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A chegada do verão e do temido Aedes Aegypti

O verão é marcado por epidemias que lotam hospitais e farmácias. Mudanças no cotidiano são o primeiro passo para erradicar o mosquito e acabar com a doença

Os meses mais quentes chegam e, com eles, as campanhas contra o Aedes aegypti – o mosquito da dengue. Com o aumento da temperatura e das chuvas, há a proliferação dos transmissores da doença e o acúmulo de água parada propicia que estes se reproduzam mais.

A população fica em estado de alerta e a preocupação não é à toa. Mais de um milhão de pessoas foram acometidas pela doença em 2016 e, deste total, 678 vieram a óbito. Somente em 2017, o número atualizado de mortes em todo o País já chegou a 88, de acordo com o Boletim Epidemiológico realizado pelo Ministério da Saúde (MS).

Existem quatro tipos de vírus da dengue, batizados como dengue 1, 2, 3 e 4. A infecção por um desses tipos imuniza a pessoa contra ele, mas não contra os outros.

A transmissão da dengue se dá por meio da picada da fêmea do Aedes aegypti, quando está contaminada com o vírus da doença. O período de incubação, ou seja, entre a picada e o início dos sintomas, é de três a 15 dias. Durante esse período, os mosquitos que picarem essa pessoa podem se infectar e, por sua vez, transmitir o vírus a mais pessoas.

As dores da dengue

Os principais sintomas da doença são dor muscular, especialmente retro-orbital, cefaleia, aparecimento de gânglios linfáticos palpáveis e pequenos acúmulos de líquido na pleura (membrana que envolve o pulmão) e pericárdio (membrana que envolve externamente o coração).

“A primeira manifestação é a febre, geralmente alta (entre 39ºC e 40ºC), de início abrupto, associada a dor de cabeça, mal-estar, náuseas, vômitos, falta de apetite e dores nos músculos, nas articulações e atrás dos olhos. Associadas a esses sintomas, podem aparecer manchas avermelhadas pelo corpo, que podem ou não coçar”, explica a infectologista do Hospital Vitória, Dra. Luciana Casadio.

De acordo com o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Dr. Jacyr Pasternak, existem quatro tipos de vírus da dengue, batizados como dengue 1, 2, 3 e 4. A infecção por um desses tipos imuniza a pessoa contra ele, mas não contra os outros. Ou seja, é possível contrair dengue quatro vezes na vida.

Da mesma família

O vírus da dengue pertence à família dos arbovírus, que engloba todos aqueles transmitidos por artrópodes, ou seja, insetos e aracnídeos. Existem mais de 50 tipos de arbovírus que podem causar doenças nos seres humanos. Pertencem a essa família os vírus que causam zika, chikungunya, febre amarela, mayaro e oropuche, que podem apresentar quadro clínico semelhante ao da dengue.

Fonte: infectologista do Hospital Vitória, Dra. Luciana Casadio

“Em alguns casos, em geral na segunda vez em que o paciente tem dengue, acontece a dengue hemorrágica, com sangramento que pode ser visto na pele – petéquia, pequenas manchas roxas ou em mucosas e pode haver perda de fluídos do sangue para o espaço intersticial, levando à baixa da pressão arterial”, desdobra ele.

O diagnóstico é, inicialmente, clínico-epidemiológico. Ou seja, não há necessidade de exames específicos, principalmente em épocas de epidemias. Um quadro clínico com sinais e sintomas sugestivos de dengue, associados ao hemograma com plaquetas e leucócitos baixos, indica a patologia.

Já o diagnóstico definitivo, explica a Dra. Luciana, pode ser feito com a detecção da proteína viral NS1 até o terceiro dia da doença ou da sorologia para dengue a partir do sexto dia do início dos sintomas. “O resultado positivo ou negativo desses testes deve ser avaliado em conjunto com os sinais, sintomas e outros exames laboratoriais”, frisa ela.

Prevenção na rotina

A maneira mais simples de não sofrer com a dengue é evitando a proliferação dos mosquitos. Porém, a tarefa não é tão simples quanto parece. O infectologista e atual presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, Dr. Arthur Timerman, explica que a urbanização é apropriada para o mosquito. Ele só seria erradicado mudando o tipo de urbanização já que, hoje, eles se adaptam ao ambiente.

“Evitar a contaminação é difícil, porque evitar o mosquito não é fácil e não depende da pessoa, mas da comunidade. Evitar os criadouros de mosquitos, com água parada, é fundamental. Não adianta jogar fora todas as coisas que juntam água em casa se o vizinho tem um terreno baldio cheio de pneus velhos”, comenta o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein.

Pele protegida

Usar repelente é uma das maneiras mais eficázes de evitar que os mosquitos piquem o paciente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprova três princípios ativos, sendo que o que os diferencia é o tempo de ação e qual seu nível de toxidade:

IR3535 quatro horas
não tóxico

Icaridina
dez horas
pouco tóxica

DEET
de seis a oito horas
(com concentração de 20%)
maior nível de toxidade

Fontes: infectologista do Hospital Vitória, Dra. Luciana Casadio; e a gerente de Tecnologia de Aplicação para América Latina na MERCK AS, Silvana Nakayama

As duas principais maneiras de barrar a contaminação é evitar focos de água parada, que servem como criadouro para o transmissor, e impedir a picada do mosquito, com o uso de repelentes.

O Dr. Timerman alerta para o cuidado com as crianças. “Os mosquitos voam a 1,5 metro. Então, é importante proteger o pescoço e o rosto dos pequenos e não somente as pernas e os pés, como normalmente acontece”, diz.

Números entre 2016 e 2017*

• Casos e possíveis casos de dengue

2016 – 1.442.208
2017 – 219.040

• Casos de dengue com sinais de alarme

2016 – 8.603
2017 – 1.913

• Casos de dengue grave

2016 – 8.603
2017 – 1.913

• Óbitos confirmados

2016 – 8.603
2017 – 1.913

*até a Semana Epidemiológica 35

Fonte: Boletim Epidemiológico – Ministério da Saúde (MS)

O tratamento de dengue é puramente sintomático, não há um medicamento específico. Segundo a Dra. Luciana, deve-se usar somente dipirona ou paracetamol para dores e febre. O profissional de saúde pode prescrever fármacos para náuseas e soros de hidratação oral. Alguns anti-inflamatórios não esteroidais – como cetoprofeno, nimesulida, diclofenaco e ácido acetilsalicítico – não devem ser utilizados em caso de suspeita de dengue.

“Os anti-inflamatórios não esteroidais apresentam ação sobre as plaquetas, prejudicando a coagulação sanguínea e aumentando o risco de sangramento. Também podem propiciar o sangramento do trato gastrointestinal, aumentando a gravidade da dengue”, alerta.

Marco histórico

Edição 300 - 2017-11-01 Marco histórico

Essa matéria faz parte da Edição 300 da Revista Guia da Farmácia.