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A prevenção da osteoporose começa na juventude

O risco de quedas e consequentes fraturas assustam os idosos – e principalmente as mulheres – que sofrem com a doença decorrente da falta de cálcio ou vitamina D. A prevenção começa na juventude

O atendimento aos idosos revela uma preocupação bastante recorrente: cair e fraturar um osso. Claro, existe a fragilidade normal da idade, mas uma doença silenciosa pode piorar ainda mais a situação: a temida osteoporose.

Ela é uma doença sistêmica caracterizada por menor massa óssea e alterações em sua microarquitetura, levando à fragilidade do esqueleto e ao maior risco de fraturas, segundo a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, a fratura é a principal consequência clínica da doença.

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“Quando a perda de massa óssea é pequena, é chamada de osteopenia, e quando ela é mais relevante, é denominada osteoporose. O paciente pode ter osteopenia e mantê-la sob controle a vida inteira, ou a doença pode evoluir para o quadro mais grave”, explica o ortopedista da BP – A Beneficência Portuguesa, de São Paulo, Dr. Fabiano Nunes.

Além de perigosa, a osteoporose é assintomática. Seus sinais podem passar despercebidos por muitos anos e, normalmente, os casos são diagnosticados em uma fase mais adiantada da doença, quando o paciente já apresenta fraturas por fragilidade.

Para diagnosticá-la, é necessário fazer um teste de densitometria óssea, que detecta a redução da massa óssea. O resultado, medido com “T-Score”, é interpretado da seguinte maneira:

  • Normalidade: 0 a -1,0 DP (desvio-padrão);
  • Osteopenia: -1,0 a -2,4 DP;
  • Osteoporose: -2,5 ou menos.

A principal causa da osteoporose é a diminuição do nível de estrógeno, motivo pelo qual as mulheres na menopausa são o grupo de maior risco. Ainda que não exista uma estatística 100% correta, estima-se que a cada quatro mulheres, um homem é acometido.

Mas elas não são a única preocupação. De acordo com a endocrinologista do Hospital Santa Catarina, Dra. Priscila Cukier, a desnutrição, principalmente com baixa ingestão e/ou absorção de cálcio, e a hipovitaminose D, também são importantes causas, além de outras doenças, como hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, artrite reumatoide, hipogonadismo, o uso de algumas medicações, tabagismo e etilismo.

“A incidência é maior em mulheres e na população branca, em relação a outros grupos raciais. Além da idade e da deficiência dos hormônios sexuais, tanto em homens quanto em mulheres, outros fatores de risco incluem: antecedente familiar de osteoporose; baixo peso; menopausa precoce; doenças crônicas que tenham acometido jovens dos dez aos 18 anos de idade (fase mais importante para a aquisição da massa óssea); dieta pobre em leite e derivados; tabagismo; alcoolismo; sedentarismo; doenças renais, hepáticas e pulmonares crônicas; quimioterapia; AIDS; e doenças intestinais de má absorção”, complementa a coordenadora do Núcleo de Saúde Óssea do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Cynthia Maria Álvares Brandão.

Prevenindo desde cedo

A prevenção da doença acontece muito antes dela ser um risco. A reserva de massa óssea é feita até aproximadamente os 30 anos de idade, segundo o Dr. Nunes, e é ela que ajudará os ossos a não enfraquecerem na terceira idade. Em geral, três fatores são importantes: a ingestão de cálcio regularmente, o nível de vitamina D adequado e a prática de atividade física de carga, como caminhadas. Fazer exercícios na piscina, por exemplo, apesar de fortalecer os músculos, não são tão úteis para a saúde óssea.

Isso porque o corpo usa o cálcio para diversas coisas, sendo o principal reservatório o osso. É necessário ingerir cálcio para que o corpo não precise usar o que está “guardado” no osso. E, para que ele seja absorvido pelo organismo, depende da vitamina D. Em resumo, a ingestão correta de vitamina D é tão importante quanto a do cálcio.

Os números da osteoporose

Cerca de 10 milhões de pessoas sofrem com a doença no Brasil.

Além disso, de cada 3 pacientes que sofreram fratura no quadril, 1 teve diagnóstico de osteoporose.

Aproximadamente 40% das mulheres caucasianas são acometidas pela doença e, entre a população caucasiana, e 1 a cada 8 homens terá uma fratura osteoporótica a partir dos 50 anos de idade.

Fontes: coordenadora do Núcleo de Saúde Óssea do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Cynthia Maria Álvares Brandão; endocrinologista do Hospital Santa Catarina, Dra. Priscila Cukier; e Fundação Internacional da Osteoporose (IOF)

“A recomendação da OMS é de que crianças de um a dez anos de idade ingiram cerca de 1 mg de cálcio ao dia; dos 11 aos 18 anos, que é a fase crítica de massa óssea, cerca de 1.200 mg; e os adultos, 120 mg. O cálcio está presente, basicamente, no leite e em seus derivados”, complementa a Dra. Cynthia.

Já a atividade física estimula a formação óssea e fortalece a musculatura e, consequentemente, o esqueleto. Recomenda-se que a criança e o adolescente tenham uma vida bem ativa, seja qual for a atividade ou esporte praticado. Aos adultos, são indicados exercícios com peso e de impacto, como correr, caminhar e pedalar.

E ainda que isso não pareça importante na juventude, a osteoporose é um dos principais fatores que levam à fratura óssea em idosos, o que leva à enorme morbimortalidade, com importante impacto na qualidade de vida. De acordo com a Dra. Priscila, em torno de 40% das pessoas com osteoporose sofrerão alguma fratura de fragilidade na vida.

“A fratura femoral é a mais temida complicação da doença, pois resulta em grande morbidade (dor, deformidade e incapacidade física) e mortalidade, com enormes repercussões socioeconômicas. Sua incidência tem aumentado em todo o mundo, em função da maior sobrevida e do envelhecimento da população mundial”, alerta a coordenadora do Hospital Sírio-Libanês.

Há heterogeneidade no risco de fraturas em diferentes países, sendo que na Europa, os países do norte chegam a ter uma incidência dez vezes maior do que os países do Mediterrâneo. As razões para esta variação estão relacionadas a fatores genéticos e hábitos de vida, como níveis de atividade física e de exposição solar (diretamente ligada à vitamina D). A mortalidade no primeiro ano após uma fratura de fêmur em um idoso pode chegar a 20% e metade dos pacientes não voltará a andar sem auxílio.

O tratamento

O primeiro passo para que o paciente possa se tratar é definir a causa da osteoporose. O ortopedista da BP exemplifica dizendo que se a doença acontece por deficiência de ingestão de cálcio, será receitada a suplementação com o mineral. Se o problema é a vitamina D, será a suplementação da vitamina. Se há uma deficiência de cálcio por um problema que não seja a menopausa, precisa tratar a doença que está causando a deficiência.

Existem medicamentos que ajudam a “puxar” o cálcio para dentro do osso e algumas mulheres acabam fazendo terapia hormonal, principalmente quando entram na menopausa precoce, mas a alternativa pode causar muitos efeitos colaterais.

Normalmente, o tratamento é feito por toda a vida. Porém, depois de um período de aproximadamente cinco anos, o medicamento puxa tanto cálcio para dentro do osso que cria uma matriz de colágeno que o deixa como uma cerâmica – extremamente duro, mas que quebra fácil. Então o medicamento é dispensado por um tempo, mas depois é retomado seu uso.

“Mas, além do tratamento medicamentoso, o diagnóstico precoce, a mudança de hábitos de vida e o controle de outras doenças que provocam perda óssea são fatores importantes na evolução da osteoporose. Cerca de 90% das fraturas em idosos acontecem em casa. Desta forma, evitar pisos e tapetes escorregadios, não andar pela casa no escuro, descer escadas sempre apoiado no corrimão, usar sapatos adequados, ter apoios no chuveiro, utilizar bengala ou andador são medidas úteis”, finaliza a Dra. Cynthia.

Foto: Shutterstock

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Edição 318 - 2019-05-15 Oferta de benefícios

Essa matéria faz parte da Edição 318 da Revista Guia da Farmácia.

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