Como reverter a baixa produtividade?

As raízes da questão da baixa produtividade são profundas, mas segundo os especialistas, é possível trabalhar para sanar ou, pelo menos, minimizar o problema.

Como reverter?

As raízes da questão da baixa produtividade são profundas, mas segundo os especialistas, é possível trabalhar para sanar ou, pelo menos, minimizar o problema. Em primeiro lugar, é preciso investir na gestão da empresa para que se compreendam o grau da falta de rendimento e os prejuízos causados por isso. Já nessa etapa inicial, surge um obstáculo, pois o empreendedor brasileiro não está acostumado a ter na ponta do lápis todos os números que envolvem seu negócio.

“Não gostamos de processo. Aplaudimos o improviso”, destaca o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, alertando que a falta de informações costuma ser ainda mais grave dentro do varejo. “Culturalmente, o varejo tende a acreditar no esforço, na dedicação, na famosa ‘barriga no balcão’. Isso é importante, mas não é mais suficiente. É preciso trabalhar com dados.”

Somente com conhecimento do negócio é possível avaliar o nível de produtividade, que consiste em conseguir melhores resultados a partir dos mesmos recursos, trabalhando bem a equipe, controlando as finanças e investindo em tecnologia.

“Ouvimos falar que as pirâmides e o Coliseu foram grandes obras de engenharia, mas na verdade foram grandes obras de administração. Para que essas estruturas fossem erguidas, foram geridos milhares de trabalhadores. Não adianta contar com os melhores técnicos, se eles não forem bem administrados. Quando a gestão é ruim, a produtividade vai ser baixa”, ressalta Celestino.

Uma boa gestão, capaz de estimular a produtividade, deve, necessariamente, envolver uma liderança forte, capaz de reverter fraquezas características do trabalhador brasileiro em pontos fortes.

“Somos mais comunicativos, mais emotivos, mas é possível tirar proveito dessa situação. As características culturais brasileiras têm seu lado positivo, quando o líder sabe direcionar e não deixa a equipe sair do foco”, orienta Maria Terezinha.

“Nós precisamos de autores brasileiros que falem sobre isso para que as pessoas tenham referências. Não é uma coisa que vamos mudar de uma hora para outra, precisamos trabalhar isso, mostrar que o trabalho é um valor intrínseco ao ser humano”

Também é importante que a liderança se autoavalie. Antes de cobrar maior produtividade dos funcionários, a empresa precisa estar certa de que está oferecendo todas as condições para que um bom trabalho seja desenvolvido, afinal, há uma correlação direta entre produtividade e engajamento da equipe.

“As pessoas têm de se sentir incluídas. Você conhece os funcionários pelo nome? Eles te conhecem? O respeito se conquista com um tratamento próximo”, questiona Terra.

Essa análise deve ser feita com sinceridade e cabeça aberta, pois não é fácil reconhecer que existem problemas de gestão no primeiro escalão. “O que chama a atenção é que quando propomos uma mudança de comportamento ao dono da empresa, ele acredita que não há razão para mudar, que está certo. É complicado rever a forma como se tratam os funcionários”, avalia Maria Terezinha.

Além de rever alguns comportamentos, o líder pode ajudar a equipe a entender a importância da empresa e o valor que ela entrega para as pessoas. “Uma farmácia que fica aberta 24 horas por dia, por exemplo, oferece a possibilidade de solucionar emergências. É um negócio que resolve problemas. Ter consciência do propósito da empresa e de que cada departamento existe para cumprir este propósito deixa claro qual a importância de cada indivíduo”, destaca Celestino.

O consultor ainda aconselha que o líder apresente à equipe exemplos que mostrem o valor do trabalho, por meio de artigos, livros ou romances que contem histórias de pessoas que obtiveram sucesso devido ao trabalho. “Nós precisamos de autores brasileiros que falem sobre isso para que as pessoas tenham referências. Não é uma coisa que vamos mudar de uma hora para outra, precisamos trabalhar isso, mostrar que o trabalho é um valor intrínseco ao ser humano”, critica Celestino.

Vale lembrar que essas atitudes não terão valor ou resultado se a postura e o desempenho do líder não forem um exemplo de produtividade. E isso nada tem a ver com o volume de horas trabalhadas. “É estar presente no trabalho, fazendo o que você foi pago para fazer. Se uma empresa anunciar que vai pagar 90% do salário, haverá uma greve, um rebuliço, mas existe muita gente que trabalha 60% do que ganha e nada acontece”, diz Celestino.

Saiba mais sobre a produtividade no vermelho.

Foto: Shutterstock

Brasileiro deixa a desejar

Edição 297 - 2017-08-01 Brasileiro deixa a desejar

Essa matéria faz parte da Edição 297 da Revista Guia da Farmácia.

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