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Escolha do ponto comercial

Há muitos fatores a considerar antes da escolha, daí optar por critérios baseados em dados técnicos ao invés de subjetivos

Um dos segredos do sucesso de qualquer negócio é o ponto comercial. Não basta ter um ótimo produto, bom preço e vendedores eficientes, se a localização de sua farmácia não é adequada. Muitos empreendedores cometem o erro de achar, por exemplo, que basta a rua ser movimentada para garantir muitos clientes. Outros acham que o melhor é ficar longe de um concorrente mais forte. Se fosse assim, o Habib’s (rede de fast-food de comida árabe) teria ido à falência ainda no começo. Fiquei surpresa quando o dono disse que procurava sempre escolher um ponto o mais próximo possível de um McDonald’s. Ele afirmou que as pessoas têm necessidade de variar e, fatalmente, acabariam entrando um dia em sua loja. Resumindo, sua estratégia deu tão certo que nem é preciso explicar. Um exemplo de farmácia com resultado positivo usando a mesma estratégia do Habib’s é a Farma Conde perto da Ultrafarma, na cidade de São Paulo (SP).

Trocando em miúdos, a escolha do ponto depende de muitos fatores, além da localização e da concorrência. Vamos comentar algumas orientações básicas sobre o que levar em consideração na escolha do ponto:

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Contratação de empresas especializadas:

É preciso fazer uma pesquisa de localização. Se puder, contrate uma empresa para fazê-la. Do contrário, é amadorismo. Hoje, utilizam-se dados de geomapas, drones e várias outras ferramentas especializadas.

De olho na rua:

Dizer que a rua movimentada é o melhor local pode ser precipitado. Para alguns empreendimentos certamente é; para outros, nem tanto. Se o seu potencial cliente é de alto poder aquisitivo, por exemplo, não é interessante estar em ruas muito movimentadas. Outro cuidado a ser tomado é com o fato de que muito movimento pode significar falta de tempo para observação. A análise do movimento deve ser feita em dias e horários diversos. Verifique os hábitos de quem transita pelo local e se os horários de movimento coincidem com a utilização de sua loja ou serviço. Mantenha-se afastado de parques e praças mal iluminadas – a segurança do cliente é muito importante.

Até o lado da rua deve ser observado. Em cidades de clima quente, prefira o lado onde faz sombra à tarde. Alguns negócios dão mais certo se estiverem na mão conveniente para o consumidor. Uma padaria ou farmácia, por exemplo, tem mais perspectivas no sentido centro-bairro.

Tipos de mercadoria e sistema de trabalho: 

As cidades e os bairros têm suas necessidades, por isso verifique se o tipo de mercadoria e o sistema de trabalho oferecidos por você vão ao encontro desses anseios.

Potencialidades do mercado:

O ponto também depende do mercado que está ao seu redor. É preciso traçar um perfil do consumidor potencial levando em conta itens como renda, número de carros por habitante, estilos residenciais e comerciais, entre outros. Em outras palavras, é preciso certificar-se de que o seu futuro cliente realmente passa por aquele local.

Tendência populacional:

A tendência populacional é muito importante. Além de analisar a situação presente, é preciso estudar os índices de crescimento e as expectativas gerais. Em uma mesma cidade sempre há áreas que estão em declínio de poder aquisitivo e outras em ascensão. É preciso conhecer a tendência para estar preparado quando as mudanças se consolidarem.

Disponibilidade de locais para abertura de lojas:

A região pode ser a ideal para o seu negócio, mas pode não haver disponibilidade de imóveis. Às vezes, eles são inexistentes, e quando existem, os valores referentes ao ponto são proporcionalmente muito altos para o capital do empreendedor, o que torna o negócio inviável.

Localização:

A proximidade a outros serviços como chaveiros, Correios, banco 24 horas e até mesmo supermercados pode ser uma associação interessante.

Vizinhança:

Pode não ser bom ficar isolado, longe de outros comércios. Mas analise quem vai ser o seu vizinho. A incompatibilidade com alguns serviços é notável e afasta o cliente. Imagine, por exemplo, sua farmácia ao lado de uma peixaria.

Ponto de ônibus: 

Essa referência também é relativa. Pode ser bom para produtos de alta circulação e baixos valores, mas ruim para produtos e serviços de maior valor aquisitivo. Nesse caso, há desvalorização nítida do empreendimento.

Portas fechadas: 

Clientes de menor poder aquisitivo são receosos a portas fechadas por acharem que os preços são mais altos. Mas isso não significa que se possa descuidar do visual ou da comodidade. Já as classes média e média-alta exigem mais conforto, climatização, segurança e também estacionamento.

Concorrência: 

Verifique se o mercado já não está saturado para o seu negócio. Se os indícios apontarem para uma atração cumulativa, é bom repensar antes de se instalar. Não é interessante apenas oferecer mais do que já existe na região; é preciso se diferenciar para se sobressair.

Como viram, há muitos fatores a considerar antes de escolher um ponto comercial, daí optar por escolhas baseadas em dados técnicos ao invés de subjetivos.

Foto: Shutterstock

O voto da vitória

Edição 311 - 2018-10-01 O voto da vitória

Essa matéria faz parte da Edição 311 da Revista Guia da Farmácia.

Sobre o colunista

Silvia Osso

Palestrante e consultora de empresas. Especialista em varejo e autora dos livros destinados ao varejo e serviços denominados "Atender bem dá lucro"; "Administração de recursos humanos em farmácia", "Programa prático de Marketing e Farmácias"; "Liderança para Todos" . Para adquirir os livros, acesse: www.lojacontento.com.br. E-mail: [email protected].