Genéricos já têm 34% do mercado de remédios no País

As vendas de unidades de genéricos no País, que em 2015 representaram 27,54% do total, saltaram para 34% este ano

A participação dos genéricos no mercado brasileiro de medicamentos cresceu de forma significativa nos últimos quatro anos. As vendas de unidades, que em 2015 representaram 27,54% do total, saltaram para 34% este ano. Foi a única categoria que ganhou espaço no período e o aspecto econômico não é o único responsável por essa ascensão.

Além de, por lei, ser 35% mais baratos que os medicamentos de referência, os genéricos se consolidaram como uma opção segura para prevenção e tratamento das enfermidades que mais acometem os brasileiros. “Tem havido uma migração de um medicamento para outro”, comenta a presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), Telma Salles. O setor fechou o ano passado com 1,4 bilhão de unidades comercializadas e um faturamento de R$ 8,6 bilhões, resultado 15,41% superior à receita obtida no exercício 2017. As vendas no primeiro semestre de 2019 evoluíram 6,29%, para 719,5 milhões de unidades.

Dados da IQVIA

O balanço da entidade, com base os dados da IQVIA, leva em conta apenas o comercializado pelo varejo. A continuar nesse ritmo, Telma não tem dúvidas que o desempenho deste ano, tanto em unidades quanto, principalmente, em faturamento será superior ao de 2018. A receita tende a ser maior porque devem surgir em grande escala medicamentos com valor agregado mais alto. Além disso, os genéricos estão ampliando a cobertura das classes terapêuticas.

O mercado de genéricos é disputado atualmente por 120 laboratórios. Um deles é a Sandoz, que obtém no segmento 70% do seu faturamento no Brasil. “Enxergamos esse mercado como uma grande oportunidade de negócios”, ressalta O diretor de excelência comercial da companhia, Daniel Vaie. Este ano, a Sandoz ampliou o seu portfólio de ofertas no segmento com o lançamento de uma droga para tratamento de depressão e outra para câncer de mama.

Para o próximo ano, estão previstos lançamentos para o sistema nervoso central e para cardiologia. Para fortalecer a sua atuação nesse mercado, a Sandoz está estreitando o relacionamento com o canal de venda. Assim, o objetivo é promover a divulgação e a distribuição dos produtos da marca junto às grandes redes de drogarias, às redes de farmácias associativistas e às farmácias independentes.

Genéricos no País: Medley e Biolab

Com um portfólio de 123 moléculas e cobertura em 80% das classes terapêuticas, a Medley comercializa genéricos exclusivamente pelo varejo farmacêutico. Mas faz parte da estratégia utilizar outros canais de escoamento. “Ainda estamos analisando a rentabilidade dos canais”, afirma a diretora geral do laboratório, Joana Adissi.

Até dezembro, a Medley deve anunciar novos medicamentos genéricos, uma linha de oncológicos injetáveis, totalizando nove lançamentos este ano. Já foram apresentados produtos para hipertensão arterial, obesidade, taquicardia, Alzheimer e depressão.

A Eurofarma aposta na diversificação do portfólio de ofertas para atingir a meta de crescimento acima dos 20% este ano. “A diversificação é importante para a empresa não ficar presa a poucas classes terapêuticas”, explica o diretor da unidade de genéricos da farmacêutica, Donino Scherer. O setor representa 16% dos negócios da Eurofarma, que lançou dez produtos este ano e pretende anunciar mais 12 no próximo exercício. A nova fábrica de Montes Claros (MG) deve entrar em operação em 2020, dividindo com a planta de Itapevi (SP) a produção de toda a linha de medicamentos da empresa.

A Biolab, que ingressou no segmento de genéricos com a aquisição da Actavis, trabalha apenas com medicamentos de alto valor agregado. De acordo com o CEO do laboratório, Cleiton Marques, o objetivo não é entrar na disputa de preço. “Procuramos trabalhar em mercados específicos, reforçando sempre a imagem de confiabilidade”, diz.

O executivo revela que a previsão é de lançar mais de 20 produtos no horizonte de 12 meses, principalmente nas áreas de cardiologia e sistema nervoso central. Além disso, fazer com que a participação de medicamentos genéricos nos negócios da Biolab cresça dos atuais 5% para 20% em três anos.

Foto: Shutterstock
Fonte: Valor Econômico

Indique para um amigo ... Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Share on LinkedIn
Linkedin
Email this to someone
email
Print this page
Print

Deixe um comentário