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Guia da Farmácia: Décadas de história

Ao longo de 300 edições, o Guia da Farmácia tornou-se referência ao registrar os momentos mais marcantes e decisivos dos últimos 25 anos do setor farmacêutico no Brasil

Até a década de 1970, o varejo farmacêutico era composto em sua maioria por lojas independentes e de gestão familiar. O profissional farmacêutico, ainda que acumulasse a função de dono da loja, conseguia manter uma relação de proximidade e amizade com os clientes, sendo visto quase como um médico da família, apto a tratar problemas de saúde mais corriqueiros.

Na década seguinte, uma forte crise econômica abalou o País e trouxe mudanças para o setor. Os índices galopantes de inflação obrigaram o farmacêutico a se afastar do cuidado com o paciente para tornar-se gestor e, assim, buscar mecanismos diários de sobrevivência em meio a um período turbulento.

Aqueles que conseguiram sobreviver à maré ruim puderam acompanhar a criação do Plano Real, em 1994. A mudança de moeda trouxe junto estabilidade econômica e permitiu que o varejo farmacêutico iniciasse uma nova era.

Sem o pesadelo da inflação e com a recuperação do poder de renda do brasileiro, o cenário tornou-se propício para os empreendedores e o número de farmácias no território brasileiro começou a crescer e atravessar fronteiras.

“O conhecimento tem um papel fundamental da sociedade e este precisa ser estruturado de forma que permita a sua disseminação. Para isso, precisa de profissionais competentes que saibam responder as perguntas básicas que envolvem o jornalismo que são: o que, quem, quando, onde, como e por quê? Ter a competência de identificar o que é relevante, organizar as ideias de maneira que atraiam a atenção do leitor e disseminar o conhecimento têm sido tarefas realizadas com competência pelo Guia da Farmácia. Parabéns pelas 300 edições de contribuição para o canal farma!”

Diretor da consultoria Inteligência de Varejo, Olegário Araújo

“Até então, as redes de farmácias eram essencialmente locais. Não era comum vê-las saindo de um estado para outro. Aí, com a estabilidade econômica, algumas começaram essa expansão, como a Pague Menos, que nasceu no Ceará, mas abriu uma loja no estado vizinho, Rio Grande do Norte, e algumas redes no Sul, que começaram, ainda de maneira lenta, a quebrar barreiras entre cidades”, relembra o presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto.

Além de expandir fronteiras, essas novas lojas já foram criadas dentro de um conceito de gestão profissional. “Até então, tínhamos inflação, desencaixe de caixa, remarcação constante de preços. Passado esse período, as empresas puderam se planejar mais. Isso foi um divisor de águas. Quem já vinha investindo em gestão e profissionalização sobreviveu. Aqueles que não fizessem a lição de casa não se sustentavam”, destaca.

Diante do crescimento da concorrência e da necessidade urgente de uma gestão profissionalizada, surgiram também os primeiros movimentos associativistas dentro do varejo farmacêutico.

“A organização de farmácias pequenas em grupos maiores se deu pela demanda por gestão de loja. Era preciso se organizar e melhorar os processos. Antes, com a loucura da inflação, qualquer coisa que você fizesse estava bom”, conta o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), Edison Tamascia.

Juntas, as pequenas farmácias passaram a ter maior poder de negociação nas compras, acesso à informação e criação de ferramentas de marketing e gestão. Com essa estrutura, ficava mais fácil resistir ao avanço das grandes redes.

Instrumento de profissionalização

Foi em meio a esse cenário de expansão e mudanças que o Guia da Farmácia foi criado. “No início, a revista era um instrumento de divulgação dos preços dos medicamentos no mercado. Com a constante e necessária demanda por modernização das farmácias e drogarias, iniciamos o ‘Projeto Varejo’, que oferecia modernas práticas de gestão e marketing ao mercado. A partir desse momento, passamos a investir cada vez mais na qualidade editorial da revista” conta o diretor da Contento Comunicação, Gustavo Godoy.

Nos primeiros anos, a publicação era focada em “reprodução” de conteúdo. “Os textos eram mais longos, as pautas se repetiam e o caderno de saúde era extenso”, descreve a editora-chefe do Guia da Farmácia, Lígia Favoretto. A primeira grande mudança aconteceu em 2009, quando a revista assumiu, de fato, sua linha editorial, ainda na gestão da jornalista Tânia Longaresi.

Com um ar mais leve e novas seções, o Guia da Farmácia passou a falar de saúde e gestão de loja, além de assuntos polêmicos da atualidade, como política, legislação, trâmites, processos de fabricação, campanhas e eventos. Também foram criados outros produtos além da revista, como suplementos especiais, plataformas digitais e lista de preços.

Hoje, por meio desses diferentes canais e diversas ações vinculadas, o Guia da Farmácia alcança 200 mil pessoas todos os meses. “Quanto maior a especificidade e variedade de assuntos de interesse dos leitores, maior a possibilidade de expandirem seus conhecimentos e de convergirem estes em ações práticas para a melhoria e evolução do mercado farmacêutico, por isso sempre ampliamos as frentes de abordagem dos conteúdos publicados”, explica Godoy.

O Guia da Farmácia é distribuído mensalmente a 30 mil farmácias em todo o Brasil (são aproximadamente 15 mil lojas de redes e redes associativistas, além de outras 12 mil independentes). “Chegamos às farmácias por meio de distribuidores de medicamentos e representantes de vendas que realizam um trabalho diferenciado por oferecer aos varejistas acesso ao rico conteúdo do Guia da Farmácia e sua Lista de Preços, auxiliando assim a promover a capacitação dos profissionais do varejo farmacêutico. Chegamos também pelos Correios a mais de cinco mil assinantes”, explica o diretor da Contento Comunicação, Vinícius Dall’Ovo.

Em comemoração aos 25 anos de história da revista Guia da Farmácia, Deusmar de Queirós (Presidente da Pague Menos), presta sua homenagem:

Marco histórico

Edição 300 - 2017-11-01 Marco histórico

Essa matéria faz parte da Edição 300 da Revista Guia da Farmácia.