Taxa de transmissão da Covid-19 no Brasil é a maior desde maio

Índice que mede o ritmo de contágio de trasmissão da Covid-19 no Brasil passou de 1,10, em 16 de novembro, para 1,30, dia 24. Isso significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas

A taxa de transmissão (Rt) da Covid-19 (Sars-CoV-2) para esta semana no Brasil é a maior desde maio, apontam dados do Imperial College de Londres, no Reino Unido. A atualização da estimativa foi divulgada nesta terça-feira, dia 24 e se refere à semana ao início da semana.

O relatório mostra, então, que o índice está em 1,30.

Isso significa, portanto, que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 130 pessoas.

Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (Rt de até 1,45) ou menor (Rt de 0,86). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 145 ou 86, respectivamente.

Ritmo de contágio

A última vez que a taxa máxima de transmissão no país foi maior do que a vista nesta semana foi na semana de 17 de maio. Naquela data, o Rt estava, de novo, em 1,30, mas o valor máximo podia chegar até 1,47, segundo a margem de erro.

Simbolizado por Rt, o “ritmo de contágio” é um número que traduz o potencial de propagação de um vírus: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança.

Depois de ficar abaixo de 1 por cinco semanas seguidas , a taxa no Brasil voltou a ficar acima de 1 no início de novembro.

Há duas semanas, porém, o número ficou em 0,68, o menor valor desde abril.

Mas a data coincide com o apagão de dados que atrasou a atualização de casos e mortes por Covid-19 pelo Ministério da Saúde.

Como o Rt também considera esses dados, isso afeta as estimativas.

Segunda onda de transmissão da Covid-19 no Brasil

Nesse sentido, segunda-feira, dia 23, pesquisadores brasileiros divulgaram uma nota técnica na qual, baseados em dados da pandemia do novo coronavírus no Brasil, afirmam que o país vive o “início de uma 2ª onda”.

Eles apontaram ao menos três fatores para a “manutenção da grande circulação do vírus”:

  • falta de “testagem sistemática com rastreamento de casos”;
  • falta de uma “política central coordenada, clara e eficaz de enfrentamento da situação”;
  • “afrouxamento das medidas de isolamento sem evidências empíricas, sem, portanto, uma análise cuidadosa por uma painel de especialistas”.

 

Portanto, o Brasil tinha 169.541 mortes por coronavírus confirmadas até as 8h desta terça-feira, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

Ou seja, o número é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Taxa maior para São Paulo

Além da estimativa do Imperial College de Londres, pesquisadores brasileiros também monitoram o Rt.

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) calcularam, para esta semana, um Rt de 1,64 para o estado de São Paulo.

Eles preveem, no entanto, um provável aumento no número de infectados no estado.

Dados da Secretaria de Saúde do estado mostram, dessa maneira, que as internações por Covid-19 voltaram a crescer na última semana – com um aumento de 17% nas internações entre os dias 15 e 21 de novembro.

O crescimento veio mesmo, todavia, após aumento de 18% na semana anterior, de 8 a 14 de novembro.

Fonte: G1

Foto: Shutterstock

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