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Perigo iminente

Picadas de insetos podem desencadear diversos tipos de reações alérgicas. Conheça quais são eles e como atuam os produtos que agem na proteção e no alívio 

Durantes os dias mais quentes do ano, as pessoas sofrem com a alta incidência de insetos que aparecem a qualquer hora do dia, seja no trabalho, em casa ou curtindo as férias na praia ou em lugares com muito verde, como chácaras e sítios. Por isso, produtos que atuam na proteção passam a fazer parte da cesta de compras da população.

As temidas picadas costumam ser mais frequentes do que se possa imaginar e, com elas, diferentes tipos de reações alérgicas podem surgir, o que pode ocasionar reações graves à saúde.

“O risco correlaciona-se com o tipo de inseto. O mosquito pode ocasionar uma reação alérgica chamada estrófulo (reação em que o pernilongo pica em um único local e outras picadas aparecem em locais diferentes do corpo) ou mesmo o ato de coçar o local pode levar bactérias para a região e provocar uma infecção local chamada celulite. Agora, existem insetos da classe dos himenópteros, como a abelha, vespa e formiga de fogo, que podem ocasionar reações graves e até fatais em indivíduos alérgicos”, afirma a alergologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dra. Cristina Abud de Almeida.

Ou seja, as picadas de insetos são muito mais que um desconforto, podem provocar doenças por vezes mortais e também reações alérgicas severas nas pessoas e isso deve ser evitado. 

De acordo com o diretor-geral do laboratório Osler, Paulo Castejón Guerra Vieira, os mosquitos e carrapatos precisam de sangue como alimento para seus ovos. Portanto, só as fêmeas é que picam. 

Segundo Guerra, no momento da picada, além de sugar o sangue, duas substâncias são injetadas no corpo: um analgésico, para que a picada não seja sentida imediatamente e o mosquito espantado e um anticoagulante. É essa troca de substância que pode fazer o vírus, a bactéria, o protozoário ou o parasita passarem do mosquito para o ser humano, provocando as reações alérgicas. 

“O tratamento das doenças transmitidas por insetos variam muito com o tipo de doença bem como a intensidade das reações.” Guerra explica que as picadas mais comuns são daqueles insetos que são capazes de voar e têm em seu instinto a necessidade de encontrar os indivíduos para obter o sangue para alimento de seus ovos, ou seja, os mosquitos. Como não são capazes de voar, as picadas de carrapato são menos frequentes, mas não menos importantes.

Uma orientação importante, que deve ser fornecida aos pacientes, é sobre o ato de coçar, que tende a ser perigoso, já que faz com que uma célula do organismo quebre e libere uma substância dentro dela que aumenta a coceira. Portanto, o ideal é não coçar. “As reações alérgicas por picadas podem causar o estrófulo ou gerar reações graves, chamadas de anafilaxia, em que, após a picada, o indivíduo pode apresentar reações na pele, como a urticária e angioedema ou até mesmo falta de ar, chiado no peito e edema de glote (inchaço)”, informa a Dra. Cristina.

Existe diferença?

As picadas mais comuns são as de mosquitos. “Esses insetos picam nas áreas expostas e, em geral, formam lesões arredondadas, pequenas, eritematosas e edemaciadas, que coçam bastante. As picadas das pulgas e percevejos são parecidas com as dos mosquitos. Porém, produzem fileiras de duas a três lesões, principalmente na cintura, nos tornozelos e pés. As picadas de carrapatos, em geral, acontecem em pessoas que se expuseram a ambientes rurais e, normalmente, podemos encontrar o próprio carrapato fixado à pele. Ao ser retirado, pode também formar lesões edemaciadas e eritematosas. Já as picadas de abelhas provocam uma dor aguda e são as mais propensas a desenvolver reações alérgicas graves”, informa a médica e assessora da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Nicole Perim. 

De acordo com a especialista, o tratamento varia com o tipo de reação. Para as reações de pele leves, preparações tópicas com substâncias, como a cânfora, o mentol e os corticoides, podem levar ao alívio dos sintomas. Para os casos em que há um prurido mais intenso, ela salienta que a SBD recomenda a consulta com o dermatologista. Para os casos graves e agudos, em que há sintomas sistêmicos, como febre, mal-estar geral, náusea, edema facial, dificuldade para respirar e dor abdominal, o consumidor deve procurar imediatamente um hospital. 

Atuação dos repelentes

Os repelentes são métodos utilizados para afastar os insetos e podem ser físicos ou químicos.

Os físicos constituem-se de telas, mosquiteiros, vestimentas, formam uma barreira mecânica e devem ser usados sempre que possível. Já os químicos podem ser naturais ou industrializados, atuam formando uma camada de vapor com odor repulsivo aos insetos sobre a pele e possuem restrições em relação à idade e gestação.

Os repelentes químicos naturais, como o óleo de andiroba, citronela, eucalipto, possuem ação comprovada em afastar os mosquitos, podem ser usados a partir dos dois anos de idade, porém seu tempo de proteção depois de aplicado na pele é muito curto, muitas vezes não sendo superior a duas horas.

Já os repelentes químicos industrializados podem alcançar até dez horas de ação contra os insetos, dependendo da substância e concentração utilizadas. Porém, possuem uso restrito em crianças menores de dois anos de idade e gestantes. Os comercializados no Brasil são:

• DEET, designação dada ao composto dietil-toluamida; dependendo de sua concentração, pode ser utilizado em crianças a partir de dois anos de idade e atingir até seis horas de proteção.

• Icaridina é um composto derivado da pimenta e, dependendo de sua concentração, pode ser utilizado a partir dos dois anos de idade e proteger em até dez horas contra picadas de insetos.

• O IR 3535 é uma loção antimosquito aprovada para gestantes e crianças acima de seis meses de idade, podendo atingir até quatro horas de proteção.

Fonte: médica e assessora da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Nicole Perim

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Autor: Tassia Rocha

Saúde na América Latina

Edição 277 - 2015-12-01 Saúde na América Latina

Essa matéria faz parte da Edição 277 da Revista Guia da Farmácia.

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