os problemas com os órgãos genitais, como a secura vaginal.

“É recomendado também que se faça mudanças nos hábitos de vida, como praticar mais atividades físicas, adotar uma dieta rica em verduras e gorduras saudáveis e desenvolver bons hábitos de sono”, diz o Dr. d’Áuria.

O estrogênio é o tratamento mais eficaz disponível para aliviar os incômodos sintomas da menopausa. No entanto, algumas mulheres não podem utilizar esse tipo de tratamento.

“Assim, existem outras opções não hormonais que podem ser utilizadas, como antidepressivos, fitoterápicos, géis vaginais, terapias comportamentais para controle de estresse, relaxamento, ioga, acupuntura e prática regular de atividade física”, destaca do Dr. Podgaec.

Os sintomas da menopausa devem ser tratados quando trazem impacto negativo na qualidade de vida da mulher. “Devemos citar que a TRH é o tratamento mais eficaz disponível para o alívio das ondas de calor e também para outros sintomas da menopausa. Mas, não necessariamente, a mulher terá todos os sintomas. Se apresentar distúrbios sistêmicos importantes, como ondas de calor, alterações do sono e depressão, ela pode se beneficiar. Caso a queixa principal seja atrofia ou secura vaginal, ela pode ser tratada somente com cremes vaginais que podem ou não ter hormônios”, explica o Dr. Podgaec.

O médico ainda destaca que há uma série de fatores a serem considerados antes de iniciar a terapia hormonal da menopausa: idade da paciente, gravidade dos sintomas, riscos da paciente para doenças cardiovasculares e câncer de mama.

“As principais contraindicações à TRH incluem história de câncer de mama, Tromboembolismo Venoso (TEV) anterior ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença hepática ativa, sangramento vaginal inexplicável, doença coronariana e alto risco para câncer de endométrio. O fato de a paciente apresentar contraindicações à TRH não significa que ela não deva ser tratada por outros métodos não hormonais”, diz.

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