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Dores sem sofrimento

Enxaqueca, dor abdominal e dor muscular são alguns dos desconfortos que fazem parte da vida de boa parte da população. Entenda as causas, formas de prevenção e o tratamento para cada uma delas

A dor crônica, que persiste, no mínimo, por três meses, é um problema que afeta 37% dos brasileiros, segundo apontou uma pesquisa da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED)*. Portanto, quando a dor aguda e pontual começa, é importante que seja dada a devida atenção, para que a situação não se estenda para casos mais graves.

Acompanhe, a seguir, o panorama de algumas dores comuns que fazem parte da vida de muitos brasileiros, como a enxaqueca, dor muscular e dor abdominal.

Dor de cabeça – Enxaqueca

Estima-se que existam mais de 150 tipos de dor de cabeça, sendo a enxaqueca uma delas. Segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a enxaqueca atinge em torno de 18% da população brasileira. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), este tipo de dor pode ser tão incapacitante quanto a psicose ativa, a demência e a tetraplegia**.

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que entre 5% a 25% das mulheres e entre 2% a 10% dos homens têm enxaqueca, com predominância em indivíduos com idades entre 25 e 45 anos, sendo que, após os 50 anos, essa porcentagem tende a diminuir, principalmente em mulheres.

Ainda sem cura, a doença deve ser tratada de forma multidisciplinar e multiprofissional**. O MS explica que as causas da enxaqueca podem estar relacionadas com preocupações excessivas, ansiedade, tensão e estresse; noites mal dormidas; ciclos hormonais; irritação e alterações de humor; falta de exercícios; genética; entre outros.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCE) – Portal Enxaqueca Crônica, o principal sintoma da enxaqueca é a dor pulsátil em um dos lados da cabeça (unilateral) e latejante. De forma crônica, a cefaleia ocorre em 15 ou mais dias por mês, durante mais de três meses, sendo oito dias com sintomas típicos de enxaqueca, ou seja, dor de cabeça unilateral, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz (fotofobia), movimentos, cheiros e sons (fonofobia).

Contra a Enxaqueca

Tratamento medicamentoso

Analgésicos comuns: surtem resultado somente quando a intensidade da dor é de leve a moderada, não sendo eficazes para dores mais fortes e nem recorrentes – como a cefaleia em salvas e a enxaqueca crônica.

Anti-inflamatórios: durante o processo da enxaqueca, as funções do cérebro ficam anormais e para tentar se recuperar, ele acaba liberando mediadores inflamatórios. Este tipo de medicamento auxilia, assim, na diminuição da sensibilidade do cérebro, interrompendo o processo de dor.

Ergotaminas: são bastante eficazes por sua ação no centro da dor, mas também agem em muitas outras regiões do cérebro, por isso o uso deve ser realizado sob prescrição médica.

Triptanos: com menos efeitos colaterais que as ergotaminas, são indicados para dores mais intensas típicas da enxaqueca crônica. Eles agem no receptor de serotonina (hormônio que ajuda o cérebro a se tornar mais resistente a dor), mas tendem a perder o efeito se usados de forma excessiva.

Tratamento preventivo

Embora esse tipo de terapêutica não tenha sido pensada, especificamente, para tratar cefaleias e enxaqueca crônica, esses medicamentos acabaram demonstrando colaboração também no sistema supressor da dor. São eles:

Antidepressivos: ajudam a controlar a produção de neurotransmissores do cérebro, como a serotonina, noradrenalina ou dopamina, auxiliando, assim, a regular o mecanismo de memória da dor, pois apresentam ações analgésicas independentemente dos efeitos antidepressivos.

Neuromoduladores: apresentam significativa eficácia no combate às dores de cabeça porque alguns dos mecanismos cerebrais envolvidos na enxaqueca são similares aos da epilepsia, por exemplo.

Betabloqueadores: têm como linha de base o tratamento de doenças cardiovasculares porque ajudam no controle da pressão arterial.

Injetáveis (Toxina Botulínica A): neste caso, são indicados, apenas, para enxaqueca crônica.

Tratamento complementar

Enquadram-se acupuntura, alimentação equilibrada, melhor qualidade do sono e prática de atividade física.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cefaleia (SNCE) – Portal Enxaqueca Crônica, com a participação do neurologista e professor de medicina da Universidade Federal do Paraná, Dr. Elcio Piovesan

 

Dor abdominal

Há inúmeras razões para que uma pessoa tenha dor no abdome, por isso, o diagnóstico nem sempre é fácil, segundo explica o gastroenterologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Dr. Eduardo Berger.

“Imagine que a chamada cavidade abdominal abriga órgãos de três sistemas: o digestivo, o urinário e o genital (este último nas mulheres) – além de inúmeros vasos sanguíneos, linfáticos, nervos, etc. – e que todas essas estruturas podem ser acometidas de problemas que causam dores. Sendo assim, teremos de analisar todos os aspectos do sintoma doloroso para tentar definir a causa e origem”, justifica o especialista.

Segundo o Dr. Berger, entre as análises feitas pelo médico, estão o tipo de dor (cólica, queimação, pontada, facada…); o tempo de duração (se é contínua ou intermitente); os fatores de melhora ou piora; e se são periódicas ou frequentes.

A princípio, o especialista do Edmundo Vasconcelos afirma que a origem mais provável está relacionada com problemas da digestão (intestinos, estômago, vias biliares), das vias urinárias (infecção, cálculos ou “pedras”) e ginecológicos (inflamações, infecções e, até mesmo, os relacionados com uma gestação).

“Denotam problemas mais graves, as dores abdominais de início súbito, intensas, e que alteram o equilíbrio do organismo, levando a problemas, como sudorese, parada de eliminação de gases e fezes, alteração dos sinais vitais (temperatura, pressão arterial, frequência cardíaca); dores crônicas, que se manifestaram diversas vezes e tiveram alteração das características, como sangue nas fezes; sinais de anemia e perda de peso; entre outras”, complementa.

Portanto, o tratamento para esse tipo de dor vai variar de acordo com as causas. “Podem ser prescritos desde simples gotas de medicação antiespasmódicas, até procedimentos cirúrgicos delicados”, comenta o médico.

Os analgésicos, por exemplo, agem para amenizar a dor (sempre com cuidado na administração para não mascarar o problema). Já os anti-inflamatórios são pouco utilizados em casos de dores com origem no sistema digestório. “Esses medicamentos são mais voltados para dores ginecológicas, urinárias e àquelas de origem no aparelho locomotor (ossos, coluna, músculos)”, esclarece o Dr. Berger.

Dor muscular

As dores musculares podem se originar por sobrecarga, erros posturais, após contusões, falta de mobilidade, movimentos repetitivos, processos isquêmicos e algumas doenças autoimunes.

Também podem ter origem em patologias, como fibromialgia e doenças infectocontagiosas (como dengue, leptospirose ou botulismo), enumera o anestesiologista e especialista no tratamento da dor do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, Dr. Francisco Obata Cordon.

Seja qual for a causa, é fato que esse tipo de dor pode prejudicar, significantemente, a vida dos acometidos. “A dor muscular limita a capacidade funcional do indivíduo, diminuindo o rendimento laboral e a realização de atividades cotidianas”, constata o Dr. Cordon.

No caso de dores musculares geradas por atividade física, podem-se evitá-las tomando algumas atitudes preventivas. “Antes da prática, é necessário o acompanhamento de um profissional capacitado, como educador físico, que irá orientar e supervisionar os exercícios, evitando erros de execução e sobrecargas. Respeitar os limites também é sempre a principal recomendação”, aconselha o especialista do Hospital São Luiz.

Mas caso ocorram dores, que sejam leves ou moderadas, desde que não haja lesão muscular significativa, o uso de compressas geladas ou quentes (conforme o tempo de dor e qual o objetivo desejado), diminuição da atividade física e fisioterapia ortopédica são opções, segundo o médico.

O Dr. Cordon lembra, ainda, que no caso das vias de administração tópicas, uma grande vantagem é que elas atuam diretamente no local onde ocorre a dor muscular ou o processo inflamatório. Além disso, usando-as adequadamente, não há tantos efeitos colaterais, pois sua atuação é local e não sistêmica.

“Cremes, pomadas ou géis são veículos mais comuns, devendo ser utilizados quando a área a ser aplicada não seja extensa, não tenha lesão tegumentar ou ferimentos. Podem ser à base de anti-inflamatórios, relaxantes musculares, corticosteroides e fitoterápicos, como cânfora e mentol”, descreve, acrescentando que, da mesma forma, esses medicamentos podem ser aplicados por sprays, que permitem aplicar em áreas de difícil acesso e de maneira mais uniforme.

“Os adesivos, além, de medicamentos, podem ser de substâncias termogênicas, capazes de produzir calor ou frio e, desta forma, atuarem na inflamação pelos meios físicos”, esclarece.

Em relação aos analgésicos, o Dr. Cordon lembra que eles podem ser usados nos casos em que ocorrem contusões simples por pequenos traumas ou exagero nas atividades físicas (esportiva, doméstica ou laboral). “Se houver suspeita de outras causas (infecciosa, inflamatória, autoimune ou degenerativa), a melhor opção é procurar um médico”, adverte.

Já os anti-inflamatórios estão entre os medicamentos mais vendidos, principalmente porque são bastante eficazes no tratamento da dor muscular. “A fisiopatologia da dor muscular está intimamente relacionada com a ocorrência do processo inflamatório que acontece quando há lesão tecidual. Dessa forma, esses medicamentos bloqueiam, exatamente, um dos maiores precursores da dor, que são as prostaglandinas”, diz.

Foto: Shutterstock

Inovação é chave do sucesso

Edição 304 - 2018-03-01 Inovação é chave do sucesso

Essa matéria faz parte da Edição 304 da Revista Guia da Farmácia.

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